COMO PARTICIPAR DA RIFA EM PROL DA ABERTURA DO ATELIÊ FRAGATA EM LAGARTO/SE?




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RECONHECIMENTO FACIAL ATUALIZA LOMBROSO*

 

Thiago Fragata*

Em abril de 2024, João Antônio Trindade Bastos, 23 anos, foi detido durante um jogo de futebol do seu time, Confiança, em Aracaju. (1) Ano passado, na cidade de São Paulo, Francisco Ferreira da Silva, um senhor 80 anos, foi abordado enquanto prestava trabalho voluntário e conduzido à delegacia. Ambos foram identificados e confundidos por meio do moderno sistema de reconhecimento facial. Assim que o cruzamento de dados revelou as discrepâncias e a polícia confirmou erro, os cidadãos constrangidos foram liberados. Estes e outros casos similares refletem um padrão histórico de prisões injustas contra a população negra. Isso mesmo, as vítimas eram homens negros. Essa padronização do potencial suspeito, parece-me a ressureição do “criminoso nato”, da teoria proposta por Cesare Lombroso (1835/1909). Será exagero? Vejamos...

O professor do Departamento de Educação, da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e especialista na área da Inteligência Artificial na Educação, João Batista Bottentuit Junior, explica que o termo foi criado para exemplificar um novo tipo de preconceito racial, “racismo algorítmico é quando os sistemas de inteligência artificial ou algoritmos desses sistemas acabam reproduzindo ou ampliando preconceitos raciais existentes. Diferente do racismo estrutural, que está presente em instituições, leis e práticas sociais historicamente construídas, o racismo algorítmico surge de forma mais invisível, pois está embutido nas tecnologias que usamos no dia a dia. Ele é uma manifestação mais técnica, mas que reflete o racismo estrutural da sociedade, porque os dados e as decisões automatizadas são baseados em informações que carregam esses vieses. Isso ocorre porque os textos nas bases estão escritos muitas vezes com termos ou conteúdos racistas, e os algoritmos terminam por reproduzir esse comportamento no novo texto produzido”. (2) Ou seja,  algoritmos aprendem a partir dos dados que recebem, e esses dados vêm da realidade marcada por desigualdades e preconceitos. Se o conjunto de dados é parcial ou injusto, o resultado desvela injustiças.

Em meados do século XIX, cientistas europeus inspirados na teoria evolucionista de Charles Darwin (1809/1882) forjaram uma explicação para a diferença da raça humana. Assim, nasceu o evolucionismo científico (no século XX receberia nome de racismo científico), que colocava o branco europeu como ápice da espécie humana, portanto, um legítimo civilizador. Se até então, o discurso para invasão de territórios era pautado na missão divina da cristandade, a nova base adotada em meados do século dezenove, na "partilha colonial", foi racializada, constituída a partir de uma pretensa verdade científica embasada num discurso eugenista.

Animado com esse ideário científico vigente, que favorecia o povo europeu, o médico italiano Cesare Lombroso desenvolveu uma teoria eugênica, do “criminoso nato”. Ele é considerado o pai da criminologia em face da sua contribuição ao inserir método científico nas investigações policiais. Da pretensa hipótese científica inicial que prometia provar que características físicas, fenotípicas, como o tamanho do crânio (craniometria), por exemplo, indicava sujeitos propensos ao crime, a perspectiva lombrosiana tornou-se a legitimação do racismo, a sentença baseada na raça. No século XX, a teoria do “criminoso nato” caiu em descrédito, mas reaparece toda vez que alguém é tomado como suspeito por ser negro. (3)

Se a tecnologia do reconhecimento facial segue o padrão da sociedade racializada, lombrosiana, ela não é neutra muito menos pensada para a diversidade. Assim como a fotografia, a festejada Inteligência Artificial segue mesma lógica. É o professor Dr. Zulu Araújo, ex-presidente da Fundação Palmares, quem alerta em “Algoritmo, Inteligência Artificial e racismo: a nova face de um velho problema”, matéria da Revista Raça, de abril corrente. Diz assim:

“Não existe neutralidade quando o mundo é desigual. Nem a inteligência artificial nem o algoritmo pairam acima da sociedade. Pelo contrário, nascem e crescem dentro dela, ainda mais no Brasil, que possui uma estrutura profundamente racista e desigual. Por isso mesmo, não dá para termos a ilusão de que os algoritmos e a inteligência artificial são neutros. Em verdade, são decisões codificadas. Escolhas políticas disfarçadas por técnicas sofisticadas. Portanto, o que estamos vendo hoje, não é inovação tecnológica apenas. É a digitalização das desigualdades e dentro delas o racismo. E isso está ocorrendo em várias áreas: econômica, social, ambiental, de gênero ou sexual. Na segurança pública, por exemplo, o reconhecimento facial já funciona como uma nova forma de suspeição automática. E essa suspeição tem alvo: corpos negros e pobres”.

