Candidatura da Praça atende a critérios da Unesco

Para eleger um local ou região como Patrimônio Histórico da Humanidade, a Unesco estabelece critérios gerais para a nomeação. Em São Cristóvão não podia ser diferente: a Praça São Francisco já atende a vários destes, o que justifica a sua candidatura. De acordo com esses critérios, o bem tem destacado valor universal se for obra mestre do gênio criador humano. Deve também atestar um intercâmbio de valores humanos considerável durante um período concreto da história humana ou alguma área cultural do mundo, nos âmbitos da arquitetura ou tecnologia, artes monumentais, planejamento urbano ou criação de paisagens.

No caso da Praça São Francisco, a candidata se encaixa nesse perfil por possuir história rica e preservada ao longo dos séculos, além de sua arquitetura que traduz o momento de influência da União Ibérica sobre as terras sergipanas. No blog, esse tema já foi tratado em uma entrevista com o secretário de Patrimônio do Governo de Sergipe, Luiz Alberto dos Santos. Clique aqui para ouvir a entrevista.

O Patrimônio Histórico da Humanidade também apresenta como responsabilidade ser um exemplo de associação com acontecimentos e tradições vivas, idéias, crenças ou obras artísticas e literárias que tenham grande importância. A Praça São Francisco é exemplo vivo de um local onde as manifestações espontâneas da cultura popular reúnem-se para suas apresentações. Seja no folclore, que privilegia o espaço como cenário de inspiração, ou nas artes plásticas, a Praça São Francisco estabelece relações íntimas com a cultura do povo, legitimando assim seu processo de escolha perante a Unesco.
FONTE:

Praça sergipana pode virar patrimônio da humanidade


O Governo do Estado está iniciando uma grande campanha de mobilização dos sergipanos em torno da candidatura da Praça São Francisco, em São Cristóvão, a patrimônio da humanidade. Além das mídias tradicionalmente utilizadas como outdoor, cartazes, camisas, propagandas em rádio e panfletos, a Secretaria de Estado de Comunicação Social (Secom) está investindo na produção de conteúdo para a internet, através de mídias sociais como o Orkut, o Twitter e o Facebook. Para o secretário de Comunicação do Estado, Carlos Cauê, a utilização das mídias digitais vem da necessidade da causa. “Os meios digitais estão sendo utilizados para divulgar a ação de forma mais rápida, além de envolver a população com a causa, que é de todos nós, estimulando que todos apoiem a candidatura. Nas redes sociais temos um forte canal de comunicação direto com o povo, o que é muito bom para a mobilização em prol da candidatura”, ressalta o secretário.

A grande novidade da campanha é a utilização das mídias sociais de forma pensada, utilizando a novidade das redes sociais à valorização de um patrimônio do passado. Essa iniciativa é muito boa porque mobiliza, sobretudo, a população mais jovem que utiliza essas mídias”, observa o diretor de Marketing da Secom), Rafael Galvão.

O Núcleo de Cultura Digital da Secom é o responsável pela realização da mobilização através das redes sociais. “As redes de relacionamento como o Orkut, Facebook, Youtube, Twitter, Delicious e Flickr serão os principais meios de divulgação. O maior interesse é mobilizar através de vídeos e histórias de pessoas que fazem parte da história da praça, e assim, criar corpo à candidatura”, afirma Maíra Ezequiel, coordenadora do Núcleo.

Histórico A candidatura da Praça São Francisco foi aprovada durante a 32ª Sessão do Comitê de Patrimônio Mundial da Unesco realizada de 2 a 10 de julho de 2008 na cidade de Québec, no Canadá. Desde a divulgação da candidatura, o Governo está agindo na execução dos critérios de preservação do patrimônio cultural recomendados pela Unesco.

Para atender às exigências, o Estado tem investido em uma série de ações como o esgotamento sanitário na região do Centro Histórico, que irá redirecionar o esgoto da área, atualmente despejado no rio Paramopema, num investimento de R$ 7 milhões. Além disso, R$ 750 estão sendo investidos para que as fiações das redes elétrica e telefônica passem a ser subterrâneas.

FONTE: Jornal da Cidade. Aracaju, 16/10/2009.

