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A expressão "bom à bessa" surgiu da defesa brilhante do sergipano Gumercindo Bessa na Questão do Acre |
Thiago Fragata*
Na passagem do século XIX para o século XX, o Estado do Amazonas floresceu como zona próspera em decorrência da produção de borracha. A propaganda do novo “El dorado” estampada nos jornais da época aguçava ambições e atraía sujeitos dos mais variados patamares sociais. Eram desempregados, funcionários insatisfeitos, militares, médicos, bacharéis, professores, agrimensores etc. Uma rápida consulta ao Dicionário Bio-bibliográfico Sergipano (1925), de Armindo Guaraná, revela sergipanos que vivenciaram de perto a saga da borracha, os confrontos armados no Acre e a querela judicial instaurada pela sua posse entre a Bolívia, o governo do Amazonas e a União. Além da colonização, alguns sergipanos trabalharam para melhorias nas condições de vida das populações ribeirinhas, não raro promovendo a imprensa vigente. Teve sergipano que fundou jornais no Amazonas, teve sergipano que fundou cidade! A seguir sintetizaremos informações do aludido dicionário acerca destes conterrâneos.
Antônio Dias dos Santos - Engenheiro, nasceu em Divina Pastora, em 1838, e faleceu na capital acreana, Rio Branco, no ano de 1919. Foi deputado pelo Estado do Amazonas (1875/1877), sendo re-eleito para o biênio seguinte. Participou enquanto membro da comissão organizadora da Caixa Econômica de Manaus. Foi chefe das Obras Públicas da Prefeitura do Alto-Acre e colaborou na Revista do Amazonas, que circulava em Manaus. (1)
Avelino de Madeiros Chaves - Militar, advogado e político, nasceu em Propriá, no ano de 1875 e faleceu em Sam Sebastian, Espanha, em 1919. Participou da luta para libertação da presença boliviana no território acreano ao lado de Plácido de Castro e Gentil Noberto. Ao que parece, o sergipano chegou ao Amazonas visando mercado para exercer dignamente sua profissão de agrimensor. Angariado as condições financeiras, Avelino fundou na região do Jacó a propriedade Guanabara, com extenso seringal. Benquisto e influente na região, por três vezes foi Prefeito do Departamento do Alto Purus. Como tal foi imprescindível na criação da Escola Agrícola Assis Brasil, na abertura da estrada Sena Madureira/Boca da Mata-São Bento, na construção do varadouro da estrada do Xaburema ao rio Cayote. Escrevia regularmente na imprensa, especialmente sobre questões políticas e econômicas. Um dos seus últimos méritos no cenário amazônico foi presidir a comissão executiva do Partido Republicano do Alto Purus. (2)
Ernesto Rodrigues Vieira - Bacharel, professor, nasceu em Maruim, em 1848, onde faleceu no ano de 1898. No campo judicial, foi Juiz Municipal de Serpa e Silves em 1872. Assumiu a promotoria de Manaus no interregno de 1874/1877, tendo no primeiro ano chefiado a polícia local. No campo da educação, foi diretor geral da instrução, em 1877 e 1878, e professor de matemática do Liceu Amazonense. Fundou e redigiu os seguintes jornais: Liberal do Amazonas, Jornal do Amazonas e A Democracia. (3)
Francisco Barbosa Cardoso - Médico, outro maruinense, nascido em 1856, falecido na capital da época, Rio de Janeiro, em 1919. Atuou no Amazonas enquanto médico da Cia. de Seguros Sul-América, empresa fundada por outro sergipano. (4)
Gamaliel de Barros Mendonça - Nasceu em Laranjeiras, em 1885. Teve atuação relâmpago no Amazonas, como delegado fiscal. Escreveu no Jornal do Comércio, de Manaus. (5)
Geonísio Curvello de Mendonça - Nasceu em Riachuelo no ano de 1877. Fez parte da comissão de Inspeção dos Correios do Amazonas. (6)
Gumercindo de Araújo Bessa - Advogado, nasceu em Estância, em 1859, e faleceu em Socorro no ano de 1913. Envolveu-se na “Questão do Acre” a convite do amigo Fausto Cardoso para advogar o direito dos acreanos de constituir um Estado. Escreveu série de artigos intitulada Em prol dos acreanos, razão de calorosa contenda na imprensa com Rui Barbosa, então contratado para defender o direito do Amazonas sobre o território. O impasse agravou-se com a intromissão da União. (7)
