Por Gilfrancisco*
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Esse nome significa
de um grande intelectual que votou toda a sua vida ao estudo,
especializando-se nos assuntos econômicos em que se faz mestre dos mais
notáveis. Manoel Curvello de Mendonça (1870-1914), defensor erudito e
interessado nos problemas que dizem respeito ao Brasil, apagando-se da vida
esse grande espírito, não podemos deixar de tributar a devida homenagem ao
eminente publicista sergipano, que abriu enorme vácuo na legião dos abnegados
defensores dos interesses nacionais.
Jornalista
vigoroso duma ilustração criteriosa e assentada na solidez de profundo estudos,
tendo acima de tudo uma finíssima arte de observação e análise. É extraordinário
o seu amor e interesse por todos os assuntos nacionais, pelos quais mais se
devota a sua incansável atividade de publicista. Trabalhador honesto que nunca
descansou na missão de que se achava encarregado.
O REPUBLICANO
O
Republicano foi um importante veículo de propaganda durante o período do
movimento republicano em Sergipe, no final do século XIX e início do XX,
atuando junto ao Clube Republicano local para agitar a ideia da República e
influenciar a elite intelectual e política da região: Ano I, nº 1, Laranjeiras,
11 de novembro de 1888 - órgão do
Partido Republicano, distribuição gratuita. Quatro páginas numeradas e três
colunas. Impresso na Tipografia do Laranjeirense. Trazia o seguinte aviso na
página principal:
Encetamos hoje a publicação do órgão republicano.
Até dezembro próximo a distribuição será gratuita, passando de janeiro em
diante a fazer-se as assinaturas, quando o jornal aumentará o formato.
Prevenimos, pois, aos ilustres cidadãos que aceitarem os números deste jornal
até essa data, serão considerados assinantes.
A
partir da edição de 1º de janeiro de 1889, aparece na primeira página do jornal
o corpo redacional:
Silvio Romero, João Ribeiro, Lima Junior,
Martins Junior, José Leandro, Virgílio de Lemos, Moreira Guimarães, Leonidio Porto,
Evaristo de Moraes, Josino Menezes, Dr. O. Dantas, Nolasco, Coriolano, Tupy e
Ratcliff. Redator Chefe, Felisbello Freire. Proprietário e Diretor: Joaquim
Anastácio de Menezes. Da Corte colaboravam vários republicanos, jornalistas e políticos:
Lopes Trovão, Silva Jardim, José Bonifácio, Evaristo de Moraes, Virgílio de
Lemos, Alberto Sales (1) e outros.
Colaboração
de Manoel Curvello de Mendonça, no jornal A República: A República em Sergipe, Ano I, nº3 – 21 de novembro de 1888
(pseudônimo, Luckner); Pela República.
Ano I, - 6 de janeiro de 1889. (pseudônimo Luckner); A conferência do dr. Homero Dantas. Ano I, nº 10, 13 de janeiro de
1889 (pseudônimo Luckner); Depois da
Abolição a Escravidão. Ano I, nº 13,3 de fevereiro de 1889. (pseudônimo
Luckner); Horácio Hora. nº 151, 1º de junho de 1890. (M. C. de
Mendonça); Correspondência de
Pernambuco. nº 88, 28 de abril de 1891. (M. C. de Mendonça).
BREVE TRAJETÓRIA
Manoel
Curvello de Mendonça, Filho de Antônio Curvello de Mendonça (1850-1914),
agricultor (2) e D. Bárbara de Mendonça. Nascido a 29 de julho de 1870 no engenho Quintas de propriedade da família, no povoado de Riachuelo, Sergipe. (3)
O casal teve vários filhos, alguns como: Cecília, Anna, Amélia, Débora,
Antonina, Abigail e Geonísio (Curvello de Mendonça n. 1877). Criado e educado
na próspera cidade de Laranjeiras, distante aproximadamente duas léguas de
Riachuelo, fez seus estudos complementares, inclusive os exames preparatórios
no Atheneu Sergipense que teve início a partir de 5 de novembro de 1889, nas
disciplinas História, Retórica e Filosofia, informa A Reforma, nº159, 7 de
novembro de 1889.
