MESTRES DO FOLK: Mestre Raimundo


Raimundo Bispo dos Santos nasceu em Ponto Tubatinga, Bahia, em 9 de novembro de 1925. Teve infância cercada de música por influência do seu pai. Chegou em Sergipe aos 8 anos de idade, quando foi morar em Estância. Lá conheceu o Reisado, o Samba de Coco, passando a integrar os grupos, ora como tocador, ora como brincante. Mudou-se para São Cristóvão em 1959. Integrou-se com entusiasmo a Chegança da cidade histórica. Organizou o grupo dos Bacamarteiros de São Cristóvão, expressão que retrata dois momentos na História do Brasil: a vitória do Exército Brasileiro na Guerra do Paraguai e a caçada aos cangaceiros de Lampião. Mestre Raimundo coordena também o São Gonçalo do Amarante e o Samba de Coco.

Por Thiago Fragata - Professor, poeta, historiador e sócio-efetivo do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe (IHGSE). E-mail: thiagofragata@gmail.com
FOTO BACAMARTEIROS: Isa Vanny da Silva Farias

MESTRES DO FOLK: Jorge do Estandarte


Nasceu Jorge dos Santos na histórica São Cristóvão, no dia 27 de fevereiro de 1935. Aprendeu folclore na vivência com a família, pai, tio e avô que eram brincantes do reisado, da taieiras, da chegança e do batalhão, sem esquecer os blocos tradicionais do carnaval. Nos anos 50 do século passado já coordenava a saída do Bloco Tira-teima, patrocinado pela fábrica têxtil Sam Christovam S. A. Morou no Rio de Janeiro entre os anos de 1960 e 1989, período que trabalhou em duas escolas de samba: Acadêmicos do Salgueiro e Bafo de Onça.

De volta a terra natal, dedicou-se as tradições cívicas, religiosas e festejos culturais, enquanto funcionário da Prefeitura Municipal de São Cristóvão, oportunidade que gerenciou iniciativas no âmbito da cultura local. Conhecido na cidade como Jorge do Estandarte em razão dos riquíssimos estandartes de alto valor artístico que produz. Coordena o Grupo União do São Gonçalo, que tem sede na própria residência, onde acontece ensaios regulares de Reisado, Samba de Coco, Reisado e Batalhão de São João.
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BATALHÃO DE SÃO JOÃO

Festejar os santos juninos (São João, Santo Antônio, São Pedro e Santa Isabel) é o fito do Batalhão. A percussão ritma brincantes e frentista, a semelhança das batucadas, no embalo de cânticos nordestinos. Estandarte e elementos juninos adornam a indumentária que brilha em movimentos de passada e giro. A Rainha do Milho é uma figura de destaque no Batalhão de São João.

MESTRES DO FOLK: Mestre Rindú

Nasceu no bairro do Apicum Merém, em São Cristóvão, no dia 18 de setembro de 1940. Desde muito cedo aprendeu a dançar folclore e a pescar, como atividades complementares, uma como forma de lazer, outra como meio de sobrevivência. Aprendeu com João Curtiço a Chegança de São Cristóvão, hoje desativada, bem como na Caceteira do falecido João de Cota, de quem herdou os brincantes da Banca do Peixe, reduto dos pescadores da cidade histórica.

O Mestre Rindú, apelido de José Gonçalo dos Santos, se destaca nos eventos que participa a frente da Caceteira. Vestido para Chegança teve destaque especial no Seminário Nacional de Culturas Populares, que aconteceu em Brasília, em fevereiro de 2005. Enquanto Mestre da Caceteira recebeu o troféu Mestre Cadunga outorgado pela Prefeitura Municipal de Laranjeiras, cidade histórica de forte tradição cultural. Mestre Rindú é um dos ícones do folclore sancristovense.
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CACETEIRA

A caceteira é uma manifestação folclórica tradicional no período junino de São Cristóvão, a quarta cidade mais antiga do Brasil. Entoando cantigas do cancioneiro popular sergipano, homens e mulheres compõem o cortejo animado por zabumbas, ganzá e cuíca. O nome caceteira lembra o processo artesanal de sova do couro dos instrumentos de percussão e o próprio batuque “à base de cacetes”.

