domingo, 6 de agosto de 2017

MESTRE RINDÚ - HOMENAGEM PÓSTUMA

Foto dos Anais do  Seminário Nacional de Políticas Públicas para das Culturas Populares
em Brasília, 2005.
 


2016... O último sábado, 5 do mês do folclore, silenciou José Gonçalo dos Santos, 75 anos, mais conhecido como Mestre Rindú. Ele nasceu no Apicum Merém, em 18 de setembro de 1940. Sua voz gultural não mais comandará a percusão da Caceteira, o bendito da Chegança, grupos que se moviam encantados pela sua pantomima. Os estudiosos dos ritos folclóricos creditavam à herança familiar o fator determinante do conceito e da sua preservação. A Caceteira estava na vida dele desde criança. Lembremos o seu depoimento: “comecei muito cedo, tinha lá por uns 8 anos. Todo mundo da minha família brincava caceteira. Zé Filomeno, meu avô e minha avó Antonia, meu pai Gino Alfredo dos Santos e minha mãe Maria Noêmia dos Santos. Era tudo na brincadeira uma animação danada. Ai a gente ia vendo, aprendendo e daí a uns tempo tava dançando a Caceteira e outras coisas mais. Dentro dela, tou até hoje.”(1)

Conheci o Mestre Rindú no ano de 2005, quando trabalhei na Secretaria Municipal de Cultura, na condição de Diretor Cultural, gestão do saudoso prefeito Zeziho da Everest (2005/2006). No ano seguinte, integramos a comitiva sergipana que participou do Seminário Nacional de Políticas Públicas para das Culturas Populares, em Brasília. Guardo com carinho uma foto sua vestido de Capitão da Chegança que ilustrou publicação do evento. (2)

Passaram-se 10 anos e o Mestre Rindú não parou os ensaios e as apresentações da Caceteira e da Chegança, mesmo com dificuldades financeiras, desfalque de brincantes, etc. Em praticamente todos os eventos culturais do Estado seu grupo foi presença indispensável.

Folcloristas como Luiz Antônio Barreto e Aglaé Fontes pesquisaram e publicaram obras dedicadas ao assunto. Aliás, Aglaé Fontes, na condição de Secretaria de Cultura de São Cristóvão da gestão de Alex Rocha (2008/2012), publicou a obra “Mestre Rindú”. (3)

Das homenagens grangeadas por José Gonçalo dos Santos, um simples pescador que se fez Mestre Rindú numa jornada memorável pela cultura popular, vale destacar:
  • Medalha Mestre Candunga, outorgada pela Prefeitura Municipal de Laranjeiras, no Encontro Cultural de Laranjeiras, 2011;
  • Medalha Mérito Cultural Tobias Barreto, outorgada pelo Governo do Estado de Sergipe, no ano de 2015.

E pertinente lembrar que até a década de 1980 haviam mais de uma caceteira na cidade, nomes como Zeca de Noberto, Dona Biu, João de Cota, comandaram esta brincadeira. Mas durante os últimos 20 anos, o Mestre Rindú tornou-se o ícone absoluto da Caceteira. A caceteira é uma manifestação folclórica do período junino, exclusiva de São Cristóvão. Entoando cantigas do cancioneiro popular, homens e mulheres compõem o cortejo animado por zabumbas, ganzás e cuícas. O nome caceteira lembra o processo artesanal de sova do couro dos instrumentos de percussão e o próprio batuque “à base de cacetes”.

De acordo com a tradição, todos os anos, no dia 31 de maio, a Caceteira percorre as ruas do centro histórico numa batucada que festeja a chegada do mês junino. A meia-noite, o repique dos sinos das igrejas centenárias é louvado com emoção: “o sino do Carmo abalou, abalou, deixa abalar”, diz o refrão. (4)

O Mestre Rindú que abalou a vida cultural de São Cristóvão, seguiu para o plano espiritual, no domingo, (6/8) após missa de corpo presente, canto do bendito da Chegança e últimas homenagens de autoridades, parentes, amigos e admiradores. Doravante, no mês dedicado ao folclore, os brincantes terão um motivo a mais para pular: preservar a memória do Mestre Rindú.


Relíquias do Mestre Rindú. Foto: Thiago Fragata, 2017.