Vejamos
o que diz sobre o aluno Curvello de Mendonça, o republicano Baltazar de Araújo
Goes (1853-1913), diretor do Liceu Laranjeirense:
É de ótima índole ne inteligência bem clara e bem
aplica ao cultivo das letras.
Estudou a maior parte de seus preparatórios na
cidade de Laranjeiras, no Colégio Liceu Laranjeirense, começando em 1883. Seu
grande aproveitamento, provado por seus exames, foi resultado da boa aplicação
de sua inteligência. (4)
O Liceu Laranjeirense fundado em 1882, instituição
particular dirigido pelo professor Balthazar de Araújo Goes, figura de destaque
no movimento republicano provincial, sendo um dos integrantes da Junta
Provisória que assumiu o governo de Sergipe quando da Proclamação da República.
Eficiente no ensino secundário, o Liceu Laranjeirense, conseguiu um corpo de
excelentes professores, sendo alguns deste, mestres consagrados do Atheneu
Sergipense. Sua criação veio suprir a deficiência da Região, para atender aos
reclames dos senhores de engenho ou usineiros, desejosos por uma educação
primorosa para seus filhos.
Portanto, o Liceu era considerado o mais importante centro
educacional da província, de onde saíram jovens alunos, que se destacaram na
vida pública, ingressando em seguida às melhores Faculdades e Academias de
Letras, ciências e militares do país. Muitos desses alunos como Laudelino
Freire, Arthur Moreira, João Barroso, Antônio Dantas, Samuel de Oliveira e o
próprio Manoel Curvello de Mendonça.
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Fundada em 1605, Laranjeiras é a segunda cidade mais antiga
de Sergipe. Em 6 de fevereiro de 1835, elevada a freguesia, ficou desmembrada
de N. S. do Socorro da Cotiguiba. Laranjeiras no século XIX fazia parte de uma
região com grande poder econômico. Era grande produtora de mandioca e coco, mas
tinha na indústria açucareira sua principal fonte de renda. Só não se tornou a
capital de Sergipe por conta de manobras políticas, dos partidos liberal e
conservador.
É uma das poucas cidades onde se pode
ver a força da arquitetura colonial: ruas, casarios, igrejas, tudo respira a
mais pura história. Berço da cultura e da propaganda republicana, educação,
política e da economia sergipana, a cidade era denominada como a “Atenas
Sergipana”
No
artigo “Uma fase histórica de Laranjeiras”, escrito por Curvello de Mendonça,
publicado no Almanack Sergipano para o ano de 1899, diz o seguinte:
Era
uma cidade afamada. Os médicos buscavam-na para centro de sua clínica, os
advogados encontravam nela o foro mais ativo e rendoso da Província;
finalmente, as classes industriais ai viam o melhor mercado para os seus
produtos, nessa feira laranjeirense dos dias de sábado, notabilíssima pela
abundância e variedades de gêneros, pela convivência de pessoas e atividade
comercial que desenvolviam.
O
jovem Curvello de Mendonça segue para Pernambuco e se matricula na Faculdade de
Direito do Recife, onde recebe o grau de bacharel em ciências jurídicas e
sociais, em dezembro de 1892. No ano seguinte, registra O Republicano de 2 de
fevereiro, nº 58, chegada ao porto de Aracaju:
Na
companhia do digno cidadão Manoel Curvello de Mendonça, sra. Ana Curvello
Freire, vistosa consorte do governador deste Estado, seus inocentes filhinhos,
sua irmã, a exma. Sra. D. Estaquia Curvello e a menina Maria Curvello, filha
deste.