As caceteiras mais antigas de São Cristóvão datam da primeira metade do século XX. A Caceteira da Dona Biu e a Caceteira de João de Cota, ambas desaparecidas com o falecimento dos seus mentores, ainda resistem na memória coletiva da cidade. Atualmente, a única manifestação folclórica desse gênero é a Caceteira do Rindú, apelido do seu coordenador, o Sr. José Gonçalo dos Santos. De acordo com a tradição, todos os anos, no dia 31 de maio, a Caceteira do Rindú composta de 26 brincantes percorre as ruas do centro histórico numa batucada que festeja a chegada do mês junino. A meia-noite, o repique dos sinos das igrejas centenárias é louvado com emoção: “o sino do Carmo abalou, abalou deixa abalar”, diz o refrão.


Por Thiago Fragata - Professor, poeta, historiador e sócio-efetivo do Insituto Histórico e Geográfico de Sergipe. E-mail: thiagofragata@gmail.com

Monteiro Lobato, o folclorista

Primeiro livro de Monteiro Lobato (1917)


RESUMO: artigo trata da contribuição de Monteiro Lobato, na seara do folclore, a partir da sua obra "O Sacy-Perêrê: resultado de um inquérito", de 1917.


Por Thiago Fragata*

Nesse mês de agosto é pertinente ressaltar a contribuição de Monteiro Lobato ao folclore brasileiro. Muitos perfis do insigne intelectual foram desvelados pelos estudiosos de sua obra: escritor, editor, missivista, pedagogo, diplomata, economista, financista, humorista, crítico de arte, poeta, patriota, panfletista. Apenas o raro trabalho “Monteiro Lobato, o Folklore e o Çaa Cy Pererég”, assinado por Alceu Maynard Araújo, em 1948, destaca o pioneirismo de Lobato na pesquisa etnográfico e na promoção do folclore brasileiro, focando o caso do fantástico Saci Pererê. (CONTINUA)


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Barroco em Sergipe: soneto de Gregório de Matos


Descrição da cidade de Sergipe d’El Rey
Três filas de casebres remendados
Sete becos de mentrastos entupidos
Cinco soldados rotos e despidos
Doze porcos na praça bem criados.

Dois conventos, seis frades, três letrados
Um juiz com bigodes sem ouvidos
Três presos de piolhos carcomidos
Por comer dois meirinhos esfaimados.

As damas com sapatos de baeta
Palmilha de tamanca como frade,
Saia de chita, cinta de raquete.

O feijão que só faz ventosidade
Farinha de pipoca, pão de greta
De Sergipe d’El Rey esta é a cidade.


Vocabulário colonial
esfaimados: famintos
mentrastos: de mentastro, referente a resto de ervas da família das labiacidas
meirinhos: fiscais, cobradores de impostos.
sapatos de baeta: tipo de sapato de camuça, símbolo de status
pão de greta: pão mofado


Comentário do Historiador Thiago FragataSoneto atribuído a Gregório de Matos e Guerra, o mais polêmico dos poetas coloniais. Com ironia e sarcasmo seus versos lhe renderam o apelido de Boca do Inferno. Ao estilo dos versos tecidos para a Bahia, a Descrição da cidade de Sergipe d’El Rey, como era conhecida São Cristóvão, constitui prova de que seu autor esteve in loco na fonte de sua inspiração. Certamente, o poeta baiano passou pela então capital sergipana, em fins do século dezessete, antes de seguir para o exílio na África. O fato teria ocasionado, então, a obra poética que disseca a sociedade sancristovense, na sua (des)ordem administrativa, religiosa e material.

COMO PARTICIPAR DA RIFA EM PROL DA ABERTURA DO ATELIÊ FRAGATA EM LAGARTO/SE?

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