*Historiador e poeta. Email: thiagofragata@gmail.com
Texto publicado no jornal Tribuna Sergipe Del Rey. São Cristóvão, set. 2016.
REFERÊNCIAS
1 - Entrevista do Mestre Rindú para Aglaé Fontes, concedida a Aglaé d'Ávila Fontes em 2012.
2 - Seminário Nacional de Políticas Públicas para das Culturas Populares. 2a. Edição. Brasília: Governo Federal/MinC, 2016, p. 10.
3 - FONTES, Aglaé d'Ávila. Mestre Rindú - José Gonçalo Santos. São Cristóvão: PMSC/FUNPATRI, 2012.
4 - FRAGATA, Thiago. Mestres do Folk: Mestre Rindú, 10 de agosto de 2007,



sábado, 1 de julho de 2017

SÃO CRISTÓVÃO TERÁ UMA ACADEMIA DE LETRAS

Thiago Fragata, José Lucio, Maria Rita, Alda Cruz, Domingos Pascoal, Carlos Pinna de Assis

Domingos Pascoal e Carlos Pinna de Assis, da Academia Sergipana de Letras (ASL), receberam na tarde de sexta, 14/6, uma comitiva de intelectuais de São Cristóvão liderada pelo historiador e poeta Thiago Fragata para tratar dos últimos detalhes da criação da Academia Sancristovense de Letras (ASCLE). 

A solenidade de instalação da agremiação literária abre a programação do VII Aniversário da Chancela da Praça São Francisco Patrimônio da Humanidade, no dia 1 de agosto, terça, às 10 horas. O local escolhido foi o auditório do Museu de Arte Sacra de São Cristóvão, salão do Convento São Francisco que abrigou no século XIX a Biblioteca Provincial de Sergipe. 

 
Thiago Frag ata, Maria Rita,Domingos Pascoal, Alda Cruz, José Lucio 

sexta-feira, 3 de março de 2017

A MUDANÇA DA CAPITAL - TEATRO EM SUA ESCOLA




O projeto Retratos de Sergipe apresenta a peça “A Mudança da Capital”, com produção e direção teatral de Raimundo Venâncio. A obra teve a concepção artística e consultoria de Thiago Fragata, pesquisador da vida de João Nepomuceno Borges mais conhecido como João Bebe-Água.

A peça teatral com estréia marcada para terça, 14/03, poderá ser apresentada em sua escola. Não perca tempo, quem contratar a apresentação terá direito a uma palestra de Thiago Fragata (bônus).

Valor do cachê: R$ 500,00 (Quinhentos Reais)

Contatos: (79) 99908-1664 (Rose) - 99840-2887

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

RODA DE LEITURA HISTÓRIA EM QUADRINHOS


Por Thiago Fragata

Na manhã da quarta-feira, 25/01, aconteceu o lançamento do projeto “Ler para viver bem”, realizado pela Fundação Municipal de Cultura e Turismo “João Bebe-Água”, em São Cristóvão/SE. A programação, dividida em dois momentos, contou com o lançamento da exposição do artista plástico Rubens Maia e de uma roda de leitura dedicada as Histórias em Quadrinhos (HQ’s). A temática é oportuna visto que a primeira manifestação artística da História em Quadrinhos, no Brasil, é “As aventuras de Nho-Quim”, obra do italiano Angelo Agostini (1843/1910) foi publicada no dia 30 de janeiro de 1869, por isso considerado o Dia Nacional da História em Quadrinhos

EXPOSIÇÃO - RUBENS MAIA: O HOMEM E SUA OBRA


Rubens Maia, 80 anos, é um artista novo em seu ofício. A exposição aberta ao público na Biblioteca Pública Municipal Lourival Baptista, de São Cristóvão, é a sua primeira individual mas ele já participou de mostras coletivas na cidade de Aracaju. Natural de Friburgo, Rio de Janeiro, filho de José Maia e Zilah Camarim Maia, fez um curso de Pintura na Escola de Artes de Salvador, Bahia, há alguns anos atrás mas esteve longe das telas e pinceis por motivo de doença.

Ele Chegou a São Cristóvão em 2013, apenas para conhecer a cidade e resolveu ficar, repetindo a decisão do artista plástico e restaurador Nivaldo Oliveira. Rubens Maia criou o Jornal Tribuna Sergipe Del Rei em parceria com Edcarla Soraia. Voltou as Artes Visuais incentivado pelo artista plástico sergipano Valter Soares, enquanto seu aluno prodígio hoje é membro da Associação dos Artistas Plásticos do Estado de Sergipe.

