Mudar para onde a Capital? III

Relatório que Inácio Joaquim Barbosa enviou a Assembléia Legislativa propondo a Mudança da Capital, de 1/3/1855.
Acervo do MHS

Era preciso encontrar o lugar de significativo movimento de embarcações, que representasse a pujança da economia da cana, que pudesse garantir a implantação do sistema de embarcação a vapor


Movimentos de saída de navios – toneladas

(julho de 1850 a junho de 1853)

Barra da Cotinguiba – 716 navios – 84.983

Barra do Rio Real – 206 navios – 18.204

Barra do Vasa Barris – 81 navios – 8.653



Laranjeiras ou Maruim, Estância, Socorro ou Barra dos Coqueiros?

Destoando das tentativas frustradas, Inácio Joaquim Barbosa argumentou na Assembléia Legislativa no seu discurso de 1 de março de 1855:

O porto deveria, pois, ficar bem próximo do oceano e só na Barra da Cotinguiba seria possível a sua localização. Para mim, é incontestável que a capital deve ser do lado em que está situado o povoado de Aracaju”.

Em resumo, fatores econômicos e geográficos determinaram a Mudança da Capital.

Mas não podemos esquecer da conjuntura nacional: Era Mauá e determinação do mercado.



DICA DE LEITURA:

a) Cópia do Relatório de Inácio Joaquim Barbosa, de 1/3/1855. Disponível no Auditório do MHS;

b) Coleção Inácio Joaquim Barbosa, do Padre Aurélio Vasconcelos. Disponível no Auditório do Museu Histórico de Sergipe

RESISTÊNCIA SANCRISTOVENSE IV

Visão caricata apresenta João Bebe-Água figura como alcoólatra e louco. Será?
Xilogravura de André Gustavo

Houve revolta, protesto, versos de agouro e uma representação da Câmara Municipal de São Cristóvão endereçada ao imperador D. Pedro II. É nesse momento que surge o rebelde João Bebe-Água, apelido de João Nepomuceno Borges, comerciante insatisfeito com a mudança que significava a ruína econômica da cidade. Dizem que esse membro do partido liberal insuflou a população a resistir ao traslado dos cofres públicos mas o que notabilizaria João Bebe-água foram suas promessas ao Senhor dos Passos:


Promessa de João Bebe-Água:

jamais pisar em Aracaju, nova Capital da Província de Sergipe.

João Bebe-Água faleceu em 1895 sem pisar em Aracaju.


Promessa de João Bebe-Água:

Guardar fogos para pipocar na festa do retorno na Capital para São Cristóvão.

Dizem que ele morreu com os fogos embolorados debaixo da cama.


Por que Mudar a Capital? II

Irineu Evangelista de Souza, Barão de Mauá


Mudar a capital de Sergipe não foi um caso único no Brasil da época. Por isso é preciso analisar o contexto para entender o fato, sua irrevogabilidade, a insensibilidade do imperador D. Pedro II.

Diferente do século XVI, não convinha aos interesses do século XIX, uma cidade-fortaleza, acropolitana, de difícil acesso. Era preciso favorecer o acesso, O embarque da produção e a taxação de produtos. Daí a defesa e mudança de algumas capitais brasileiras para firmar o padrão cidade-porto. Vivia-se a Era Mauá (nome alusivo ao Barão de Mauá, Irineu Evangelista de Souza), das ferrovias que deveria levar a produção do interior para a beira-mar e vice-versa; das embarcações a vapor, enfim, da modernidade.


Trem e barco a vapor, dois símbolos da modernidade da Era Mauá


Por isso a cidade de Alagoas (atual Marechal Deodoro) perdeu o lugar de capital para Maceió em 1839.

Por isso, no Piauí, a capital Oeiras foi transferida para Teresina em 1852.

OBS:

a) Para colonizar o território sergipano foi travada sangrenta guerra contra índios e franceses.

b) Sergipe foi invadida pelos holandeses em 1637, as guerrilhas perduraram até 1654.

Dica: pesquisar sobre a Era Mauá.




Contexto favorável a Mudança da Capital I

Moenda Portátil. Obra de Debret, séc. XIX

A base da economia de Sergipe do século XIX era a cana. Cana do açúcar, da rapadura, da cachaça. Duas zonas canavieiras se destacavam no período: região do Cotinguiba (afluente da Bacia do Rio Sergipe) e região do Vaza-Barris. A primeira correspondia a Laranjeiras, Maruim, Japaratuba, Barra dos Coqueiros e Aracaju; a segunda correspondia a Itaporanga, São Cristóvão, etc.

Ao assumir o governo da Província de Sergipe em 1853, Inácio Joaquim Barbosa, buscaria apaziguar os ânimos entre o Partido Conservador e o Partido Liberal, conforme orientava a política imperial estabelecida pelo Marquês do Paraná, Secretário do imperador D. Pedro II.

Membro dos conservadores, grupo que acalentava vontade de mudar a capital de São Cristóvão, Inácio não tardaria a empunhar essa bandeira. A emancipação a Vila de Itaporanga, zona de engenhos e reduto de liberais, em 1853, favoreceu o enfraquecimento do Partido Liberal, bastante debilitado com as perseguições ao seu líder Sebastião Gaspar de Almeida Boto, e sobretudo, enfraqueceu a economia da capital São Cristóvão.

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