Patrimônio da Humanidade: nota sobre a candidatura

Ainda não foi decidido pela UNESCO o caso da candidatura de São Cristóvão a condição de Patrimônio da Humanidade. As pendências são as seguintes:
a) o funcionamento imediato de um Plano Diretor, o que depende da Prefeitura Municipal de São Cristóvão e do Estado;
b) a candidatura deverá ser formatada para em lugar da Praça São Francisco compreender todo o centro histórico.
A instabilidade no comando do Prefeitura de São Cristóvão pode até perturbar o processo de elaboração e efetivação do Plano Diretor, mas não interfere na decisão da UNESCO.
Nós que participamos da elaboração do documento de inscrição e todos que amamos essa cidade não podemos perder a esperança.

MEMÓRIA E COTIDIANO DA PRAÇA SÃO FRANCISCO*

vista aérea da Praça São Francisco

Por Thiago Fragata*

A antiga São Cristóvão tem configuração urbanística medieval - lembra uma acrópole grega – arquitetada segundo mentalidade de seus benfeitores em duas cidades ou planos: a cidade-alta e a cidade-baixa. A cidade-alta ou centro histórico sediava a estrutura do poder político-judicial e religioso da Capitania de Sergipe D’El Rey, quanto à cidade baixa estava destinada ao comercio e a pesca facultada pelo rio Paramopama, afluente do rio Vaza-barris que constituía principal zona da produção canavieira. Uma e outra cidade aglomerava atores distintos, classes distintas, que em raríssimas ocasiões contracenavam nas praças da urbe secular. No centro encontramos a Praça da Matriz, a Praça do Carmo e a Praça São Francisco. Atento para as praças porque elas testemunharam as batalhas, as solenidades cívicas, os atos religiosos e as festas, de certa forma os momentos mais especiais da vida sancristovense. (continua)


*Artigo faz parte do Dossiê de candidatura da Praça São Francisco a Patrimonio da Humanidade, 2006.

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90 anos do Saci Pererê - Entrevista com o "lobateano de Sergipe"

RESUMO: Thiago Fragata concedeu entrevista para Tatiana Notaro, do Jornal do Commercio, de Recife/PE, em 2007, por ocasião dos 90 anos da estréia do Saci na literatura brasileira.
Qual era a ligação de Lobato com o folclore?
THIAGO FRAGATA -
Em meados do século XIX, o inglês William John Thoms fixou a expressão folk-lore para designar os saberes populares, criando assim um vasto campo de pesquisa a partir do variado acervo do conhecimento popular. Esse variado acervo compreende seres fantásticos, expressões lingüísticas, culinária, danças, estórias, artesanato, etc. O folclore na sua amplitude foi matéria-prima da produção literária de Monteiro Lobato, além das obras estrangeiras a respeito do tema, ele conhecia as contribuições de autores como Pereira da Costa, Melo Morais Filho, Sílvio Romero e João Ribeiro. Depois de escutar os caboclos da sua fazenda no Buquira, passou a desenvolver o tema nas páginas da Revista do Brasil, em 1916. Nacionalista, em 1917 ele questionava a atenção que instituições culturais como o Liceu de Artes e Ofícios concedia aos duendes e seres fantásticos do mundo europeu, sugerindo a incorporação de elementos da mitologia brasílica. Depois de realizar enquête no Jornal O Estado de São Paulo que possibilitou a ele juntar informações de várias partes sobre o negrinho peralta que guinchava pelas matas, Lobato organizou concurso de artes plásticas favoreceu a fixação de uma imagem do Saci. Com esse farto material publica seu primeiro livro ainda em 1917, intitulado Saci-Pererê: resultado de um inquérito. Nesse primeiro momento constatamos o contato dele com o lendário Saci e seu tino de folclorista.
(CONTINUA)

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CICERONE DE SÃO CRISTÓVÃO

Tenho repetido a saudação de cicerone
aos novos e velhos amigos... e desconhecidos.

São Cristóvão, São Cristóvão
Cidade minha, metáfora de todos
Esfinge de quatro séculos
A lançar enigmas imemoriais
Aos alunos, professores, turistas, pesquisadores...

São Cristóvão, São Cristóvão
Quem não a conhece repete o erro do convertido
Que não vai a Meca depois de aceitar Alá
Pra mim sempre Patrimônio da Humanidade
Tempo, templos para debulhar terços pela vida.

São Cristóvão, São Cristóvão
Tenho encenado Gonçalves Dias
“Todos cantam a sua terra,
também vou cantar a minha”.

São Cristóvão, São Cristóvão
Lembro o conselho de Leon Tolstoi
“Se queres ser universal,
canta a tua aldeia”.

Thiago Fragata é professor, historiador, poeta e sócio do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe. E-mail: thiagofragata@gmail.com

JOÃO BEBE-ÁGUA: o mito em carne e osso

Boneco gigante de João Bebe-Água
confeccionado para animar o carnaval de São Cristóvão

Thiago Fragata*


Nesse momento que São Cristóvão, ex-capital do Estado do Sergipe, figura enquanto candidata ao título de Patrimônio da Humanidade a ser concedido pela UNESCO, é preciso refletir em torno do seu patrimônio material e imaterial. Aproveito para divulgar as informações coligidas nos últimos anos sobre o lendário João Bebe-Água.

João Nepomuceno Borges nasceu em São Cristóvão, no ano de 1823, era filho do capitão Francisco Borges da Cruz e teve um irmão de nome Silvério da Costa Borges. Nada sabemos sobre a sua formação escolar, apenas que aprendeu ler e escrever com maestria, sem a qual não desempenharia os cargos públicos.


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20 ANOS DA CANDIDATURA DO ÚNICO PATRIMÔNIO MUNDIAL SERGIPANO

  Praça São Francisco, São Cristóvão/SE. Foto: Heitor Xavier Thiago Fragata* Há 20 anos, Marco Antonio Faria Galvão organizou o dossiê d...