Exerceu diversas atividades ao longo da vida. Foi treinador de Futebol, Conselheiro Tutelar e Empresário, até que descobriu ao se aposentar a arte de pintar.

O artista conversou sobre o processo de criação. Ele respondeu a rodada de perguntas dos alunos do Centro Educacional Prado Meireles. 

Maria Gloria apresentou a Mudança da Capital em HQ


A RODA DE LEITURA HISTÓRIA EM QUADRINHOS

A roda de leitura foi coordenada por Rafaela Pereira, bibliotecária que coordena as bibliotecas municipais. Seguiram-se as apresentações dos contadores e respectivas obras selecionadas:

Maria da Conceição Felix Nascimento, acadêmica de Letras (UFS), funcionária da Biblioteca Livro Aberto leu Lampião em Quadrinhos (1997), de Ruben Wanderley Filho. 



Maria Gloria Santos, poetisa e Diretora de Cultura e Arte (FUNDACT/PMSC), leu “Aracaju: uma História em Quadrinhos” (2011), de Itamar Freitas, Eduardo Oliveira e Thiago Neumann.


Thiago Fragata, historiador, poeta e Diretor de Turismo (FUNDACT/PMSC), compartilhou laudas da obra “O crime da mala”, de Horácio Hora, exposta a visitação pública no Museu Histórico de Sergipe, unidade da Secretaria de Estado da Cultura (SECULT). Primeiro o historiador chamou atenção da plateia que se trata de uma história em quadrinhos pioneira. Em seguida, denunciou que a revelia da proibição de fotografar e divulgar imagens da obra em questão a mesma ilustra a re-edição de “O crime da mala: um erro judiciário”, de Evaristo de Morais. Nesse livro a obra de Horácio Hora aparece desprovida do seu nome e do lugar que preserva a original.


Livro publicado no Maranhão em 2011 omite nome do ilustrador


REPRISE DA RODA DE LEITURA HQ

Na manhã da quinta, 26/01, reprisamos a roda de leitura História em Quadrinhos na Biblioteca Livro Aberto, localizada na rua N. 50, do Bairro Eduardo Gomes, diante de uma turma de alunos da Escola Estadual Hamilton Alves Rocha.







quinta-feira, 29 de setembro de 2016

CICERONE ATENDE TURISTAS, PESQUISADORES E ESTUDANTES


Deseja conhecer São Cristóvão com um historiador e poeta?

Thiago Fragata é conhecido como cicerone de São Cristóvão. Poeta, contador de estórias e o historiador mais experiente quando o assunto é a famosa “quarta cidade mais antiga do Brasil”, a primeira capital do Estado de Sergipe.



SERVIÇO: PALESTRA E GUIAMENTO

Recepciona turmas até 30 alunos ou grupos de turistas, atende com exclusividade.

Palestra para público de todas as idades; guia pelas ruas, praças e igrejas do centro histórico de São Cristóvão; diverte e presta informações com respaldo em pesquisas históricas e obras da literatura. Suas reflexões envolve arte, religião e História. 
Na cidade que respira História e poesia, procure alguém que seja historiador e poeta.

Disponibilidade: sexta, sábado e domingo

Pró-labore mínimo R$ 100,00 (cem reais)



CONTATO:

ZAP (79) 99122-6477 


CONFIRA FOTOS DO GUIAMENTO REALIZADO POR THIAGO FRAGATA A TURMA DO CENTRO UNIVERSITÁRIO ESTÁCIO DO CEARÁ – FORTALEZA – EM JULHO 2016

Recepção. Conversa descontraída sobre a experiência histórica da cidade
Guiamento pelos principais pontos do circuito histórico

conhecer e registrar Igreja da padroeira, Nossa Senhora da Vitória
palestra com recital poético dedicado a cidade
Registro do grupo satisfeito com guiamento

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

A Saga dos bem-te-vis: um passeio por São Cristóvão entre a poética e as gravuras*



Nivaldo Oliveira, Thiago Fragata e a obra. Foto: Danielle Pereira 2015

Magno Francisco**
Na minha infância, eram corriqueiras as conversas familiares no entardecer, na hora da refeição ou nas farinhadas. Tratava-se de momentos únicos na transmissão dos saberes, pois os avós e pais narravam suas aventuras, reproduziam com encanto as lendas e os mistérios do mundo rural. Saudosismo a parte, foi em uma dessas ocasiões que ouvi falar da estória da sagrada família em fuga das tropas de Herodes. De acordo com essas frágeis lembranças, após o nascimento de Jesus, a sagrada família fugia e se escondia dos soldados temendo o assassinato do Menino Deus. Nessas fugas, duas aves os acompanhavam: uma andorinha e um bem-te-vi. A andorinha seguia o jumentinho, apagando os rastros da caminhada, dizendo: “fogo pagou, por aqui não passou”. Na sequência, vinha o bem-te-vi, falastrão: “Olhe que eu vi”. 

