domingo, 26 de fevereiro de 2012

MHS lança exposição "Brasil e a transformação da paisagem"


José Caldas em ação

Com curadoria de Ângela Magalhães e Nadja Peregrino, com produção de Sayonara Viana, a exposição Brasil e a transformação da paisagem leva ao público de Sergipe um recorte de 20 imagens da obra do fotógrafo sergipano José Caldas, reconhecido como um dos mais importantes documentaristas da natureza brasileira em atividade, autor de nove livros sobre temas ambientais nacionais e presidente da AFnatura – Associação Brasileira de Fotografia de Natureza.

Viajar pelo interior do Brasil pode proporcionar experiências das mais variadas e revelar cenários e situações surpreendentes. Nas fotos expostas – muitas delas em grandes formatos, de até 2,7 metros de largura –, esse sentimento salta das paredes, somando-se a ele uma viagem no tempo, que reflete as transformações ocorridas em um período intenso e recente da história do País, equivalente aos 20 anos de formação do acervo de José Caldas.

O Brasil teve um percurso histórico muito predatório de seus recursos naturais, o que se intensificou nesse período. A capacidade produtiva do país e sua realidade demográfica tornaram esse processo mais extensivo, com potencial ascendente. Ao mesmo tempo, o consciência ambiental ganhou força e se disseminou globalmente e no país, e com ela a postura crítica à utilização displicente das reservas naturais do País e às agressões à natureza.

A forma que Caldas encontrou para se posicionar diante desse dilema histórico foi colecionando imagens, tecendo com isso o mapa iconográfico de um Brasil particular. Seus registros focam a natureza e a presença humana no território, no que ele próprio prefere denominar “documentação geográfica”. Retratos do que está em vias de extinção, do que é novo, do que merece ser preservado. Do que é emblemático de cada contexto ou simplesmente de cenas expressivas que se apresentam à sua frente, sem explicação. Suas fotos são documentos que se agregam ao patrimônio de imagens da nação, não só pelo que documentam, mas por expressarem a visão do artista.

Ao alcançar a retina dos espectadores, as fotos de José Caldas são impregnadas de seus sentimentos, por sua edição do mundo: o mapa do país que surge entre folhagens, a luz da lua redesenhando as reentrâncias das montanhas mineiras, a metrópole que se dissolve no horizonte, a paisagem carioca, talvez a mais clássica do imaginário brasileiro, dando espaço a prédios e favelas sob a primeira luz do dia, o cágado em close-up, e ao mesmo tempo, perdido na imensidão da estrada que escolheu para tomar sol...

“José Caldas não se detém num formalismo vazio e anacrônico. Ao contrário, o conteúdo estético alinha-se a uma preocupação ecológica e política conectada com suas próprias indagações existenciais. Não à toa, é um trabalho in progress que vem sendo realizado por mais de duas décadas, sem sinais visíveis de que tenha esgotado o interesse pelo assunto”, colocam as curadoras sobre o artista, no texto de apresentação.

O recorte proposto para a exposição sugere uma reflexão sobre as transformações da paisagem brasileira, geradas pelo homem e pela própria natureza, em sentidos, ritmos e ciclos variados, em movimentos mínimos e em outros definitivos. Pois de uma forma ou de outra, a realidade sempre se transforma.

A exposição Brasil e a transformação da paisagem é uma oportunidade de oferecer ao público esses fragmentos da realidade brasileira, eleitos sob o olhar artístico e observador do fotógrafo, e enriquecer com isso a visão dos espectadores sobre a identidade e a diversidade brasileiras. Oportunidade ainda de premiar o esforço incansável de José Caldas de se enfurnar nos sertões do Brasil para extrair dali sua essência.

LOCAL:
Museu Histórico de Sergipe
Praça São Francisco
São Cristóvão-SE
  
DATA:
01.03 a 04.06.2012

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