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O VÍCIO DE JOÃO BEBE-ÁGUA

 

João Bebe-Água - xilogravura de André Gustavo - 2005

Thiago Fragata*



Nos tempos heroicos do Arquivo Geral do Judiciário de Sergipe (TJ), entre 1996 e 1998, atuei como estagiário ao tempo que cursava graduação em História, na Universidade Federal de Sergipe. Certa vez, auxiliei pesquisador contratado por um genealogista para transcrever documentos de uma família abastada da zona da Cotinguiba que remontava século XVIII. Então o sujeito anotou de um testamento que senhor de engenho deixou de herança “um carro. para a sobrinha”. Ele repassou a informação adiante, alertei que carro ali não era automóvel, mas abreviatura de carroça! Aproveitei fiz palestrinha sobre paleografia e arcaísmos. O tempo repetiria a lição. Durante parte considerável da vida, acreditei que o vício de João Bebe-Água fosse cachaça, “água que passarinho não bebe”, como diz a eufemística expressão popular. Recentemente, o imbróglio foi esclarecido e venho compartilhar.

Na graduação em História, tomei conhecimento do manuscrito de Serafim Santiago, Anuário Christovense, reunindo suas memórias sobre eventos, fatos e personagens da São Cristóvão do seu tempo, fins do século XIX. Dada sua importância, li o precioso acervo do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe (IHGSE), transcrevi parte significativa, citei na monografia, reli outras tantas. SANTIAGO conheceu João Nepomuceno Borges, o popular João Bebe-Água, assim como Manoel dos Passos de OLIVEIRA TELLES, que também escreveu muito sobre a ex-capital. (1) Nenhum deles tratou da dipsomania que adversários políticos impingiram no opositor da Mudança da Capital, de 17 de março de 1855. Pertinente destacar como o arroubo patriótico e/ou o derrotismo aparece vinculado ao alcoolismo; como fazer oposição a Mudança da Capital, 17/3/1855, fosse algo quixotesco, exclusivo para indivíduos desprovido de bom senso, coerência, juízo, enfim, gozo pleno da capacidade cognitiva, intelectual e psicológica.

Como já disse, por um bom tempo aceitei com mansidão a possibilidade do João Bebe-Água ser um cachaceiro, afinal sempre foi assim que o vi representado nas peças teatrais da escola, até mesmo na peça encenada na abertura do IX Festival de Arte de São Cristóvão, de 1980. (2) Cômico e comovente, criou-se a narrativa do bebum revoltado, embriagado na loucura ou promessa do retorno da capital, dos foguetes que guardava para estourar nesse dia. Cativado pela informação, do inveterado consumidor de aguardente, li no citado manuscrito de SANTIAGO que o seu vício era “o lenço de rapé e uma catarina, como ele chamava a uma figura preta, feita de ponta de boi, onde conservava um bom torrado que a todos oferecia”. (3) Ignorando o que seria rapé, entendi “torrado” como aguardente, cachaça!? Cheguei a publicar esse disparate, em 2004. (4) Minha surpresa foi o que as pesquisar revelariam sobre o rapé, posteriormente.

RAPÉ - (do francês râpé, "ralado") é o tabaco em pó que serve para cheirar. O hábito de consumir rapé era bastante difundido no Brasil até o início do século XX. Era visto de maneira contraditória, ora como hábito elegante, ora como vício; presente nos diferentes segmentos da sociedade. Há menções ao hábito em obras de Eça de Queirós (Maias), Leon Tolstói (Guerra e Paz), Helena Morley (Minha vida de menina) e Machado de Assis (O Bote de Rapé). (5) Vejamos trecho desta crônica machadiana, sob pseudônimo Eleazer, publicada no jornal o Cruzeiro, de 1878:

vício do rapé é um vício circunspecto
indica desde logo um homem de razão;
tem entrada no paço, e reina no salão,
Governa a sacristia e penetra na igreja.
uma boa pitada as ideias areja;
dissipa o mau humor. (...)
Inda mais: até o amor aumenta
Com a porção de pó que recebo na venta. (6)

Assim como o cigarro em nosso tempo, no século XIX o rapé foi símbolo de moda, saúde, bom apetite, longevidade, afrodisíaco, recomendado pela ciência, por último condenado pela mesma ciência, tanto que seu uso terapêutico sofre restrições, hoje.