Economia da Cultura: Um dos focos da política cultural sergipana

Reisado das Pedreiras de São Cristóvão

Por Eloísa Galdino*

Há algo novo na política cultural sergipana, uma forma nova de olhar e tratar a cultura. Não, não deixamos de entendê-la como o conjunto de referências simbólicas que caracterizam as sociedades, formam identidades e influenciam os nossos fazeres nas mais diferentes áreas. Também não deixamos de acreditar e trabalhar pela preservação dos nossos acervos material e imaterial, por nossa memória e por nossa história. Mas resolvemos - de olho no que já acontece internacionalmente - tratar a cultura para além das suas dimensões estética , moral e sociológica; e passamos a trabalhar a cultura também em sua dimensão econômica e produtiva. Em outros termos, incorporamos o conceito de Economia da Cultura às ações da Secretaria de Estado da Cultura – Secult. E o que isso significa?

Primeiro, aqui cabe uma contextualização a partir de um dos temas mais debatidos no século XX: a indústria cultural. E lá se vão 45 anos desde que Umberto Eco azeitou esse debate com o clássico “Apocalípticos e Integrados”, no qual o pensador italiano, com propriedade, evidenciou os equívocos do que se convencionou chamar de “duas alas” da Escola de Frankfurt. O ponto crucial dessa discussão sempre foi os efeitos da indústria cultural sobre a cultura popular, a erudita, e o constante anseio pela preservação dos valores culturais mais legítimos das sociedades. Era, em verdade, um debate sobre o que aconteceria com as sociedades a partir da “mercantilização” da cultura.O tempo passou e essa discussão foi mais ou menos superada, abrindo espaço para outros debates sobre o tema. Nesse ínterim, ela, a cultura, mostrou sua capacidade de superar as visões apocalípticas, adaptando-se aos novos tempos, linguagens e formatos da sociedade da informação. A cultura se mostrou capaz de fazer-se e refazer-se sem nunca perder a sua força; e foi capaz de incorporar novos fazeres para se dizer digital, dialogando com a aldeia global para divulgar práticas e manifestações das mais variadas tribos. Esse percurso trouxe, também, o entendimento da cultura como um dos setores economicamente dinâmicos e ativos da nossa sociedade.

É disso que trata a Economia da Cultura, conceito novo e com uma relação direta com outros conceitos (igualmente novos) , como é o caso da Economia Criativa e/ou do Conhecimento. Trata do entendimento de que a cultura também produz negócios, movimenta a economia, gera emprego e renda e pode, portanto, ser encarada como um vetor do desenvolvimento sustentável das mais variadas sociedades. E isso com um traço que faz toda a diferença: por “alimentar” a alma, o pensamento e a reflexão diante do mundo, a cultura é um setor da economia que pode e deve contribuir para a inclusão social e para o avanço da sociedade da informação.

É assim que encaramos a cultura, como um setor estratégico para o desenvolvimento econômico e social. É por isso que estamos pegando régua e compasso para desenhar o nosso projeto de Economia da Cultura, assumindo, enquanto Governo, o papel de articulação, fomento e regulação da política estadual de cultura.

Queremos romper com a clássica cena dos nossos produtores e artistas com o “pires na mão” a pedir ajuda para as suas produções. Assumiremos o nosso papel de tratar a cultura como política pública, mas de uma forma que possamos estimular a formação, a capacitação e o desenvolvimento das cadeias produtivas que essa área pode engendrar. Queremos plantar a semente de um movimento cultural autônomo, com conexões claras e legitimas com o setor produtivo, seja através dos incentivos fiscais, seja através do apoio ao empreendedorismo.

É longo o caminho a trilhar em busca da consolidação de uma nova política cultural. Ela não é pra já, mas precisamos começar. Delimitamos os objetos e o espaço geográfico: preservação do patrimônio e turismo cultural, em São Cristóvão e Laranjeiras. A idéia é fazer das nossas cidades-patrimônio modelos de desenvolvimento a partir da cultura, estimulando a preservação do seu acervo pela própria comunidade que habita nessas cidades.Em total sintonia com os princípios que norteiam a política cultural desenvolvida pelo Ministério da Cultura, queremos que as populações das nossas cidades-patrimônio possam se apropriar do seu potencial turístico. É uma visão que busca trabalhar uma ampla cadeia produtiva que vá do brincante ao empresário, todos articulados, movimentando a cidade, fazendo circular produtos, ideias e dinheiro. E o mais importante: todos juntos preservando nosso patrimônio, nossa identidade e nossos valores culturais, porque toda essa riqueza estará produzindo emprego, renda, inclusão, e, principalmente, cidadania.

