sábado, 22 de agosto de 2009

Professores tiveram aula de folclore!

Jorge do Estandarte apresenta os passos do Reisado aos professores

Entre os dias 20 e 22 de agosto, os professores do município de São Cristóvão participaram da oficina pedagógica “Folclore: saber, cantar e dançar”. A Secretária Municipal de Educação, Secretaria de Cultura e Comissão Pró-candidatura da Praça São Francisco a Patrimônio da Humanidade somaram esforços e exitosamente efetivaram o extenso programa. As aulas teóricas foram ministradas por Thiago Fragata, historiador, e Maria Gloria Santos, pedagoga e coordenadora da Casa do Folclore Zeca de Noberto. O corte das roupas e os passos do folclore (dança), aulas práticas, foram ministradas por Neide Quitéria e Jorge do Estandarte, respectivamente.

Confira imagens dos melhores momentos da oficina e
sintese da palestra "Folclore: o que todo professor(a) deve saber".

Mestre Jorge do Estandarte explica a funcionalidade do reisado

Neide Quitéria ensina professores a fazer indumentária do reisado

Professora aprende a fazer vestido do reisado mirim


**************************

FOLCLORE:O QUE TODO PROFESSOR(A) DEVE SABER

Thiago Fragata*
Maria Gloria Santos**

QUE É FOLCLORE?

É um gênero de cultura de origem popular, constituído pelos costumes e tradições transmitidos de geração a geração.

Todos os povos possuem tradições, crendices e superstições, transmitidas através de lendas, contos, provérbios, canções, danças, artesanato, jogos, religiosidade, brincadeiras infantis, mitos, idiomas e dialetos característicos, adivinhações, festas e outras atividades que nasceram e se desenvolvem com o próprio povo.


CARACTERISTICAS DO FATO FOLCLÓRICO

LONGEVIDADE = tem historicidade

ORALIDADE = saber é passado pela oralidade e prática
TRADIÇÃO = não se sabe quando surgiu ou tem mais de 20 anos (questão
polêmica!)
DINAMICIDADE = muda de acordo com a cultura, de forma lenta
FUNCIONALIDADE = tem uma razão de ser
ACEITAÇÃO COLETIVA = todos na comunidade aceitam
ANONIMATO = não existe um criador dos passos ou da música (domínio público)


ORIGEM DA PALAVRA FOLCLORE

O termo folclore (folklore) é um neologismo que foi criado em 1846 pelo arqueólogo Ambrose Merton - pseudônimo de William John Thoms - e usado em uma carta endereçada à revista The Athenaeum, de Londres, onde os vocábulos da língua inglesa folk e lore (povo e saber) foram unidos, passando a ter o significado de saber tradicional de um povo.


RELAÇÃO FOLCLORE/CULTURA POPULAR

Se existe uma cultura erudita, de uma elite que sabe ler, escrever, então o folclore surgiu no meio da cultura popular, de um povo que sabe pelo que vê, ouve, pratica e inventa. Folclore estar relacionado a cultura popular na sua origem.


RELAÇÃO DIVERTIMENTO/RELIGIÃO
Festa é celebração da vida. Dançar e cantar está relacionado ao divertime
nto e/ou religiosidade


CLASSIFICAÇÃO PERIÓDICA

FOLCLORE DO CICLO JUNINO: se apresenta de acordo com a tradição de janeiro (6 – festa de Reis) a julho (2 – Dia de Santa Isabel, quarta santidade do período junino celebrada pelo folclore sancristovense).
FOLCLORE DO CICLO NATALINO: se apresenta de acordo com a tradição de ju
lho a janeiro.


ESPETACULARIZAÇÃO

Tradição por si não dá alimento. Preservar a tradição é, antes de tudo, preservar a vida. Dinamicidade é uma característica do folclore, por isso é preciso vender o espetáculo, se apresentar em qualquer mês do ano, cobrar cachê! Lamentavelmente, por questão de estética ou tempo o fato folclórico perde o sentido original. Jorge do Estandarte lembra que somente as jornadas mais animadas são apresentada nos festivais.


FOLCLORE E PARAFOLCLORE

O que define o folclore é a tradição. Já a invenção de grupo para fazer espetác
ulo define o parafolclore.


PESQUISADORES DO FOLCLORE BRASILEIRO

MARIO DE ANDRADE (1893-1945)
Catalogou cantos populares

MONTEIRO LOBATO (1882-1948)
Divulgou mitos e lendas brasileiras. Saber mais:
http://thiagofragata.blogspot.com/2007/11/entrevista-nos-90-anos-do-saci.html

CAMARA CASCUDO (1898 – 1986)
Considerado o Pai do Folclore brasileiro
Esteve em Sergipe em 1951, ocasião em que conheceu o folclore de São Cristóvão


EXPRESSÕES FOLCLÓRICAS DE SÃO CRISTÓVÃO


SAMBA DE COCO

O Samba de Coco é uma antiga manifestação folclórica de São Cristóvão. Atualmente, três sambas animam a capital da cultura. Com uma alegria contagiante e rica indumentária, homens mulheres e crianças encenam evoluções das brincadeiras de roda e do ágil samba no pé.

É uma herança africana. Ao som dos instrumentos de percussão e da cuíca os brincantes cantam pérolas do cancioneiro popular e executam harmoniosos movimentos de giro e samba no pé.

A alegria é um componente presente nas roupas, na dança e na música contagiante do Samba de Coco.