Essa narrativa reproduzida dramaticamente para as crianças de outrora, era uma justificativa para a sacralidade da andorinha e a maldição do bem-te-vi. Contudo, podemos buscar um elemento que extrapola o nível do sagrado, que é a questão da memória. O bem-te-vi, com esse episódio teria perdido a proteção humana, mas revelou um ato de fundamental importância para o mundo ocidental: a capacidade de lembrar e, principalmente, a sagacidade de testemunhar. Trata-se de um dos pilares da escrita da história nos moldes pensados na cultura greco-romana. Por isso, a traição sagrada, tão reproduzida nos tempos de tortura, pode ser relativizada ou até mesmo redimida com a percepção de sua perspectiva de testemunha de seu tempo. 

É exclusivamente por essa vertente que vejo uma aproximação entre a ave mítica e dois artistas que publicaram a inspiradora “São Cristóvão, poética e xilogravada”. Thiago Fragata e Nivaldo Oliveira, uniram forças e talento para produzir uma obra concebida como um testemunho de sua época, um passeio revelador das práticas cotidianas e exuberantes da antiga capital sergipana. O verbo, cadente e denunciante, se materializa e revela-se em imagens fortes e firmes, com as xilogravuras do artista que se integrou a alma da velha cidade. 

A cooperação entre os dois artistas, por vezes, nos remete a episódios icônicos da experiência historiográfica nacional, entre as quais a exitosa viagem, realizada nos idos de 1917, do historiador Rocha Pombo e do artista Galdino Guttmann Bicho pelo norte do Brasil, no processo de feitura de um livro de história pátria. Ao contrário dos intelectuais pretéritos, Thiago Fragata e Nivaldo Lima não se deslocaram, virando-se de costas para seu torrão natal. Com perspicácia e técnicas artistas diferenciadas, os artistas olharam para as cenas do cotidiano. Reviraram suas memórias, como quem lida com um baú e estranha seu próprio acervo. 
São Cristóvão, poética e xilogravada, é, acima de tudo, um registro de um olhar entrecruzado, ou seja, o que foi visto e vivido no tempo presente, sentido no presente próximo das reminiscências da infância ou do pretérito longínquo, lido nos cronistas da terra. Os olhares, além de revelarem as cenas vivenciadas, denunciarem as questões coloquiais de uma cidade pacata que se reinventa em suas festas e tradições; expressam o posicionamento de quem olha. O olho do artista plástico revelado nas gravuras registradas a altura do povo, como nas gravuras “Procissão”, “Aguadeiro” e “Vendedor de peixe”. O restaurador emerge entre as camadas populares, entre os atores do folclore e das celebrações populares. 

Por sua vez, o “Poeta das ladeiras”, mostra-se em oscilação nas suas reminiscências literárias, pois por vezes emerge entre os atores sóciais das ruas estreitas da cidade, como ocorre na empolgante poesia “Muqueca” e em outros momentos pinta um cenário que denuncia o seu apurado ângulo de percepção, como “Um quadro noMuseu”, expressivo olhar do diretor do Museu Histórico de Sergipe que via o seu lugar de trabalho como a moldura de uma obra de arte que é patrimônio cultural da Humanidade. 

No passar das páginas, de excelente qualidade gráfica, percebe-se que o poeta mostra-se como um cicerone, o guia que apresenta a nostálgica São Cristóvão, “cidade minha, metáfora de todos” (FRAGATA, 2015, p. 11). A urbes é tida como a “cidade-poesia” ou “doce cidade”, com suas castanhas carameladas, barquinhos confeitados, queijadas e má-casados. Cidade dos sabores. Contudo, a cidade se revela como o centro da Misericórdia, na qual: 

“Tem a saga do nazareno
Cidade vestuta, de portas pesadas
Barroca pela própria natureza:
Pedras, cruzes, promessas
Misericórdia!
Procissão e alarido, sedentas bocas
Silêncio para o sermão de Barroso
Ecos, flertes, suor e cabelo queimado” (FRAGATA, 2015, p. 29).