Voltando ao mote do texto, alguém pergunta: João Bebe-água era alcoólatra? Não virou alcoólatra com trauma da Mudança da Capital? Bom, das informações coligidas e compartilhadas dos contemporâneos, refiro-me a Serafim Santiago e Manoel dos Passos, é razoável protestar, ainda que apreciar cachaça - preciso enfatizar - em nada deveria comprometer suas atitudes bairristas, nem mesmo as pragas rogadas aos “inimigos de São Cristóvão”. Chama atenção, o fato dos citados autores justificarem o apelido “Bebe-Água” por razões dissonantes, oposta da alcoolomania. Confira:

Nas últimas estrofes da poesia DITO E FEITO, dedicada a João Bebe-Água”, de 1890, OLIVEIRA TELLES fala das promessas feitas no traumático advento da Mudança da Capital, de 17/3/1855. Vale a pena conferir, ipsis litteris:

Jurou que nunca iria a Aracaju
para não anular a sua magoa
Desabafa em falar. Feroz e cru.
Não bebe água de lá, e assim deságua
a dor que lhe lacera o peito nu
por isso é que o chamam – Bebe-Água. (7)

SANTIAGO, por sua vez recorda “quando alguém lhe perguntava: Senhor João, como tem passado? – ele respondia logo, muito satisfeito: “bebendo água”. Uma terceira razão dissonante do ébrio, foi lembrada por Sebrão SOBRINHO, em Fragmentos da História de Sergipe, de 1972; à página 162, escreve sobre João Bebe-Água “sendo abstêmio e disso fazendo gabos com repoches aos sacerdotes de Baco, de que só bebia a linfa potável”. (8)

Enfim, pela juntada, aconselho sopesar a próxima encenação teatral que apresente João Bebe-Água como o bêbado que não conseguiu estragar a festa da Mudança da Capital. Faz isso e o meu esforço em reconhecer meu erro crasso (ter confundido rapé com cachaça), depois de 22 anos, não terá sido em vão.


 *Texto publicado no JORNAL DO DIA. Aracaju, 27/03/2026. 

  

FONTES DA PESQUISA 1 - OLIVEIRA TELLES, Manoel dos Passos de Oliveira. Bebe água. In: Sergipenses: escriptos diversos. 2ª. Ed. São Cristóvão: Editora UFS; Aracaju: IHGSE, 2013. Manuscrito de Serafim Santiago foi publicado: SERAFIM, Serafim. Annuario Christovense ou Cidade de São Christovão. São Cristóvão: Editora da UFS, 2009; 2 - OLIVA, Terezinha Alves de; SOARES, Rosane; CABRAL, Otávio Luiz. FASC: Uma história em cartaz. São Cristóvão: Editora da UFS, 2008, p. 37; 3 - SANTIAGO, Serafim. Idem, p. 263; 4 - SILVA FILHO, José Thiago da. João Bebe-Água: o mito em carne e osso. Jornal da Cidade. Aracaju, 20, 21-22/3/2004; 5 - Rapé segundo wikipedia. https://pt.wikipedia.org/wiki/Rap%C3%A9, consulta 24/3/2026; 6 - MAGALHÃES JR, Raimundo. Esplendor, decadência e morte do rapé. In: O Império em Chinelos. Rio de Janeiro: Ed. Civilizações Brasileira, 1957, p. 155; 7 - INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DE SERGIPE (IHGSE). Aracaju, Christofaneida, 1890. Manuscrito de Manoel dos Passos de Oliveira Telles; 8 - SOBRINHO, Sebrão. Fragmentos da História de Sergipe. Aracaju: Livraria Regina, 1972, p. 162.