 

A resposta é sim, apesar dos casos de sucesso (identificação de foragidos, de sujeitos que desrespeitam medidas protetivas, etc) a tecnologia que norteia o reconhecimento facial é lombrosiana, ou seja, é a “arma branca” (o trocadilho é intencional) do racismo institucional. Lembrar disso, toda vez que se frustrar durante o reconhecimento facial no aplicativo do seu banco, eu sempre deixo para o dia seguinte, sol a pino, tendo ao fundo uma parede branca...

 

*Texto publicado no JORNAL DO DIA. Aracaju, ano XXII, N. 7106, 5 de maio de 2026, p 4.

 

FONTES DA PESQUISA
1 - Medo, frustrado e constrangido', diz homem detido por engano em estádio após erro do sistema de reconhecimento facial. G1, matéria do Fantástico, consulta em 26/4/2026 https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2024/04/21/medo-frustrado-e-constrangido-diz-homem-detido-por-engano-em-estadio-apos-erro-do-sistema-de-reconhecimento-facial.ghtml
2 - Racismo algorítmico e os impactos sociais: professor da UFMA explica os desafios no /combate à discriminação racial na era da Inteligência Artificial. Consulta 17/3/2026 https://portalpadrao.ufma.br/site/noticias/racismo-algoritmico-e-os-impactos-sociais-professor-da-ufma-explica-os-desafios-no-combate-a-discriminacao-racial-na-era-da-inteligencia-artificial
3 - MACHADO, Daniel Dias. Teoria de Cesare Lombroso e sua influência na sociedade. São Paulo: Dialética, 2021.
4 - ARAUJO, Zulu. Algoritmo, Inteligência Artificial e Racismo – a nova face de um velho problema. Revista Raça. Abril 2026, consulta em 26/4/2026
https://revistaraca.com.br/algoritmo-inteligencia-artificial-e-racismo-a-nova-face-de-um-velho-problema/

ORIGEM DA BICA DOS PINTOS, DE SÃO CRISTÓVÃO/SE

Construção de ponte no balneário Bica dos Pintos 1977

 

Thiago Fragata* 

O Brasil foi o último país da América a abolir a escravidão africana. A partir do momento que a imagem de nação mestiça/escravista incomodou o Governo Imperial diante da comunidade internacional alguns intelectuais sugeriram a substituição dos negros por trabalhadores europeus visando o “branqueamento” do país. Apostavam que a oferta ou distribuição de terras, por exemplo, convenceria qualquer europeu pobre e resolveria a questão. Assim começaram as colônias de imigrantes no Brasil. O leitor deve se perguntar “qual a relação destas colônias do século XIX com o banho da Bica dos Pintos?”. Além da resposta, objetivamos mostrar a evolução da propaganda governista a respeito deste lugar aprazível localizado em São Cristóvão, Sergipe.

Além de médico e historiador, Felisbelo Firmo de Oliveira Freire teve uma atuação marcante na política. Seguindo uma tendência nacional respaldada na “consignação do Governo Central para o serviço de immigração e colonização”, é que o Governador Felisbelo Freire criou 3 núcleos coloniais, sendo um na cidade de Estância e dois em São Cristóvão. Nesta os núcleos seriam instalados na antiga Colônia de Patrimônio e nos Pintos. No Decreto N. 44, de 22 de maio de 1890, diz o parágrafo 1º: “Fica creado o núcleo colonial no lugar denominado - Pintos - no município de S. Christovam, compreendendo todos os terrenos ultimamente comprados ao major Guilherme Silveira Telles”. Na ocasião, o major Ivo do Prado Martins Pires da Franca foi nomeado para tratar dos “trabalhos preliminares do núcleo colonial Pintos”. (1)

Infelizmente, o Governo que comprou o terreno, “decretou sobre o assunto, oferecendo vantagens aos estrangeiros que quisessem estabelecer-se no Estado, dedicando-se aos trabalhos da lavoura” foi deposto por ordem do Marechal Deodoro da Fonseca, então Presidente da República, em 1890. Seus sucessores, a exemplo do Monsenhor Olímpio Campos, preferiram a Colônia de Patrimônio a Colônia Pintos, quando o tema da agricultura retornou a pauta. No entanto, descobrimos que mesmo sem efetivar o programa de núcleos coloniais e o programa de imigração, alguns italianos instalaram-se nos Pintos em fins do século XIX.