Curvello permanece alguns dias em Aracaju com seus
familiares e retorna à Recife no vapor Jacuípe, chegando a esta cidade em 13 de
março de 1890. Curvello cursa o primeiro ano na Faculdade de Direito,
plenamente. Neste mesmo ano, informa A Província, do Recife de 15 de outubro,
que o Círculo dos Estudantes Católicos de Pernambuco, efetuou a eleição de sua
diretoria, sendo escolhido como 1º Orador, o acadêmico Manoel Curvello de
Mendonça. Em 16 de dezembro do corrente, registra O Republicano nº 310, a
chegada em Aracaju, do paquete Jaboatão, procedente do Recife, tendo saído a 10
de dezembro:
No
Jaboatão chegou a esta capital o talentoso moço sergipano Manoel Curvello de
Mendonça, filho de nosso prezado amigo Antônio Curvello de Mendonça.
Estimando-o
pelo que mostra de sisudez e revela de inteligência, abraçamo-lo afetuosamente.
Registra O
Republicano, de Laranjeiras, que:
Publicamos
hoje a primeira correspondência do Recife. Traçou-o o acadêmico Manoel Curvello
de Mendonça. Nosso particular amigo, e conterrâneo, que naquela capital vai
fazendo com vantagem os seus primeiros ensaios jornalísticos nas colunas da Era
Nova, de cuja redação faz parte. (5)
O ACADÊMICO DE DIREITO
A
Faculdade de Direito do Recife, foi criada em 11 de agosto de 1817 por decreto
de D. Pedro I, originalmente instalada no Mosteiro de São Bento, em Olinda,
antes de se transferir para a capital pernambucana em 1854. É uma das
instituições de ensino superior mais antiga do Brasil, fundamental para o
Direito e berço da “Escola do Recife”.
Entre
1890 e 1892, período em que Manoel Curvello de Mendonça conclui o curso, a
Faculdade de Direito do Recife foi um caldeirão de efervescência política logo
após a Proclamação da República, marcado por intenso debate intelectual e
conflitos ideológicos. Estudantes e professores participaram de agitações
ligadas à construção do novo regime, enfrentando tensões entre correntes
positivistas, liberais e federalistas, além de participar de debates sobre as
lutas operárias na região. Vejamos:
Os estudantes de Direito, reunidos em uma das salas
da Faculdade, aprovaram a modificação feita no telegrama expedido ao Presidente
da República publicado ontem pelo Jornal do Recife.
O telegrama expedido é conhecido nos seguintes
termos:
Presidente
Republica. Rio
Mocidade acadêmica
reunida protesta demissão Dr. Seabra. Confia vossa dedicação patriotismo
conservação dele, pugnando moralidade ensino, boa direção trabalhos Acadêmicos.
Aguarda Vossa decisão., - Academia Recife.
Depois trataram da agressão brutal feita a
um colega pelo subdelegado e comissário de polícia de Boavista, resolveram
esperar dois dias pelo cumprimento das promessas dos cidadãos Governador e
Chefe de Polícia, cônscios de que esses representantes do poder público
procederão com justiça. (6)
O grave incidente, foi bastante divulgado
na impressa, não somente local, alcançou outros estados do nordeste. A
Província, publicou o manifesto assinado por 141 alunos da Faculdade de
Direito, protestando contra a prisão e demissão do Dr. J. J. Seabra, lente da
mesma Faculdade. (7)
A famosa relação dos Ex-alunos notáveis
(1832-2007), aqueles que desempenharam papeis fundamentais na história
política, intelectual e artística do Brasil, o nome de Manoel Curvello de
Mendonça foi excluído. Sinal de que a própria instituição, desconhece totalmente
a participação desse arguto republicano socialista que pensava o Brasil em suas
grandes dimensões.
NOVOS INFORMES DA IMPRENSA
Reuniram-se ontem, em uma das salas da Faculdade, muitos
alunos dos respectivos cursos com o fim de deliberar sobre uma representação em
que se pedisse ao Governo Federal a permanência ao Dr. J. J. Seabra no cargo de
diretor da Faculdade.
