sábado, 29 de dezembro de 2018

SÃO CRISTÓVÃO E O LEGADO HOLANDÊS (1637-1654)


        Brasão do Sergipe holandês

Por Thiago Fragata*

A ocupação holandesa no território de Sergipe D’el Rey, última capitania fundada no século XVI, estendeu-se de 1637 até 1645, somando 8 anos. Reconstituir essa parte da História de Sergipe é tarefa inconclusa dos historiadores. Juntemos alguns lances, na esperança de contribuir para uma maior compreensão desse intrigante momento histórico que teve a Capitania de Sergipe D’El Rey como cenário de uma longa guerra de guerrilhas. Infelizmente, a invasão não poupou documentos retratando a produção e a organização político-social alcançada nas 4 décadas de colonização do território, especialmente em São Cristóvão, sede administrativa. Por isso, boa parte do que conhecemos foi resenhado pelos cronistas do século XIX, que recorreram à memória traumática do episódio, contada e recontada, de geração a geração. Ocorre que a memória é seletiva, voluntária e involuntária, individual e coletiva, reservando armadilhas aos que desejam inteligibilidade e coerência. O memorialista sancristovense Serafim Santiago, por exemplo, escreveu uma narrativa vibrante, sentimental, a partir da realidade vivenciada em fins do século XIX e início do XX. Ele repete por diversas vezes que a Igreja Matriz dedicada a Nossa Senhora da Vitória, padroeira da cidade, é a “Matriz dos holandeses”. Explicar tal designação ou essa herança holandesa constitui o meu objetivo. (Continua


Igreja de Nossa Senhora da Vitória; Foto: Tito Garcez
Artigo completo no Jornal Tribuna Sergipe Del Rey, edição de dezembro 2018. Assine com Edcarla Soraia, mande email: edsoraia@gmail.com 
OBS: você pode receber qualquer artigo de Thiago Fragata em PDF mediante pagamento de taxa de serviço R$ 30,00. Mande recibo para e-mail: thiagofragata@gmail.com  


quarta-feira, 24 de outubro de 2018

GREGÓRIO DE MATOS GUERRA EM SÃO CRISTÓVÃO (1693)



Thiago Fragata*

A literatura barroca do século XVII tem Gregório de Matos Guerra (1636/1695) como representante na seara da poesia. O artista baiano gerou polêmica com sua produção, dessa forma foi mais odiado que amado por todos que faziam a sociedade, especialmente os representantes da igreja e do Estado. O “Boca do Inferno”, como apelidado pelos desafetos, foi excomungado, exilado, enfim, perseguido em razão das ofensas e/ou atitudes. Ele esteve em São Cristóvão, “a Cidade de Sergipe D'El Rey”, por volta de 1693, antes de viajar para o degredo na África. Foi no trabalho do historiador Luiz Mott, intitulado “três sonetos seiscentistas”, que tomei conhecimento dos versos satíricos que Gregório de Matos Guerra dedicou a urbe sergipana. (CONTINUA)

Artigo completo no Jornal Tribuna Sergipe Del Rey, edição de outubro. 

Assine com Edcarla Soraia, mande email: edsoraia@gmail.com

Já foram publicados:
JORGE AMADO EM SÃO CRISTÓVÃO
SAVAGET EM SÃO CRISTÓVÃO
IRMÃ DULCE EM SÃO CRISTÓVÃO
D. PEDRO II EM SÃO CRISTÓVÃO
CÂMARA CASCUDO EM SÃO CRISTÓVÃO


OBS: você pode receber qualquer texto em PDF mediante pagamento de taxa de serviço R$ 30,00. Mande recibo para e-mail: thiagofragata@gmail.com  

terça-feira, 27 de março de 2018

CLUBE DE LEITURA QUE ESTAVA FALTANDO EM SÃO CRISTÓVÃO

UNIÃO POR UMA CIDADE LEITORA
O brasileiro lê pouco, cerca de 4 livros/ano  conforme dados da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil em 2016. O dado é vergonhoso. Precisamos fazer algo para mudar essa triste realidade. A Academia Sancristovense de Letras (ASCLE), em parceria com a Fundação Municipal de Cultura e Turismo João Bebe-Água e a Secretaria Municipal de Educação, ambas da Prefeitura Municipal de São Cristóvão, e a Rádio Nova 106 FM, realizará durante todo o ano de 2018, a começar pelo mês de ABRIL, o Clube de Leitura São Cristóvão. 