 

A NEGRITUDE DESFILOU NA MUDANÇA DA CAPITAL – II


 Por Thiago Fragata*

O padre Aurélio Vasconcelos de ALMEIDA, autor do principal estudo biográfico de Inácio Barbosa, governador da Mudança da Capital, considera improvável a suposta negritude. Vejamos trechos da sua contestação “Despeito ou recalque passional e racial do Presidente”, no Esboço Biográfico de Inácio Barbosa, volume II, endossada por 2 justificativas inverossímeis: “Emprestam ao Dr. Inácio Joaquim Barbosa Filho outro equívoco, supondo-se que era ele mulato (...) entretanto, para mais rigorosa da verdade histórica, temos de considerar que nem fatos nem documentos atestam a suposta procedência racial de Dr. Barbosa, quando os indícios denunciam o contrário”. Segue os indícios: 1) seus pais integraram a “fidalguia” da capital do império, Rio Janeiro; 2) o mais ilustre dos parentes, o general Manoel Felizardo de Souza Melo, seu primo, não teria chegado ao generalato se fosse um mulato. (1)

JOÃO BEBE-ÁGUA, HOMEM NEGRO - A primeira poesia que João Bebe-Água aparece como homem negro foi escrita pela poetisa Cleide Santos em 2018, inclusive conquistou prêmio em concurso realizado em São Cristóvão. Relembrando a fala de Lilia Moritz Schwarcz, revisamos fatos e personagens a partir que questões candentes; a racialidade e/ou o seu silenciamento intencional é uma delas. (2) Vejamos as pistas que revelam a negritude de João Nepomuceno Borges, o popular João Bebe-Água, afamado opositor da Mudança da Capital, de São Cristóvão para Aracaju, de 17/3/1855.

IRMANDADE DO AMPARO DOS HOMENS PARDOS - Dois textos sobre João Bebe-água foram produzidos por intelectuais contemporâneos. O primeiro, Manoel dos Passos de Oliveira TELLES, escreveu a forma de necrológio, em 1895, e publicou em Sergipenses, no ano de 1903. O outro, é de Serafim Santiago, do Anuário Christovense, redigido entre fins do século XIX e as duas primeiras décadas do século XX. TELLES destaca o entranhado bairrismo ou patriotismo do anti-herói: “conheci nos últimos tempos de sua peregrinação pela terra (...) soube ser patriota de coração, que viveu e morreu isento dessa condenação do destino: não foi um louco, não foi um mendigo, era um resignado” (3) SANTIAGO, por sua vez, apresenta informações esparsas da vida e descreve a aparência de João Bebe-água. Diz assim: “Este devoto também de Nossa Senhora do Amparo, que muitos anos serviu de Thezoureiro e zelador da Irmandade, nasceu e morreu na antiga cidade de São Christovão”. (4) Detalhe importante, ele participou da Irmandade do Amparo dos Homens Pardos, ou seja, um coletivo leigo formado por negros católicos.

PARDO – Serafim Santiago faz descrição “Darei também signais característicos do Bebe-água: - era de baixa estatura e um tanto gordo; tinha a côr de um pardo amarelado bilioso; cabelos anellados; trajava jarreta, conforme o costume antigo, fazendo ele mesmo as roupas que uzava...” (5) Reprovamos o conceito de parditude, engodo acadêmico, pois no Brasil a negritude se acha diretamente relacionada ao fenótipo, como a sociedade lê as pessoas. Dito de outra forma, hoje João Bebe-água seria tratado como um negro, sofreria racismo como todo negro!


Para finalizar, selecionamos representações artístico-visuais que concatenam a perspectiva racial das personalidades que marcaram a Mudança da Capital. Destacamos o Inácio Barbosa negro, desenho de Eduardo Oliveira, com texto de Itamar Freitas. Obra recebeu título Aracaju: uma história em quadrinhos (2011). Projeto foi realizado pela TECNED, com o apoio da Secretaria Municipal de Educação, Prefeitura de Aracaju. (6) Destacamos também, o boneco gigante de João Bebe-Água negro, brincante dos carnavais de São Cristóvão desde 2005, ano que foi produzido pelo artista Anselmo Seixas. A arte foi inspirada na descrição de Serafim Santiago, no Anuário Christovense. 
 

ERRATA: O sujeito que aparece na foto ilustrando matéria “Inácio Barbosa”, do blog “Sergipe, sua terra, sua gente”, gerenciado por Armando Maynard, não corresponde. Por lapso ou pressa, foto postada é de Inácio Bittencourt (1862/1943), jornalista e divulgador do espiritismo kardecista no Brasil. (7) Recadinho aos estudantes, professores e pesquisadores: cuidado para não divulgar foto de um homem branco na sua pesquisa sobre Mudança da Capital! Ajude a descolonizar a História de Sergipe. (fim)

 


Inácio Joaquim Barbosa era negro! 