É a cidade das ladeiras, na qual “certeza, a ladeira da Prefeitura é a maior de todas, faz romeiro desistir das promessas... E subir o Cristo!” (FRAGATA, 2015, p. 35). Contudo, essas ladeiras não impede o cicerone de palmilhar as ruas estreitas da capital de outrora. 
“Senhor dos Passos, no Alto da Favela
Guia dos meus passos
Águia de vôos rasos
Benvindo, romeiro de túnica e laço
Itabaiana, Itabaianinha, Lagarto
Sigo você ao Convento do Carmo (FRAGATA, 2015, p. 37).

Com o sancristovense penitente, busca sem êxito “um Cirineu para dividir o andor. É muita dor” (FRAGATA, 2015, p. 63). Mergulha nas dores do passado, com perda do título de capital, com a esperança inglória, pois “Dias de glória esperam nosotros espartanos. E, se não acontece o milagre de Passos, somos homens de pouca fé” (FRAGATA, 2015, p. 65). Por isso, do Museu, ele acompanha o Senhor dos Passos em todos os seus passos: 

Um passo, sete passos
Compassado
Os passos, os romeiros
Passaram cantando pela janela do sobrado
Eram pássaros trinados
Eram canoros, num era o besouro
 Zunindo sobre as cabeças (FRAGATA, 2015, p. 67).

Com isso, o cicerone junta-se ao romeiro, faz a “Promessa de Gregório” e diz: 

“Senhor dos Passos, perdoe
pequei no carnaval (...),
dos sete pecados vezes sete
por causa da festa momesca”.

Caminha e retorna ao Convento do Carmo e liberta a imaginação: 

“Todo ex-voto guarda o milagre
Mistério, um segredo
Revela o nome do santo
Imaginamos a graça
Do promesseiro
O ex-voto desafia
A imaginação alheia
Não é o mistério da fé
A graça vencendo a desgraça (FRAGATA, 2015, p. 69).

Na obra, tão vistosa e igualmente sonora, a graça do olhar sobre a vetusta capital vence por completo a desgraça do desânimo pela perda do título que outrora ostentava, das mazelas políticas vivenciadas no presente e, quem sabe, até mesmo das denúncias heréticas do bem-te-vi nos tempos míticos. Desse modo, pode-se inferir que “São Cristóvão poética e xilogravada” nasce como um valioso testemunho de seu tempo e cobre a função de grande beleza e encanto, do regenerado canto do bem-te-vi. É uma obra para ser lida, vista e sentida, pois nos remete as coisas do nosso povo. Usando do trocadilho, é uma fragata que vale a pena ser navegada.

*Resenha postada no Boletim da Pio Décimo, dezembro 2015. 
** Doutor em História pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Mestre em Educação pela Universidade Federal de Sergipe (UFS), Professor da Faculdade Pio Décimo. Resenha postada no Boletim da Pio Décimo, dezembro 2015.

sábado, 26 de setembro de 2015

PASSO A PASSO: A CAMPANHA VITORIOSA DO POETA SONHADOR

Intervenção poética no lançamento do Jornal Tribuna Sergipe Del Rey, 1/7/2015


A decisão de engavetar meus livros de História e fazer a campanha para publicação do primeiro livro de poesia pelo Catarse foi tomada por duas razões: a) minha revolta em perceber que há uma década lançei “O manifesto em defesa da poesia diária nos jornais sergipanos”, ou seja, o livro atualiza ou amplifica a grita por mais poesia e menos violência na imprensa urubú; b) acenar para os tantos amigos artistas de Sergipe que o Catarse é uma alternativa viável não apenas para a música mas também para literatura. Em resumo, o Catarse pode ser difinido como uma ferramenta de crowndfunding (financiamento colaborativo de projetos culturais para as diversas linguagens artísticas).