COMO VAI FUNCIONAR?
A proposta do Clube de Leitura São Cristóvão é incentivar a leitura de 1 livro por mês, sendo que em 2 oportunidades convidará os leitores para um encontro para tratar da obra. Primeiro será uma Roda de leitura na Biblioteca Pública Senador Lourival Baptista, centro histórico de São Cristóvão, o que acontecerá ao final da primeira quinzena, entre os dias 15 e 17. Segundo, ao final do mês, entre os dias 29 e 31, será realizado o Encontro com o Escritor, um bate-papo com a personagem principal do livro, um desconhecido para maioria dos leitores.    


O LIVRO RECOMENDADO PARA O MÊS DE ABRIL É


À MARGEM DO RIO
AUTOR: SILVÉRIO VIEIRA DANTAS 
ANO: 2015

DESEJA PARTICIPAR?
Interessados em participar do Clube de Leitura já pode pegar o livro emprestado na Biblioteca Pública Municipal Senador Lourival Baptista, centro histórico de São Cristóvão. Mas se preferir, pode comprar o seu exemplar por R$ 15,00. Contato (79) 9609-6788

sexta-feira, 16 de março de 2018

CONSULTA PÚBLICA DA PRAÇA SÃO FRANCISCO


O Comitê Gestor da Praça São Francisco, único patrimônio cultural sergipano a receber reconhecimento da UNESCO, realizará uma Consulta Pública na quarta-feira (21/3), às 19 horas, na Igreja Santa Isabel, localizada na referida praça do centro histórico de São Cristóvão. Este comitê é uma agremiação mista composta por representantes da comunidade, do comercio, do governo municipal, estadual e federal. Criado em 2014, por recomendação da UNESCO, o grupo pretende ouvir a comunidade, especialmente moradores do centro histórico, e assim coletar informações para finalizar um Plano de Gestão. A meta é, portanto, cumprir esta exigência. E, para fomentar interação com o povo e com os turistas, haverá uma tenda armada na praça durante o dia. 

Vale opinar, reclamar, sugerir. 
Agende e participe!  

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

RODA DE LEITURA E LEMBRANÇAS DO CARNAVAL DE SÃO CRISTÓVÃO


O QUÊ?

A Academia Sancristovense de Letras realizará uma Roda de Leitura e Lembranças do Carnaval de São Cristóvão. Evento objetiva gravar depoimentos e fazer leitura de documentos sobre os festejos de Carnaval do "tempo das fábricas" (1913/1980). 
Convidados especiais: Jorge do Estandarte e Lúcio Batista Silva. 

ONDE?
Na Biblioteca Pública Municipal Lourival Baptista, na Praça São Francisco, centro histórico de São Cristóvão. 

QUANDO?
                           O evento vai acontecer na terça, 6/2, a partir das 9 horas
                                                                  Agende e prestigie!

Jorge do Estandarte
Lucio Batista Silva

APOIO:
Fundação Municipal de Cultura e Turismo João Bebe-Água - FUNDACT 
Prefeitura Municipal de São Cristóvão - PMSC
Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN 

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

FLÔ - O ETERNO PIERRÔ


Flô, detalhe de uma foto de Gladston Barroso 2012.
Pierrô e Colombina são personagens da comédia francesa do século XVI, que do teatro Commedia D’Art e foram incorporados ao Carnaval. Ambos ostentam indumentárias até hoje cobiçadas como fantasias da festa. Em 2018 o Carnaval dos Carnavais de São Cristóvão homenageará Florivaldo Costa Pereira, popular Flô, um eterno pierrô. Portador de irreverência e simpatia irradiante, sua comicidade aumentava no período do Carnaval quando travestido na fantasia que elaborava pulava em todos os blocos possíveis. Nunca foi o folião de um bloco só, seu irmão Gevaldo confirma que ele “nem gostava de blocos mas gostava de Carnaval”.

Flô nasceu em Laranjeiras, cidade (impossível evitar o trocadilho!), no dia 28 de julho de 1940. Chegou menino em São Cristóvão, tinha 7 anos, na companhia do pai Antonio, da mãe Alzira e dos irmãos Gevaldo, Eurides, Selmira e Maria das Dores. O pai decidiu mudar em razão de uma promessa de emprego na Fábrica de Tecidos São Gonçalo. Moraram na Rua do Rosário, n. 240. Flô começou a trabalhar cedo para ajudar a família; enquanto o pai pelejava com a barbearia e o emprego de porteiro da fábrica o jovem fazia pequenos serviços. O aprendizado conquistado no Grupo Escolar Vigário Barroso seria muito útil na vida. Da ajuda frequente ao marceneiro Hermes Pereira, tornou-se aprendiz no ofício. Um dia o marceneiro Flô montou a própria oficina, primeiro nas dependências da Igreja do Amparo, depois na Praça Lourival Baptista.