A brilhante atuação do sergipano Gumercindo Bessa em defesa dos acreanos, perante a ferrenha oposição do conselheiro do Amazonas, Rui Barbosa, levou o Presidente Rodrigues Alves a cunhar o termo “bom à bessa”. (8) A expressão foi dicionarizada por Antônio Houaiss com o seguinte significado “em abundância e qualidade”. Há que conteste a origem do termo, mas a vitória do jurista sergipano sobre o baiano, não. (continua)
Antônio Dias dos Santos - Engenheiro, nasceu em Divina Pastora, em 1838, e faleceu na capital acreana, Rio Branco, no ano de 1919. Foi deputado pelo Estado do Amazonas (1875/1877), sendo re-eleito para o biênio seguinte. Participou enquanto membro da comissão organizadora da Caixa Econômica de Manaus. Foi chefe das Obras Públicas da Prefeitura do Alto-Acre e colaborou na Revista do Amazonas, que circulava em Manaus. (1)
Avelino de Madeiros Chaves - Militar, advogado e político, nasceu em Propriá, no ano de 1875 e faleceu em Sam Sebastian, Espanha, em 1919. Participou da luta para libertação da presença boliviana no território acreano ao lado de Plácido de Castro e Gentil Noberto. Ao que parece, o sergipano chegou ao Amazonas visando mercado para exercer dignamente sua profissão de agrimensor. Angariado as condições financeiras, Avelino fundou na região do Jacó a propriedade Guanabara, com extenso seringal. Benquisto e influente na região, por três vezes foi Prefeito do Departamento do Alto Purus. Como tal foi imprescindível na criação da Escola Agrícola Assis Brasil, na abertura da estrada Sena Madureira/Boca da Mata-São Bento, na construção do varadouro da estrada do Xaburema ao rio Cayote. Escrevia regularmente na imprensa, especialmente sobre questões políticas e econômicas. Um dos seus últimos méritos no cenário amazônico foi presidir a comissão executiva do Partido Republicano do Alto Purus. (2)
Ernesto Rodrigues Vieira - Bacharel, professor, nasceu em Maruim, em 1848, onde faleceu no ano de 1898. No campo judicial, foi Juiz Municipal de Serpa e Silves em 1872. Assumiu a promotoria de Manaus no interregno de 1874/1877, tendo no primeiro ano chefiado a polícia local. No campo da educação, foi diretor geral da instrução, em 1877 e 1878, e professor de matemática do Liceu Amazonense. Fundou e redigiu os seguintes jornais: Liberal do Amazonas, Jornal do Amazonas e A Democracia. (3)
Francisco Barbosa Cardoso - Médico, outro maruinense, nascido em 1856, falecido na capital da época, Rio de Janeiro, em 1919. Atuou no Amazonas enquanto médico da Cia. de Seguros Sul-América, empresa fundada por outro sergipano. (4)
Gamaliel de Barros Mendonça - Nasceu em Laranjeiras, em 1885. Teve atuação relâmpago no Amazonas, como delegado fiscal. Escreveu no Jornal do Comércio, de Manaus. (5)
Geonísio Curvello de Mendonça - Nasceu em Riachuelo no ano de 1877. Fez parte da comissão de Inspeção dos Correios do Amazonas. (6)
Gumercindo de Araújo Bessa - Advogado, nasceu em Estância, em 1859, e faleceu em Socorro no ano de 1913. Envolveu-se na “Questão do Acre” a convite do amigo Fausto Cardoso para advogar o direito dos acreanos de constituir um Estado. Escreveu série de artigos intitulada Em prol dos acreanos, razão de calorosa contenda na imprensa com Rui Barbosa, então contratado para defender o direito do Amazonas sobre o território. O impasse agravou-se com a intromissão da União. (7)
A brilhante atuação do sergipano Gumercindo Bessa em defesa dos acreanos, perante a ferrenha oposição do conselheiro do Amazonas, Rui Barbosa, levou o Presidente Rodrigues Alves a cunhar o termo “bom à bessa”. (8) A expressão foi dicionarizada por Antônio Houaiss com o seguinte significado “em abundância e qualidade”. Há que conteste a origem do termo, mas a vitória do jurista sergipano sobre o baiano, não. (continua)
*Publicado no JORNAL DO DIA. Aracaju, 27 de janeiro 2026.
amigo Luiz Antônio Barreto (1944/2012)
FONTES DA PESQUISA: 1 - GUARANÁ, Armindo. Dicionário Bio-bibliográfico Sergipano. Rio de Janeiro: Pongetti, 1925, p. 19; 2 - Idem, p. 44; 3 - Idem, p. 73-74; 4 - Idem, p. 95-96; 5 - Idem, p. 102; 6 - Idem, p. 105; 7 - Idem, p. 112- 114; vide: REIS, João Dantas Martins dos. A Questão do Acre: polêmica entre Gumercindo Bessa e Ruy Barbosa. Aracaju: Imprensa Oficial, 1960.



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