Chegando, porém, ao conhecimento dos manifestantes que os
jornais da manhã haviam noticiado constar que o Governador manteria os atuais
diretores das faculdades jurídicas, foi então nomeada uma comissão, composta
dos Srs. Junqueira, Américo Velozo, Cunha Valle, Câncio e Argollo, para
inteirar o Dr. Seabra dos intuitos da reunião e felicita-lo pela nova resolução
de governo.
Constando também, por essa ocasião achar-se enfermo, em
Caxangá, o lente aposentado Dr. Francisco Pinto Pessoa, resolveram os Srs.
Acadêmicos designar os seus colegas Tourinho, Chaves e Santiago para irem
visitar o seu antigo mestre e presentear-lhe protestos de consideração por
parte do corpo acadêmico. (8)
Em 20
abril de 1891 com outros quinze companheiros, Curvello de Mendonça assina em
Caxangá o manifesto “Ao País”, que expunha a sua insatisfação ao governo do
marechal Deodoro da Fonseca, que governou como presidente provisório e, após
eleição indireta, constitucional até 23 de novembro de 1891, quando renunciou. (9)
O SONHO REPUBLICANO NA CORTE
Em
1892 Mendonça encontra-se no 5º ano cursando as seguintes disciplinas na
Faculdade de Direito de Pernambuco: Economia, Administrativo, Processo e
Prática. No ano seguinte, Curvello fixa residência no Rio de Janeiro onde
abraça a carreira do magistério e da imprensa. Muito moço foi nomeado chefe de
seção da Intendência Municipal do Distrito Federal, em seguida é contemplado
com uma nomeação em 1894, lente de direito mercantil e economia política, além
de assumir a direção do Instituto Comercial. (10)
Criado
como parte da reforma educacional do início da República o Pedagogium,
importante Museu Pedagógico Nacional fundado no Rio de Janeiro em 1890/1919,
durante a República Velha, atuando como um centro de modernização educacional
que expunha materiais inovadores, métodos de ensino e até o primeiro
laboratório de psicologia experimental do Brasil. Boa parte do quadro docente do Museu também
atuava no Instituto Comercial do Rio de Janeiro, era o caso dos professores
Manoel Curvello de Mendonça, professor de Economia política no Pedagoguim e
diretor e professor do Instituto Comercial; Sebastião Edmundo Marinho e Silva,
professor de História Natural; Luiz Carlos Zamith, professor de Matemática;
Antônio Tavares da Costa, professor de Escrituração mercantil; Francolino
Cameu, professor de Estenografia; Luiz Pedro Drago, professor de Matemática e
Jasper Lafayett, professor de inglês (Almanaque Laemmert, 1895).
SOCIEDADE UNIÃO AGRÍCOLA
Em
1901, a Sociedade Agrária da cidade de Laranjeiras, presidida por Antônio
Curvello de Mendonça, pai do jornalista Manoel Curvello de Mendonça, participa
do Congresso de Agricultura no Rio de Janeiro. Em ofício (11) dirigido ao
presidente do Congresso, louva na patriótica iniciativa dos seus organizadores,
e apresenta como seu delegado o Dr. Manoel Curvello de Mendonça. Segundo o
deputado federal por Sergipe, Fausto Cardoso (1864-1906), em discurso publicado
no Diário Oficial de 8 de outubro de 1901 (Anais da Câmara) afirma ter recebido
em 18 de junho, um telegrama circular da União Agrícola, de Laranjeiras:
Laranjeiras, 18
de junho de 1901, - Deputado Fausto Cardoso – Rio – Solicitamos representação
Sergipe adquira auxilio lavoura Estado ameaçado ruina afim atravessar crise
atual. – Diretoria União Agrícola.
Em 20
do mês, sobre o mesmo assunto O Estado de Sergipe, órgão do Governo,
reconhecendo a crise enfrentada pelos agricultores da região, diz o seguinte:
A digna
diretoria da Sociedade União Agrícola da cidade de Laranjeiras, não tendo meio
para conjugar a crise cruel por que está passando a depauperada agricultura do
Estado, deliberou dirigir-se por telegrama aos exms. representantes do mesmo,
no Senado e na Câmara, solicitando-lhes adquirissem os auxílios de que
urgentemente necessita a referida agricultura.