Após o fracasso da experiência de estrangeiros na colônia Pintos, uma nova tentativa, agora com trabalhadores nacionais (brasileiros), foi planejada em 1910. Em resposta ao ofício do Ministro da Agricultura, Rodolpho Miranda, autorizando a instalação do “Centro Agrícola de Sergipe” o então Governador Rodrigues Doria, escreve em 27 de setembro daquele ano: “peço lembrar a V. Ex., já existir neste Estado um lugar com duas léguas de extensão, comprado pelo Estado, no município de Sam Christovam, com mattas, aonde o Governo da União, pretendia fundar a Colônia dos Pintos. (…) que se acha adaptada para os fins desejados”. (2) O plano não se efetivou, pois, o resultado das eleições de setembro de 1910 mudou o cenário político.

O novo Governador Siqueira de Meneses, que era sancristovense, escolheu a antiga colônia de Patrimônio para inaugurar o Centro Agrícola. Ele conhecia bem aquele lugar pois na função de engenheiro militar foi designado para medição, desenho e construção das casas do “primeiro núcleo colonial”, como dizia a propaganda do Governo Felisbelo Freire, no distante 1890. (3) Não se pode considerar que a Colônia Pintos foi esquecida, ela foi a leilão pela Delegacia do Thesouro Fiscal em 1911. Alegando recomendação da Diretoria do Patrimônio Nacional, foi divulgado edital em 22 de março, aonde lemos: “se acha aberta, dentro do praso de trinta dias, a contar da data do presente edital, nova concorrência pública para venda do próprio nacional denominada Colônia Pintos, situado no município de Sam Christovam, neste Estado, sob as condições abaixo declaradas, servindo de base o preço de 5:500$000,000”. (4) Não localizamos nas pesquisas a certidão de compra e venda, especulamos que foi nesta ocasião que a antiga Colônia Pintos passou a jurisdição do Poder Público Municipal.

Nas imediações da antiga Colônia Pintos, que não se constitui uma colônia de imigrantes, tampouco um centro agrícola, surgiu o bairro Pintos. Parte considerável dos primeiros moradores eram operários da Fábrica Sam Christovam S.A., oriundos de cidades do sertão e agreste sergipano. Não por acaso, sua igreja é dedicada a São José Operário e a escola municipal recebeu o nome “Pedro Amado”, proprietário da citada fábrica. E tem mais relações. Pela Lei Municipal N. 77, de 10 de maio de 1971, o prefeito Paulo Correia dos Santos autorizou a construção do Parque Municipal Dr. Pedro Amado. Segundo informa o seu parágrafo: “na área que compreende as bicas dos banhos público, no bairro Pintos, um Parque Natural e Turístico”. (5) Ou seja, é possível identificar dois momentos na experiência do lugar Bica dos Pintos, um do potencial agrícola, outro do potencial turístico que começa na gestão de Paulo Correia (1971-1972), popular Paulo da Farmácia.

O Balneário da Bica dos Pintos teve sua maior efervescência turística na década de 1970 e início dos anos 1980. Alguns bares foram construídos na gestão do Prefeito Lauro Rocha de Andrade, bem como uma pequena ponte que dá acesso as biqueiras. Com a reforma implementada pelo Governo do Estado, via recursos da EMSETUR, em 1979, o lugar teve nome oficial alterado para “Parque Governador João Alves Filho”. O balneário já passou por outras reformas, a última em 2023 na gestão de Marcos Santana, quando recebeu uma nova denominação: Parque Natural Aloízio Fontes dos Santos.

Texto publicado no JORNAL DO DIA. Aracaju, 29 de abril de 2026.

 


 

NOTAS DA PESQUISA

1 - O Republicano. Aracaju, ano II, N. 147, 28 de maio de 1890, p. 1.

2 - Centro Agrícola. O Estado de Sergipe. Aracaju, ano XII, n. 3397, 15/10/1910, p. 2.

3 - Ato, 28/02/1890. O Republicano. Aracaju, ano II, n. 94, 19/3/1890, p.

4 - Edital Delegacia Fiscal. Diário da Manhã. Aracaju, ano I, n. 59, 18/04/1911, p. 3.