BATALHÃO DE SÃO JOÃO

Festejar os santos juninos (São João, Santo Antônio, São Pedro e Santa Isabel) é o fito do Batalhão.

A percussão ritma brincantes e frentista, a semelhança das batucadas, no embalo de cânticos nordestinos.

Estandarte e elementos juninos adornam a indumentária que brilha em movimentos de passada e giro. A Rainha do Milho é uma figura de destaque no Batalhão de São João.


BACAMARTEIROS

Bacamarteiros de São Cristóvão era o mais antigo e representativo do Estado de Sergipe, até a morte do mestre Raimundo em 2008.

Trajando fardamento azul o batalhão impõe marcha célere e ritmada garantida pelo bumbo, caixa, ganzá e cuíca. A expressão tematiza dois momentos da História do Brasil. A vitória do Exército republicano na Guerra do Paraguai e a caçada aos cangaceiros de Lampião. Chapéu tipo cangaceiro, carturcheiras e bacamartes cruzam com o azul militar, elemento do Exército republicano na época da Guerra do Paraguai (1870-1875).

O tiro de bacamarte desferido contra o chão ou para o céu, assim como os rodopios, festejavam a vitória.


CACETEIRA

Manifestação folclórica tradicional no período junino de São Cristóvão, a quarta cidade mais antiga do Brasil. Entoando cantigas do cancioneiro popular sergipano, homens e mulheres compõem o cortejo animado por zabumbas, ganzá e cuíca.

O nome Caceteira lembra o processo artesanal de sova do couro dos instrumentos de percussão e o próprio batuque “a base de cacetes”.

As Caceteiras mais antigas de São Cristóvão datam da primeira metade do século XX. A Caceteira da Dona Biu e a Caceteira de João de Cota, ambas desaparecidas com o falecimento dos seus mestres, ainda resistem na memória coletiva da cidade.

Atualmente, a única manifestação folclórica desse gênero é a Caceteira do Rindú, apelido do seu coordenador, o Sr. José Gonçalo dos Santos.

Só existe Caceteiras em São Cristóvão.


LANGA

A Dança do Langa é uma manifestação do ciclo junino. Existe no povoado Tinharé, de São Cristóvão.

Não se sabe o porquê do nome langa.

A Dança do Langa louva São João através de seus cânticos, versos e evoluções ritmadas.

Ao som de cavaquinho, violão e triângulo, as 8 brincantes emparelhadas bailam em 2 colunas, sob o comando de 1 marcador.

De vestido branco e empunhando lenços e pandeirinhos o grupo louva, canta, faz paralelos e volteios.

Em seguida, as brincantes manejam os lenços em duas harmoniosas evoluções: a primeira em xis (x), a segunda em túnel.

Depois de todas as jornadas acontece a chula, um frenético requebrado com que as brincantes se despedem de todos.


REISADOS

Folguedo que homenageia a Festa de Reis, dia 6 de janeiro. Sua religiosidade e versos reverenciam o menino Jesus, Maria e José. Suas fitas causam grande efeito visual e seus espelhos funcionam como amuletos. Basicamente, azul e vermelho são as cores do Reisado.

Fole, zabumba e triângulo harmonizam cordões e alas ao som da melodia simples e repetida, versejada pelo Mateus, o caboclo, e repetida pelos brincantes.

O Reisado é uma marca de Sergipe, encontrado na maioria dos municípios. São Cristóvão tem 5 manifestações folclóricas desse tipo: Reisado de Satú, Reisado de Jorge, o Reisado das Pedreiras, Reisado do Tinharé e Reisado da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos.


TAIEIRAS

Tem ainda as Taieiras, que segundo o mestre Jorge do Estandarte, são herança das escravas fôrras e pastoras. Essa manifestação está relacionada aos festejos a São Benedito, de Nossa Senhora do Rosário, de Reis. No Anuário Christovense [1915], de Serafim Sant’Iago, ele rememora a festa da coroação da rainha das Taieiras na Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos.


PERSONAGENS E JORNADAS VARIAM DE ACORDO COM O LUGAR

Mateus
Dona Pastora ou Dona Deusa
boi, jaraguá outros animais
figurantes


JORNADAS DO FOLCLORE

1 - Formação de cordões ou alas,
2 - Cortejo,
3 - Pedição de sala,
4 - Louvação à Maria e Jesus,
5 - Louvação às autoridades e pessoas queridas,
6 - Despedidas, etc

Jorge do Estandarte, mestre do grupo União, afirma que o reisado tem quase 25 partes. Em razão do pouco tempo destinado a apresentação há uma tendência em apresentar as jornadas mais animadas, dançantes.


*Professor, historiador, coordenador da Comissão Pró-candidatura da Praça São Francisco a Patrimônio da Humanidade. E-mail: thiagofragata@gmail.com
** Pedagoga, diretora da Casa do Folclore Zeca de Noberto. E-mail:quegloria@yahoo.com.br






2 comentários:

  1. JUSINEIDE DE JESUS14 de junho de 2010 07:41

    ESTA METERIA NOS FAZ CONHECER UM POUQUINHO DE SÃO CRISTÓVÃO. VACÊS ESTÃO DE PARABÉNS.
    JUSINEIDE DE JESUS.GRADUANDA EM HISTORIA/UNIT

    ResponderExcluir
  2. Amigo Thiago, admiro bastante o trabalho que vocês executam em respeito a preservação da memória desta bela cidade, Parabéns!

    ResponderExcluir

Deixe seu comentário sobre essa matéria.