Não foi numa matinê de Carnaval que o amor apareceu na vida do jovem Florivaldo, mas diante da casa. O nome da Colombina - para lembrar o par romântico do pierrô da comédia francesa -, era Ivanete Paiva Pereira, filha do popular Dandão. A conversa de calçada virou namoro de sala por 12 anos, casamento por 38 anos, o que soma 50 anos de um relacionamento dourado (bodas de ouro!) e duradouro (até que a morte os separe!).

De outras experiências que a vida proporcionou em São Cristóvão, o jovem Flô trabalhou como operário da Fábrica Textil São Gonçalo S. A. (1958/1961), foi negociante e cumpriu mandato de vereador (1970/1972). Chegou a Câmara Municipal de Vereadores pela legenda da Aliança Renovadora Nacional (ARENA), na eleição de 15 de novembro de 1970, compondo com o prefeito Paulo da Farmácia, por coincidência o tio do saudoso José Correia Santos Neto (1962/2008), o Zezinho da Everest, cujo mandato de prefeito teve o mérito de reconfigurar o Carnaval dos Carnavais em 2005.

Durante longos anos, Flô destacou-se como folião animado do Carnaval de São Cristóvão. Dizia e insistia que “marchinha era a verdadeira música do carnaval”, que “não tinha graça Carnaval sem fantasia” por isso é que surpreendia a todos com a irreverência de suas criações. Fantasia para Flô era coisa séria, elas tematizavam questões de interesse nacional ou de conhecimento geral. Exemplos: Flô saiu vestido num avião em 2006, era centenário do voo do 14 Bis, obra do brasileiro Santos Dummont; em 2008, Flô saiu de navio, completava 20 anos do naufrágio do Bateau Mouch sem indenização das vítimas; em 2010,  Flô saiu de tartaruga marinha, naquela ano foi dado alerta máximo do risco de extinção da espécie marinha.  Por tudo o que fez, seu nome ficará na memória sancristovense.

Flô é, sempre será, o eterno pierrô do Carnaval de São Cristóvão. Florivaldo Costa Pereia faleceu no dia 24 de abril de 2017, tinha recebido no carnaval uma comovente homenagem do tradicional Bloco Piranhas, do Apicum Mérem. Flô vive em seus filhos Franklin Paiva Pereira e Ingrid Paiva Pereira Ramos. Na poesia de cordel de Alda Cruz, folheto “São Cristóvão e os antigos Carnavais”, anotei a quadra:

O segundo folião
Era o querido Flô
Um eterno carnavalesco
Um eterno Pierrô
A marcha do carnaval
Ôôôôôôôô Aurora era o ideal
Com apartamento e elevador.


*Historiador e poeta. Presidente da Academia Sancristovense de Letras (ASCLE) e sócio do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe (IHGSE). Email: thiagofragata@gmail.com
FONTES DA PESQUISA
Entrevista de Thiago Fragata com Gevaldo Costa Pereira. São Cristóvão, 15 de janeiro 2018.  
Entrevista de Thiago Fragata com Ivanete Paiva Pereira. São Cristóvão, 12 de janeiro 2018.
CRUZ, Alda. São Cristóvão e os antigos Carnavais. São Cristóvão, 2017. (Literatura de cordel)



Artigo publicado no Tribuna Sergipe D'El Rey. São Cristóvão, março 2017, p. 3.

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

JOSÉ AUGUSTO GARCEZ: LITEROATIVO




Thiago Fragata*

Ele nasceu em São Cristóvão no dia 19 de agosto de 1918. Poeta, historiador, antiquário, um dinâmico agente cultural criador do Movimento Cultural de Sergipe responsável pela publicação 54 livros; articulador do programa Panorama Cultural de Sergipe, da Rádio Difusora PRJ-6. José Augusto Garcez é considerado “Pai da Museologia Sergipana” pois criou um museu particular a época que o Estado era totalmente omisso quanto a importância do patrimônio cultural na formação de um povo.

Confira texto integral no Tribuna Sergipe D'El Rey, edição de dezembro 2017!
Assine com Edcarla Soraya (79) 98822-0757