quarta-feira, 24 de outubro de 2018

GREGÓRIO DE MATOS GUERRA EM SÃO CRISTÓVÃO (1693)



Thiago Fragata*

A literatura barroca do século XVII tem Gregório de Matos Guerra (1636/1695) como representante na seara da poesia. O artista baiano gerou polêmica com sua produção, dessa forma foi mais odiado que amado por todos que faziam a sociedade, especialmente os representantes da igreja e do Estado. O “Boca do Inferno”, como apelidado pelos desafetos, foi excomungado, exilado, enfim, perseguido em razão das ofensas e/ou atitudes. Ele esteve em São Cristóvão, “a Cidade de Sergipe D'El Rey”, por volta de 1693, antes de viajar para o degredo na África. Foi no trabalho do historiador Luiz Mott, intitulado “três sonetos seiscentistas”, que tomei conhecimento dos versos satíricos que Gregório de Matos Guerra dedicou a urbe sergipana. (CONTINUA)

Artigo completo no Jornal Tribuna Sergipe Del Rey, edição de outubro. 

Assine com Edcarla Soraia, mande email: edsoraia@gmail.com

Já foram publicados:
JORGE AMADO EM SÃO CRISTÓVÃO
SAVAGET EM SÃO CRISTÓVÃO
IRMÃ DULCE EM SÃO CRISTÓVÃO
D. PEDRO II EM SÃO CRISTÓVÃO
CÂMARA CASCUDO EM SÃO CRISTÓVÃO


OBS: você pode receber qualquer texto em PDF mediante pagamento de taxa de serviço R$ 30,00. Mande recibo para e-mail: thiagofragata@gmail.com  

terça-feira, 27 de março de 2018

CLUBE DE LEITURA QUE ESTAVA FALTANDO EM SÃO CRISTÓVÃO

UNIÃO POR UMA CIDADE LEITORA
O brasileiro lê pouco, cerca de 4 livros/ano  conforme dados da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil em 2016. O dado é vergonhoso. Precisamos fazer algo para mudar essa triste realidade. A Academia Sancristovense de Letras (ASCLE), em parceria com a Fundação Municipal de Cultura e Turismo João Bebe-Água e a Secretaria Municipal de Educação, ambas da Prefeitura Municipal de São Cristóvão, e a Rádio Nova 106 FM, realizará durante todo o ano de 2018, a começar pelo mês de ABRIL, o Clube de Leitura São Cristóvão. 

COMO VAI FUNCIONAR?
A proposta do Clube de Leitura São Cristóvão é incentivar a leitura de 1 livro por mês, sendo que em 2 oportunidades convidará os leitores para um encontro para tratar da obra. Primeiro será uma Roda de leitura na Biblioteca Pública Senador Lourival Baptista, centro histórico de São Cristóvão, o que acontecerá ao final da primeira quinzena, entre os dias 15 e 17. Segundo, ao final do mês, entre os dias 29 e 31, será realizado o Encontro com o Escritor, um bate-papo com a personagem principal do livro, um desconhecido para maioria dos leitores.    


O LIVRO RECOMENDADO PARA O MÊS DE ABRIL É


À MARGEM DO RIO
AUTOR: SILVÉRIO VIEIRA DANTAS 
ANO: 2015

DESEJA PARTICIPAR?
Interessados em participar do Clube de Leitura já pode pegar o livro emprestado na Biblioteca Pública Municipal Senador Lourival Baptista, centro histórico de São Cristóvão. Mas se preferir, pode comprar o seu exemplar por R$ 15,00. Contato (79) 9609-6788

sexta-feira, 16 de março de 2018

CONSULTA PÚBLICA DA PRAÇA SÃO FRANCISCO


O Comitê Gestor da Praça São Francisco, único patrimônio cultural sergipano a receber reconhecimento da UNESCO, realizará uma Consulta Pública na quarta-feira (21/3), às 19 horas, na Igreja Santa Isabel, localizada na referida praça do centro histórico de São Cristóvão. Este comitê é uma agremiação mista composta por representantes da comunidade, do comercio, do governo municipal, estadual e federal. Criado em 2014, por recomendação da UNESCO, o grupo pretende ouvir a comunidade, especialmente moradores do centro histórico, e assim coletar informações para finalizar um Plano de Gestão. A meta é, portanto, cumprir esta exigência. E, para fomentar interação com o povo e com os turistas, haverá uma tenda armada na praça durante o dia. 

Vale opinar, reclamar, sugerir. 
Agende e participe!  

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

RODA DE LEITURA E LEMBRANÇAS DO CARNAVAL DE SÃO CRISTÓVÃO


O QUÊ?