Além disso,
trouxe o seu alvitre ao conhecimento de S. Ex., o sr. Presidente do Estado,
pedindo-lhe que com a valiosa influência de que dispõe entre os amigos da
capital Federal, nas duas casas do Congresso, ampare e secundo a sua
solicitação, dirigindo-se aos mesmos.
Fazemos os mais
calorosos votos para que sejam coroados dos mais lisonjeiros resultados os
intuitos da honrada e patriótica associação laranjeirense.
NOVAS PUBLICAÇÕES
Em 1896, Curvello publica “A Construção no
Brasil” na Revista do Instituto Didático, nº4, Ano I (publicação mensal), Rio
de Janeiro, cujo redatores eram Duque-Estrada (1870-1927) e Laudelino Freire
(1873-1937). (12) Em junho de 1904 foi lançado o semanário O Subúrbio,
destinado a defender os interesses do povo, cujo proprietário J. Vigier &
C., tem como diretor Américo de Albuquerque e um corpo de redação, do qual
fazem parte, entre outros Fábio Luz, Vital Fontenelle, Silva Nunes. Entre os
colaboradores estão Curvello de Mendonça, Guimarães Passos, Eliza Scheld, Lima
Campos. Pedro Couto, Luiz Muriat, Cândido Jucá e outros. O conteúdo dos artigos
do mais palpitante interesse para a zona suburbana.
Curvello nutria uma grande admiração pelo jornalista republicano
e colaborador do jornal O Republicano, Silva Jardim (1860-1891), advogado e
ativista, orador inflamado nos comícios, defendia uma republica popular, mas
foi marginalizado após sua proclamação. Motivado por sua retórica, publica nos Anais,
nº78, Rio de Janeiro, em 1906 o ensaio “A Morte de Silva Jardim”.
Em 7
de dezembro de 1907, na qualidade de delegado, emissário do governo federal
encarregado de promover a representação de alguns Estados do Norte, a Exposição
Nacional de 1908, Mendonça realiza conferência no palacete da Phenix Caxeiral
(Ceará), propagando a realização da futura Exposição no Rio de Janeiro.
Entre
os anos de 1906 e 1908, Curvelho de Mendonça publica na Revista Agrícola, órgão
da Sociedade Sergipana de Agricultora, vários artigos: Aspectos Econômicos (15 de dezembro, 1906); A
crise do Açúcar (15 de setembro, 1906); Notícias Diversas (15. Setembro, 1906);
Notícias Diversas (15, dezembro, 1906) e Notícias Diversas (1º, agosto, 1908).
Em maio de 1909, a Sociedade União dos Empregados no
Comércio do Rio de Janeiro, promoveu algumas conferências públicas, realizada
no Museu Comercial. O título da conferência de Curvello, foi “O Comércio e a
escravidão econômica. Foram muitas as conferências realizadas por Curvello,
durante a sua trajetória de publicista. Dois anos depois, em 28 de setembro encontra-se
em Campos (RJ), realizando mais uma conferência açucareira. Em outubro desse
ano, classifica-se em 1º lugar, para o cargo de Redator dos Debates da Câmara
Federal.
A realização da 4ª Conferência Açucareira de setembro de
1911, em Campos (RJ), contou com a presença de Sergipe, com os seguintes
representantes: coronel Antônio Curvello de Mendonça, Antônio do Prado Franco
(1880) e coronel Gonçalo de Faro Rollemberg (1860-1927).
Em 1912, o professor Manoel Curvello de Mendonça foi nomeado
para a cadeira de economia nacional, história da indústria contemporânea da
Escola Normal, registra o Correio da Manhã de 13 de maio. No início do ano de
1913 a Sociedade Mineira de Agricultura, promove a realização em sua sede, uma
série de conferências públicas, sobre teses agrícolas, em continuação a série
iniciada pelo Dr. Carlos Botelho. As duas primeiras conferências foram feitas
pelo Drs. Assis Brasil e Curvello de Mendonça. Finalmente, teve seu nome
indicado pela diretoria do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe, como
sócio correspondente.
