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| Zézé do Parque |
Thiago Fragata*
Quem foi criança, em São Cristóvão, entre 1970 e 1990 lembra de Zézé do Parque ou do Parque de Seu Zézé. Por falar em criança, ele nasceu no dia 12 de outubro, na cidade de Lagarto, em 1918. Ao longo da vida, recebeu apelidos relacionados as atividades laborais, por isso foi Zézé da Barbearia, Zézé dos Fogos e morreu Zézé do Parque. Em meados da década de 1970, o Sr. Zézé inaugurou na ex-capital o natal fora-de-época! Todos sabem dos carnavais fora-de-época, as micaretas, mas quem já ouviu falar de natal fora-de-época? Entrevistei o Sr. Zézé do Parque em abril de 2008 tentando resposta...
De início, o ancião informou que a ideia não foi dele, conheceu menino na sua terra natal, Lagarto. Fato: natais ocorrem na cidade de Lagarto até hoje! Assim que chegou na cidade histórica, no ano de 1948, ele montou barbearia no mercado. Era amigo de Zé Goiaba, exímio ferreiro que fez uns barquinhos de ferro para funcionar na época das festas tradicionais do calendário: natal, Semana Santa, São João, etc. Já comercializa fogos quando fez a proposta de compra dos barquinhos aos filhos do amigo falecido. Adquiriu os brinquedos e num incentivo do prefeito Credivaldo Oliveira Santos (1973/1975) montou a programação dos natais fora-de-época. A partir de 1973 o evento passou a ter a seguinte formato, durante os meses de dezembro até meados de fevereiro, todo fim de semana ocorria um natal num povoado diferente; como a cidade tem mais de quarenta povoados o festejo perpassava os dias de carnaval! O sucesso estimulou a encomenda das cadeirinhas e dos cavalinhos de ferro. Assim nasceu o Parque do Seu Zézé.
Os natais fora de época de São Cristóvão, realizado nas décadas de 70, 80 e 90 do século passado, movimentavam o comércio. Junto com parque de Sr. Zezé, migravam os vendedores de bala, brinquedos, jogos de azar, tiro-ao-alvo, etc. O famoso empreendimento atravessou décadas fazendo a alegria do povo. Tornou-se evento fixo do calendário local, bastava calcular: no dia 25 de dezembro parque estava no centro histórico, nas semanas seguintes perfazia uma sequência de povoados e bairros (1º Ripiada; 2º Avenida, 3º Apicum, 4º. Pedreiras, etc). No lugar onde estivesse o parque era Natal. Parque do Seu Zézé era sinônimo de Natal.
Em fins dos anos 90, com idade avançada, o Sr. Zézé do Parque foi aconselhado a parar os brinquedos que faziam a alegria de todos. Doravante, sua presença despertava na comunidade misto de nostalgia e alegria provocada por sua presença iluminada e cativante. Elielton Dias, filho do saudoso Zézé do Parque, resumiu a vida do genitor:
“Em São Cristóvão ele se casou, constituiu família e acabou adotando a cidade no seu coração. Na sua trajetória de convivência nesta terra, foi fiel as suas grandes amizades. Mas o que lhe fazia feliz era tá no meio da criançada e vê-las felizes. Durante muitos anos foi o responsável pelas festas na cidade mas o maior destaque sempre foi a realização das festas natalinas que marcaram a infância das crianças das décadas de 60, 70, 80 e 90. Era um apaixonado pela Velha Cap, sempre presente em todos eventos marcantes, no esporte (torcedor do Independente), gostava de política, festejos carnavalescos, juninos e natalinos, que era a sua maior paixão”.
Zézé do Parque faleceu no Hospital Primavera, em Aracaju, na manhã de 25 de maio de 2009.
*Texto publicado no Jornal do Dia. Aracaju, 11 de abril de 2026.
FONTES DE PESQUISA
Entrevista de José Carmo Dias (Sr. Zézé do Parque) a Thiago Fragata. São Cristóvão, 15 de abril de 2008; Depoimento de Elielton Dias, no sétimo aniversário de morte do pai, José Carmo Dias (Sr. Zézé do Parque). Aracaju, 25 de maio de 2016.
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