A vitoriosa campanha “O poeta precisa sonhar, ajude” foi lançada no dia 24 de junho, com video produzido pela minha amada esposa Marcia Arévalo. Como sei do alcance limitado da internet levei a campanha para os recitais e todos os eventos da minha agenda. Fui agraciado com parceiros que abraçaram a causa, contribuindo para sua divulgação. Aqui devo lembrar que muitos compartilharam nas redes sociais, impossível citar a todos... O plano traçado junto com o artista Nivaldo Oliveira era arrecadar fundos para publicação do livro “São Cristóvão poética e xilogravada”. Nesta obra constará 30 poesias da minha lavra inspiradas no universo cultural da cidade, sua gente e seu belo patrimônio. Encerrada no último dia 24 de agosto, venho agradecer e compartilhar os principais atos da jornada.

As mobilizações dos amigos e simpatizantes, em alguns momentos, levou-me aos prantos. Não esquecerei que no dia do amigo recebi a notícia que Dinha da AMI (Associação da Melhor Idade) iria rifar um liquidificador para angariar R$ 300,00 reais em prol do livro que homenageará a sua amada cidade. Recordo suas palavras no dia da entrega do precioso recurso: “você merece!” Familiares de alguns personagens (Manoel Ferreira, Almerinda Parteira, Zé Véinho) que figuram nas poesias se cotizaram para ajudar na empreitada.

Não fiquei navegando na net, fui a campo, lutar pelo sonho. Uma juntada para recapitular os melhores momentos da campanha:


RECITAIS & ENTREVISTAS (TV E RÁDIO)

Entrevista na TVC São Cristóvão, com Nélio Miguel (8/7). Recitei a poesia “N'atividade”

Entrevista no programa “Mestres da Música”, da Rádio Aperipê FM, apresentador Jeová Santana (27/8). Recitei a poesia “N'atividade”.

Recital no I Café Cultural do Atelier Nivaldo Oliveira (8/7). Performance ao lado de Lola Arévalo, 7 anos, que adora poesias. Amigos Efigênia, Dilson Ferraz, Kleckstane Farias, dentre outros, fizeram leitura de poesias inéditas.

Recital na Feira de Troca Solidárias organizada pela Ong SAHUDE, no Parque da Sementeira, em Aracaju (9/7). Fiz uma performance ao lado de Lola Arévalo, 7 anos, que adora poesias.

Intervenção na Solenidade de Aniversário do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe (IHGSE), (6/8). Recitei a festejda poesia “Muqueca”.

Roda de leitura “É nosso, o Patrimônio”, no Museu Histórico de Sergipe, (17/8). Fui homenageado e recitei poesia “Praça São Francisco das lembranças”.

Intervenção poética no lançamento do Jornal Tribuna Sergipe Del Rey (1/7). Fiz uma performance ao lado de Lola Arévalo, 7 anos, que adora poesias.

Intervenção poética na reunião do Comitê Gestor da Praça São Francisco. Recitei N'atividade e Muqueca.

MATÉRIAS NA NET

“Resisto e insisto: a poeisa vale a pena”, matéria na Revista Rever, postada no dia 20/8.
donativos. Site do TCE/SE (Tribunal de Contas do Estado de Sergipe)

“Novidades da campanha O poeta precisa sonhar”. Blog Cicerone de São Cristóvão

“Dê o seu lance! Leilão virtual de obras-raras”. Blog Cicerone de São Cristóvão

“Um livro de poesias sobre São Cristóvõa pelos Correios”. Blog da SAHUDE

IMPRESSOS

Informes da campanha na minha coluna “Cul(SC)turando”. Jornal Tribuna Sergipe Del Rey. São Cristóvão, edições de julho, agosto e setembro.

Marcador de divulgação publicado na “Coluna do Osmário”. Jornal da Cidade. Aracaju, 29 de julho 2015.

CARTAZ

Arte em xilogravura “Praça São Francsico” escolhida para capa do livro foi liberada para elaboração do cartaz da Festa do V Aniversário do Titulo de Patrimômio da Humanidade concedido a esta praça. Evento ocorreu no dia 1 de agosto de 2015


GALERIA DE IMAGENS

Recital na Feira de Troca Solidárias - 19/7/2015
Recital no I Café Cultural, 8/7/2015
Recital no I Café Cultural, 8/7/2015
Nivaldo Oliveira apresenta o livro-caixa
A escolha da capa do livro sonhado
Lançamento do Jornal Tribuna Sergipe Del Rey, 1/7/2015
Entrevista no programa “Mestres da Música”, 27/8/2015
Intervenção poética no Aniversário do IHGSE, 6/8/2015
Roda de leitura “É nosso, o Patrimônio”, 17/8/2015