 

*Thiago Fragata – Historiador, poeta, multiartista e educador antirracista. Email: thiagofragata@gmail.com Texto publicado no JORNAL DO DIA.Aracaju, 13 de março de 2026.

 

FONTES CONSULTADAS

1 - ALMEIDA, Aurélio Vasconcelos de. Esboço biográfico de Inácio Barbosa – vol. II. Aracaju: Gráfica Sercore, 2000, P.  107-116.

2 - Entrevista de Lilia Moritz Schwarcz para o Roda Viva (TV Cultura), em 7 de setembro de 2022.

3 - TELLES, Manoel dos Passos de Oliveira. Bebe água. In: Sergipenses: escriptos diversos. 2ª. Ed. São Cristóvão: Editora UFS; Aracaju: IHGSE, 2013, p. p. 263. 

4 - SANTIAGO, Serafim. Annuario Christovense ou Cidade de São Christovão. São Cristóvão: Editora da UFS, 2009, p. 262.

5 – Idem, p. 263.

6 - FREITAS, Itamar. Aracaju: uma história em quadrinhos. Aracaju: TECNED/SEMED/PMA, 2011.

7 - Inácio Joaquim Barbosa era negro: https://www.youtube.com/watch?v=7QmdX8c6WbM, consulta 28/2/2026.

 


A NEGRITUDE DESFILOU NA MUDANÇA DA CAPITAL - I


 

 

`Por Thiago Fragata*

Na entrevista ao programa Roda Viva (TV Cultura), de 7/9/2020, Lilia Moritz Schwarcz, esclareceu que o revisionismo sobre intelectuais, focando a raça, caso de Machado de Assis e Lima Barreto, por exemplo, acontece como demandas do nosso tempo. O revisionismo é próprio das questões acadêmicas e/ou da dinâmica das ciências de um modo geral. (1) Pois bem, em 12/5/2022 lancei palestra e vídeo “Negritando a História de Sergipe: Inácio Joaquim Barbosa, Horácio Hora e Tobias Barreto”, inclusive, com lançamento na Escola do Legislativo de Sergipe (ELESE), em Aracaju. A iniciativa demonstrava como o fenômeno do embranquecimento machadiano ou do silenciamento sobre a raça, o que favorecia/favorece o racismo estrutural, repetiu-se aqui. Gostaria de pontuar, aproveitando momento alusivo a Mudança da Capital (17/3), a negritude das personalidades de proa daquele contexto, refiro-me ao governador Inácio Joaquim Barbosa, que assinou a Resolução 413 visando a transferência da capital de São Cristóvão para Aracaju em 1855; e João Nepomuceno Borges, o popular João Bebe Água, principal opositor da decisão política.

O padre Aurélio Vasconcelos de ALMEIDA, principal biografo de Inácio Barbosa, fez vistas grossas sobre a raça. No volume I, Esboço biográfico de Inácio Barbosa (2000), ele não apresenta nenhuma informação sobre a ascendência do sujeito; nem europeia, nem africana. Digamos que o pesquisador seguiu a mesma tendência das biografias sobre Machado de Assis. (2)

Vejamos 3 questões pendentes a comprometer o embranquecimento do governador da Mudança da Capital:

ORIGEM OMITIDA - Tivesse o padre biógrafo formulado juízo crítico quanto a ascendência africana de Inácio Joaquim Barbosa (filho), teria questionado os motivos do Imperador D. Pedro I recusar a súplica de Inácio Joaquim Barbosa (pai), visando a condecoração da venerável Ordem de Cristo, distinção reservada exclusivamente a cristãos de sangue europeu. O primeiro pedido do genitor data de 26 de julho de 1827; 17 anos depois, 1844, renova o pedido, agora a D. Pedro II, em nome dos bons serviços prestados a causa da independência. Mesmo descurando a crítica, autor deixa pistas, ao traçar partida do distinto e rico militar fluminense: “não se sabe em que posto servira Inácio Joaquim Barbosa (pai) ao Exército da 2ª. Linha, nem qual era a sua nacionalidade. Brasileiro, ou português naturalizado brasileiro, dos muitos que aderiram à causa da Independência do Brasil?”. (3)