*Secretária de Estado da Cultura de Sergipe.

Valorizando a cultura, promovendo a preservação*

Detalhe do outdoor de divulgação da campanha Praça São Francisco, Berço de Sergipe, Patrimônio da Humanidade

Por Bruna Morrana dos Santos**

Sabe-se que o Patrimônio Cultural refere-se à cultura de uma sociedade, de um país e deve ser entendido como produto coletivo das realizações da sociedade. Assim, há uma urgência de preservação dos Patrimônios Culturais locais que estão ameaçados, pois como foi dito anteriormente eles representam a identidade cultural de um povo. No entanto, não só os bens culturais materiais devem ser preservados, mas também aqueles referentes às técnicas, ao saber e o saber-fazer, que estão na categoria do patrimônio imaterial.

Nesse contexto, é notória a urgência de preservação do patrimônio local, e sendo assim inserimos a Praça São Francisco localizada no coração do centro histórico da cidade de São Cristóvão-SE. Carregada de representatividade e valores, a praça apresenta um grande valor histórico e além deste, apresenta também grande valor cultural. È importante salientar que a Constituição Federal de 1988, no artigo 216 prega que as manifestações artístico-culturais são representativas para comunidade e assim devem ser também alvos de preservação.

E as festas são com toda evidência parte desse patrimônio, pois é através dessas manifestações que o povo revigora seus valores tradicionais. Mas, retomando o tema da Praça São Francisco, ela é o centro das manifestações culturais populares da cidade, porque é lá que anualmente acontecia o Festival de Artes de São Cristóvão cujo, engloba atividades teatrais, musicais, cinematográficas, além de artes como o circo. No entanto a praça não é somente palco de festivais, mas também é o centro das manifestações carnavalescas e juninas, enfim ali é onde acontece o resgate das tradições.

Mas, não é tão simples assim, muitos sancristovenses vêem a praça apenas como um local de lazer e pra jogar conversa fora, não se dando conta do valor cultural que ela apresenta evidenciado pelas construções arquitetônicas que compõem todo o conjunto da praça. Entretanto, sabemos que o processo de conscientização da sociedade ocorre paulatinamente, ou seja, a intenção seria fomentar no povo uma nova visão e fazer com que a população olhe para a praça com outros olhos.

Portanto, sempre é bom frisar que devemos valorizar os elementos que compõem nossa cultura, e em relação ás manifestações culturais fica mais em foco a discussão sobre como manter a tradição “viva”, pois só assim elas poderão perpetuar pelas gerações futuras.


*Publicado no JORNAL DO DIA. Aracaju, ano V, n. 1414, 29/09/2009, p. 2.
** Graduanda em História da Universidade Federal de Sergipe - Projeto “A Praça São Francisco é do Povo” - DHI (UFS)

A praça e uma candidatura em construção*


Pablo Renan Silva Campos**

No dia 4 de julho de 2009, os alunos da disciplina, Patrimônio Cultural do curso de licenciatura em história da (UFS) Universidade Federal de Sergipe, foram à cidade histórica de São Cristóvão com o objetivo de realizar uma pesquisa de opinião entre os moradores daquela localidade. Estes tiveram o acompanhamento dos professores, Claudefranklin Monteiro, docente da disciplina na instituição e Thiago Fragata que além de cidadão sancristovense é um pesquisador entusiasta e há muito tempo vem engajado no processo de divulgação da diversidade cultural da cidade de São Cristóvão.

Essa pesquisa consiste em saber dos populares seus respectivos modos de ver a candidatura da praça São Francisco à condição de Patrimônio Cultural da Humanidade, a ser concedido pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência, Cultura e Comunicação). Só para lembrar, a mesma possui o título de Patrimônio Nacional e em momentos passados, já almejou esse reconhecimento. Contudo, faltaram alguns detalhes determinantes que serão comentados adiante.

Para um bem cultural, como é o caso da Praça São Francisco, ser alvo da salvaguarda e conseqüentemente receba tal reconhecimento, é preciso estar sujeito a alguns critérios, como: manter as características do período ao qual esteve inserido; a cidade deve ser voltada em seu todo para a preservação ambiental e o mais importante que é o valor histórico, artístico, documental e sentimental, ou seja, deve ter uma representatividade para a comunidade e é necessário que a mesma manifeste-se um desejo sobre esse bem.

