quarta-feira, 20 de junho de 2007

MANIFESTO EM DEFESA DA POESIA NOS JORNAIS SERGIPANOS

“Dias maravilhosos, em que os jornais vêm cheios de poesia...”
Mário Quintana
Há décadas não lemos poesias nos jornais de Sergipe (Cinform, Jornal da Cidade, Correio de Sergipe, Jornal do Dia, etc). Há trinta anos a queixa não faria sentido, é conferir a hemeroteca do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe para saber do que estamos falando. O fato é que alguns editores hoje, pensam que a população sergipana não precisa de poesia para viver, malgrado um ou outro leitor endosse tal disparate. Nesse manifesto advogamos em nome da poesia diária e/ou semanal, defendendo o bem-estar e a qualidade de vida que ela proporciona no cotidiano das pessoas.

Desde cedo, a poética toma parte em nossa vida. Na infância a poesia alegra e solta a língua das crianças. Quem não recitou “batatinha quando nasce...”. Na adolescência não é muito diferente, ou se decora poesia para abrilhantar os eventos da escola ou a “azaração” entre os jovens arrola versos de poema plagiado (porque o remetente tem que se passar por autor no vale-tudo pela conquista). E ainda tem estudante que acha que uma poesia vai garantir maior nota na redação escolar. Por falar em educação, a literatura é disciplina obrigatória do ensino médio, em suma, ela apresenta as manifestações artísticas de cunho literário de certo contexto histórico, evidenciando as “escolas de arte”, destacando alguns representantes da prosa e do verso. Diante disso, fica a pergunta: qual a prática da literatura na sociedade, no tocante a poesia?

O despertar poético dos estudantes poderia ter seu laboratório na sala de aula, o que é raramente observado. Grande parte dos jovens, a propósito, retrai seu potencial diante da ênfase concedida aos poetas do livro didático. A iniciativa dos primeiros versos dá-se, na maioria das vezes, como dever extra-classe, descomprometido com o universo escolar.

A poesia e o poeta não são eremitas. Poesia é pra ser socializada, respeitando-se, claro, o direito autoral. Não pode ficar à margem - marginalizada - do cotidiano das pessoas. E os jornais sergipanos, quem diria, exilaram a poesia de suas páginas; investiram-se da nefasta missão de apartá-la da sociedade. Paradoxalmente, todos pleiteiam o rótulo do mais completo do Estado. Completo, sem poesia!?

Conclamamos os poetas e simpatizantes da poesia diária e/ou semanal a opinarem sobre o (des)caso. Será exagero? Se for, encaminharemos desculpas à imprensa, contanto que possamos, em breve, ler poesias nos jornais de Sergipe. Não faltarão poetas anônimos sedentos em divulgar seus trabalhos, nem mesmo aqueles que têm livro publicado, haja vista que a divulgação aquece as vendas. Auguramos a sensibilidade de todos que fazem à imprensa de Sergipe. Seremos mais felizes uma vez que parte da felicidade é sentimento. Poesia é sentimento.

E você, o que acha? Deixe seu comentário!
Thiago Fragata - Professor, historiador, poeta, sócio efetivo do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe (IHGS). Fonte: www.thiagofragata.blogspot.com

Um comentário:

  1. A verdade é que a poesia parece que fora colocada como "fora de moda". Muitos reclamam pela falta do habito de leitura, e o fato de se habituarem a ler só que vem de fora? No caso a produção literaria poetica é lançada a escanteio pela prosa dos best seler que vem de fora e fazem o maior sucesso. Não se pode negar que a produção poetica-literaria tenha caido também, suplantada por novas produções que estão na moda. Para a maioria das pessoas é mais facil seguir um enredo completo, bastante mastigadinho como acontece na prosa do que tentar ler nas entelinhas de um belo e rebuscado poema.
    Fazer o quê, é o mundo de hoje! Rsrs

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