Em 1913 o governo de São Paulo, para comemorar o fato
notável da inauguração das obras de saneamento da cidade de Santos, publicou um
Álbum, cheio de finíssimas gravuras relativas aos melhoramentos realizados na
bela cidade marítima.
No
Álbum encontra-se além de outros trabalhos, um primoroso texto de Curvello de
Mendonça, sob o título “Princesa dos Mares”. Este texto, havia sido publicado
em sua coluna d’ O País, (a folha de maior tiragem e de maior circulação na
América do Sul) na edição de nº 10.067, de 29 de abril de 1912.
A
ENFERMIDADE
Informa
O País em edição de 4 de dezembro de 1913, que Manoel Curvello de Mendonça,
achava-se restabelecido da enfermidade de que fora acometido. Mas, na verdade o
jornalista sergipano continuava muito abatido e consumido pela grave doença.
Afastado do jornal, seu último artigo publicado na primeira coluna, “Os
Pequenos Mercados”, edição nº10595, de 10 de outubro de 1913, cuja coluna
passou a ser assinada por vários escritores, políticos e jornalistas: Gilberto
Amado, Alcides Maya, Floriano Britto, Isabella Nelson, Bettencourt Rodrigues,
Antônio Claro, Oscar Lopes e outros.
Em 31
de agosto de 1914, informava O País, na coluna Viajantes:
Embarcou ontem
para Sergipe, em demanda de melhoras para sua saúde, o ilustre Dr. Curvello de
Mendonça, nosso antigo e operoso companheiro de redação.
O embarque do
Dr. Curvello de Mendonça foi muito concorrido, achando-se representados por
comissões o magistério primário e normal, vários órgãos da imprensa diária e
sendo igualmente numerosa a concorrência de amigos, entre os quais os Drs.
Felisbello Freire, Laudelino Freire e família, José Veríssimo de Mattos,
diretor da Escola Normal, e Guimarães Rebello e senhora, professores Vieira e
Ludugero e família, Otto Leonardo e família e Castilho e família, e muitos
outros, que se dispersaram seguindo diretamente para bordo.
O Dr. Paulino
Werneck, diretor geral de higiene municipal que tudo havia disposto para que
fossem prestados ao enfermo os serviços de assistência pública, compareceu,
pessoalmente, ao embarque, prodigalizando provas de apreço ao nosso querido
companheiro.
Acompanha-o até
a sua terra natal o seu irmão e dedicado amigo Sr. Dionysio de Mendonça.
A partida de
Curvello de Mendonça para Sergipe colheu de surpresa nos seus antigos
companheiros de redação, que sabiam da sua ideia de buscar melhoras na terra
natal, mas não conheciam a data certa do embarque. Isto impediu que todo o
corpo de redação fosse a bordo levar-lhe os seus sinceros e afetuosos votos de
boa viagem. Estes acompanham, não obstante, o distinto e bem-querido
companheiro, cuja saúde é, para todos nós, objeto dos mais auspiciosos
augúrios.
Ao brilhante e
inolvidável redator do País acompanham os nossos corações.
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Partiram ontem pelo paquete Itaipava, para Aracaju e
escalas, os seguintes passageiros: Antônio Álvaro Valladão e senhora, Dr.
Curvello de Mendonça e G. Curvello. (13)
*GILFRANCISCO:
jornalista, professor universitário, membro do Instituto Histórico e Geográfico
de Sergipe, do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia e da Associação
Sergipana de Imprensa – ASI, do Grupo Plena/CNPq/UFS e do GPCIR/CNPq/UFS.
Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal de Sergipe
–gilfrancisco.santos@gmail.com
NOTAS DA PESQUISA
5
O Republicano. Laranjeiras, nº 88, 28 de abril de 1891. (Correspondência de
Pernambuco