Analisando esses dados mencionados, nota-se o porquê do título ter sido adiado anteriormente, quando especialistas da UNESCO vieram fazer uma verificação técnica. As alegações deles foram: a falta de saneamento básico e uma questão lamentável que é a poluição do rio Paramopama que chegou a ser alvo de uma reportagem maliciosa do jornalista Pedro Bial da Rede Globo em sua passagem por São Cristóvão, na qual fez uma matéria para o Jornal Nacional.

Bem, mas agora os leitores devem está curiosos e se perguntando: qual foi o resultado da pesquisa? Como é que andam as obras de restauração e de saneamento básico na cidade? Qual o próximo passo a ser seguido? E quando sai o resultado da UNESCO?

Vamos à questão, o resultado da pesquisa não foi animador para nosso grupo que adentrou nesse projeto e se comprometeu a fazer o que estivesse ao seu alcance para ajudar nessa candidatura, que se conquistada será um prêmio e uma condição de satisfação não só para São Cristóvão, mas também, para Sergipe em geral.

Numa reunião, traçamos metas que seriam desenvolvidas e aplicadas passo-a-passo, a primeira delas foi saber como a população pensa a respeito do assunto. Assim, foram elaboradas algumas perguntas e as mesmas aplicadas. Uma delas chamou muito atenção, no momento que perguntávamos: Você sente orgulho em morar aqui?, foi uma surpresa para nós vê que as maiorias das respostas foram NÃO, sendo assim, em primeiro instante ficamos tristes, mais logo depois felizes, isso é paradoxal, vou explicar melhor, claro que nossa vontade era que todos respondessem SIM e com uma justificativa bem sucinta, porém, não ocorreu, então ficamos tristes, mas felizes porque esses mesmos não sabiam justificar e logo diziam A corrupção e a falta de empregos aqui é grande, a princípio chegamos à conclusão de que eles não odeiam a cidade e toda sua carga cultural que ela possui, o problema é que estes não sabem diferenciar o amor a terra natal da revolta que tem em relação aos seus administradores. Contudo, é relevante essa revolta, pois, é só ir verificar as condições em que vivem os cidadãos e o estado em que a cidade se encontra: falta de saneamento, oportunidade de vida e lazer. É isso que faz os moradores transferirem a raiva que sentem pelos políticos para a cidade.

Sobre as condições atuais das obras, estão lentas e mal administradas, como já foi dito em outras passagens. O IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico Artístico e Nacional), hoje com uma nova superintendência, tenta adiantar as restaurações e a própria prefeitura é encarregada de solucionar outros problemas, como por exemplo, a questão da iluminação pública no centro histórico e nas intermediações do local que deve ser subterrânea. No referente à preservação ambiental, Thiago Fragata junto com seu grupo Comissão de Candidatura e seus alunos executaram um projeto no quais Pneus foram recolhidos do rio Paramopama.

Os próximos passos são a continuidade dessas obras, mas para que elas estejam devidamente prontas no período estabelecido, é de fundamental importância o engajamento de todos, população, IPHAN, administradores locais, instituições estaduais e a Universidade Federal. Esta última foi uma das causas da nossa inclusão nesse projeto. Chegamos à conclusão de que deveríamos dar suporte ao Thiago e também que é dever de uma instituição como a UFS participar desse processo, mesmo porque ela está situada em solo sancristovense.

A decisão será divulgada em julho de 2010, se for positiva os benefícios serão diversos e incalculáveis, não só pelo fator patrimonial, mas também, desenvolvimento que conseqüentemente afetará positivamente a população, como exemplo, o aumento do fluxo de turismo, agora em nível internacional, possibilitando o aumento de renda municipal e a geração de empregos em diversos campos, além disso, a cidade estará dentro dos padrões de preservação ambiental que é um dos temas mais citados e discutidos nas sociedades contemporâneas.

* Artigo publicado no JORNAL DO DIA. Aracaju, ano V, N. 1406, 19/09/2009, p. 4.
**Graduando em História da Universidade Federal de Sergipe Projeto A Praça São Francisco é do Povo (DHI/UFS)

20 ANOS DA CANDIDATURA DO ÚNICO PATRIMÔNIO MUNDIAL SERGIPANO

  Praça São Francisco, São Cristóvão/SE. Foto: Heitor Xavier Thiago Fragata* Há 20 anos, Marco Antonio Faria Galvão organizou o dossiê d...