APELIDO CATINGA – No seu artigo “O barão de Maruim e o processo da Mudança da Capital”, o professor Dr. Dênio Azevedo, seguindo perspectiva inaugurada por Sebrão Sobrinho, em Laudas para História do Aracaju (1955), mostra o governador Inácio Barbosa como um ajudante de ordens (capitão do mato!?) de João Gomes de Melo. (4) Então rememora verso de mal-dizer (racista!). Eis a passagem:

“As armas mais fortes utilizadas pelo povo revoltado de São Cristóvão foram as palavras escritas em inúmeras quadras recolhidas nas ruas do município. Em uma delas mostra bem como os patriotas cristovenses sabiam da influência do Barão de Maruim na transferência da capital para as praias desertas do Aracaju e demonstra, na visão delas, a verdadeira posição de Inácio Barbosa que no texto aparece como “catinga”, devido a sua cor parda, sempre seguido um caminho trilhado pelo seu mentor: O Barão tá no inferno / o Batista na profunda / o Catinga vai atrás / com o cofre na cacunda”. (5)

MULATO POBRE – Manoel dos Passos de Oliveira Telles, por sua vez, difundiu em Sergipenses (1900) uma estória recolhida na boca do povo da ex-capital. Ei-la: “Inácio Barbosa queria transferir a sede do governo sergipano de São Cristóvão para Laranjeiras e, para tal fim, viajou até a próspera cidade da Cotinguiba, com a intenção de acertar, em definitivo, a transferência. Aconteceu, todavia, num jantar oferecido ao Presidente, um fato desagradabilíssimo. Um dos oradores teria dito que Inácio Barbosa era um mulato pobre, mas honrado, cuja família ele muito conhecia. Estava presente ao banquete uma jovem do engenho Brejo, pretendida do Presidente. Inácio Barbosa compreendeu, então que fora de água abaixo o seu romance de amor. Um mulato, mesmo que fosse o Presidente da Província, não poderia almejar pertencer a uma das mais importantes famílias da aristocracia açucareira de Sergipe. Furioso e amargurado, o Presidente deixou Laranjeiras. Apeiou-se, exausto, após uma longa jornada, nas praias desertas do Aracaju. Por isso, diziam os velhos de São Cristóvão e Manoel dos Passos acreditou, a capital foi transferida para Aracaju, e não para Laranjeiras”. (6)

Rechaçando toda e qualquer possibilidade de Inácio Barbosa ter sido “um mestiço inteligente e letrado”, como escreveu “certo cronista anônimo”, no jornal O Estado de Sergipe, de 17 de março de 1905, (7) o padre Aurélio Vasconcelos de ALMEIDA produziu a contestação inverossímil “Despeito ou recalque passional e racial do Presidente”, no Esboço Biográfico de Inácio Barbosa, volume II. (8) Continua


*THIAGO FRAGATA – Historiador, poeta, multiartista e educador antirracista. Email: thiagofragata@gmail.com Texto publicado no JORNAL DO DIA. Aracaju, 7 de março de 2026.

FONTES CONSULTADAS: 1 – Entrevista de Lilia Moritz Schwarcz para o Roda Viva (TV Cultura), em 7 de setembro de 2022.
2 - SOARES, Claudio. Os biógrafos e as biografias de Machado de Assis. Consulta em 23/2/2026. https://www.brasildefato.com.br/2022/07/19/os-biografos-e-as-biografias-de-machado-de-assis/
3 - ALMEIDA, Aurélio Vasconcelos de. Esboço biográfico de Inácio Barbosa – vol. I. Aracaju: Gráfica Sercore, 2000.
4 - SOBRINHO, Sebrão. Laudas para História de Aracaju. Aracaju: PMA, 1954, p. 224.
5 - AZEVEDO, Dênio. O barão de Maruim e o processo da Mudança da Capital. RIHGSE. Aracaju, n. 38, 2009, p. 165.
6 - CALASANS, José. Aracaju e outros tema sergipanos. 2ª. Ed. São Cristóvão: Editora UFS; Aracaju: IHGSE, 2013, p. 88-89.
7 - WYNNE, Pires. História de Sergipe. Rio de Janeiro: Pongetti, 1972, p. 178.
8 - ALMEIDA, Aurélio Vasconcelos de. Esboço biográfico de Inácio Barbosa – vol. II. Aracaju: Funcaju/Gráfica Sercore, 2000, p. 107-117. 
 

 

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