5 - Lei Municipal N. 77, de 10 de maio de 1971. Arquivo da Câmara Municipal de São Cristóvão.

 


 

ZÉZÉ DO PARQUE E OS NATAIS DE SÃO CRISTÓVÃO

Zézé do Parque

 

Thiago Fragata*

 

Quem foi criança, em São Cristóvão, entre 1970 e 1990 lembra de Zézé do Parque ou do Parque de Seu Zézé. Por falar em criança, ele nasceu no dia 12 de outubro, na cidade de Lagarto, em 1918. Ao longo da vida, recebeu apelidos relacionados as atividades laborais, por isso foi Zézé da Barbearia, Zézé dos Fogos e morreu Zézé do Parque. Em meados da década de 1970, o Sr. Zézé inaugurou na ex-capital o natal fora-de-época! Todos sabem dos carnavais fora-de-época, as micaretas, mas quem já ouviu falar de natal fora-de-época? Entrevistei o Sr. Zézé do Parque em abril de 2008 tentando resposta...

De início, o ancião informou que a ideia não foi dele, conheceu menino na sua terra natal, Lagarto. Fato: natais ocorrem na cidade de Lagarto até hoje! Assim que chegou na cidade histórica, no ano de 1948, ele montou barbearia no mercado. Era amigo de Zé Goiaba, exímio ferreiro que fez uns barquinhos de ferro para funcionar na época das festas tradicionais do calendário: natal, Semana Santa, São João, etc. Já comercializa fogos quando fez a proposta de compra dos barquinhos aos filhos do amigo falecido. Adquiriu os brinquedos e num incentivo do prefeito Credivaldo Oliveira Santos (1973/1975) montou a programação dos natais fora-de-época. A partir de 1973 o evento passou a ter a seguinte formato, durante os meses de dezembro até meados de fevereiro, todo fim de semana ocorria um natal num povoado diferente; como a cidade tem mais de quarenta povoados o festejo perpassava os dias de carnaval! O sucesso estimulou a encomenda das cadeirinhas e dos cavalinhos de ferro. Assim nasceu o Parque do Seu Zézé.  

Os natais fora de época de São Cristóvão, realizado nas décadas de 70, 80 e 90 do século passado, movimentavam o comércio. Junto com parque de Sr. Zezé, migravam os vendedores de bala, brinquedos, jogos de azar, tiro-ao-alvo, etc. O famoso empreendimento atravessou décadas fazendo a alegria do povo. Tornou-se evento fixo do calendário local, bastava calcular: no dia 25 de dezembro parque estava no centro histórico, nas semanas seguintes perfazia uma sequência de povoados e bairros (1º Ripiada; 2º Avenida, 3º Apicum, 4º. Pedreiras, etc). No lugar onde estivesse o parque era Natal. Parque do Seu Zézé era sinônimo de Natal. 

Em fins dos anos 90, com idade avançada, o Sr. Zézé do Parque foi aconselhado a parar os brinquedos que faziam a alegria de todos. Doravante, sua presença despertava na comunidade misto de nostalgia e alegria provocada por sua presença iluminada e cativante. Elielton Dias, filho do saudoso Zézé do Parque, resumiu a vida do genitor: 

“Em São Cristóvão ele se casou, constituiu família e acabou adotando a cidade no seu coração. Na sua trajetória de convivência nesta terra, foi fiel as suas grandes amizades. Mas o que lhe fazia feliz era tá no meio da criançada e vê-las felizes. Durante muitos anos foi o responsável pelas festas na cidade mas o maior destaque sempre foi a realização das festas natalinas que marcaram a infância das crianças das décadas de 60, 70, 80 e 90. Era um apaixonado pela Velha Cap, sempre presente em todos eventos marcantes, no esporte (torcedor do Independente), gostava de política, festejos carnavalescos, juninos e natalinos,  que era a sua maior paixão”.

Zézé do Parque faleceu no Hospital Primavera, em Aracaju, na manhã de 25 de maio de 2009. 

 

 *Texto publicado no Jornal do Dia. Aracaju, 11 de abril de 2026.

 


 

FONTES DE PESQUISA

Entrevista de José Carmo Dias (Sr. Zézé do Parque) a Thiago Fragata. São Cristóvão, 15 de abril de 2008; Depoimento de Elielton Dias, no sétimo aniversário de morte do pai, José Carmo Dias (Sr. Zézé do Parque). Aracaju, 25 de maio de 2016.

 


 

 

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