A Academia Sancristovense de Letras realizará uma Roda de Leitura e Lembranças do Carnaval de São Cristóvão. Evento objetiva gravar depoimentos e fazer leitura de documentos sobre os festejos de Carnaval do "tempo das fábricas" (1913/1980). 
Convidados especiais: Jorge do Estandarte e Lúcio Batista Silva. 

ONDE?
Na Biblioteca Pública Municipal Lourival Baptista, na Praça São Francisco, centro histórico de São Cristóvão. 

QUANDO?
                           O evento vai acontecer na terça, 6/2, a partir das 9 horas
                                                                  Agende e prestigie!

Jorge do Estandarte
Lucio Batista Silva

APOIO:
Fundação Municipal de Cultura e Turismo João Bebe-Água - FUNDACT 
Prefeitura Municipal de São Cristóvão - PMSC
Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN 

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

FLÔ - O ETERNO PIERRÔ


Flô, detalhe de uma foto de Gladston Barroso 2012.
Pierrô e Colombina são personagens da comédia francesa do século XVI, que do teatro Commedia D’Art e foram incorporados ao Carnaval. Ambos ostentam indumentárias até hoje cobiçadas como fantasias da festa. Em 2018 o Carnaval dos Carnavais de São Cristóvão homenageará Florivaldo Costa Pereira, popular Flô, um eterno pierrô. Portador de irreverência e simpatia irradiante, sua comicidade aumentava no período do Carnaval quando travestido na fantasia que elaborava pulava em todos os blocos possíveis. Nunca foi o folião de um bloco só, seu irmão Gevaldo confirma que ele “nem gostava de blocos mas gostava de Carnaval”.

Flô nasceu em Laranjeiras, cidade (impossível evitar o trocadilho!), no dia 28 de julho de 1940. Chegou menino em São Cristóvão, tinha 7 anos, na companhia do pai Antonio, da mãe Alzira e dos irmãos Gevaldo, Eurides, Selmira e Maria das Dores. O pai decidiu mudar em razão de uma promessa de emprego na Fábrica de Tecidos São Gonçalo. Moraram na Rua do Rosário, n. 240. Flô começou a trabalhar cedo para ajudar a família; enquanto o pai pelejava com a barbearia e o emprego de porteiro da fábrica o jovem fazia pequenos serviços. O aprendizado conquistado no Grupo Escolar Vigário Barroso seria muito útil na vida. Da ajuda frequente ao marceneiro Hermes Pereira, tornou-se aprendiz no ofício. Um dia o marceneiro Flô montou a própria oficina, primeiro nas dependências da Igreja do Amparo, depois na Praça Lourival Baptista.

Não foi numa matinê de Carnaval que o amor apareceu na vida do jovem Florivaldo, mas diante da casa. O nome da Colombina - para lembrar o par romântico do pierrô da comédia francesa -, era Ivanete Paiva Pereira, filha do popular Dandão. A conversa de calçada virou namoro de sala por 12 anos, casamento por 38 anos, o que soma 50 anos de um relacionamento dourado (bodas de ouro!) e duradouro (até que a morte os separe!).

De outras experiências que a vida proporcionou em São Cristóvão, o jovem Flô trabalhou como operário da Fábrica Textil São Gonçalo S. A. (1958/1961), foi negociante e cumpriu mandato de vereador (1970/1972). Chegou a Câmara Municipal de Vereadores pela legenda da Aliança Renovadora Nacional (ARENA), na eleição de 15 de novembro de 1970, compondo com o prefeito Paulo da Farmácia, por coincidência o tio do saudoso José Correia Santos Neto (1962/2008), o Zezinho da Everest, cujo mandato de prefeito teve o mérito de reconfigurar o Carnaval dos Carnavais em 2005.

Durante longos anos, Flô destacou-se como folião animado do Carnaval de São Cristóvão. Dizia e insistia que “marchinha era a verdadeira música do carnaval”, que “não tinha graça Carnaval sem fantasia” por isso é que surpreendia a todos com a irreverência de suas criações. Fantasia para Flô era coisa séria, elas tematizavam questões de interesse nacional ou de conhecimento geral. Exemplos: Flô saiu vestido num avião em 2006, era centenário do voo do 14 Bis, obra do brasileiro Santos Dummont; em 2008, Flô saiu de navio, completava 20 anos do naufrágio do Bateau Mouch sem indenização das vítimas; em 2010,  Flô saiu de tartaruga marinha, naquela ano foi dado alerta máximo do risco de extinção da espécie marinha.  Por tudo o que fez, seu nome ficará na memória sancristovense.

Flô é, sempre será, o eterno pierrô do Carnaval de São Cristóvão. Florivaldo Costa Pereia faleceu no dia 24 de abril de 2017, tinha recebido no carnaval uma comovente homenagem do tradicional Bloco Piranhas, do Apicum Mérem. Flô vive em seus filhos Franklin Paiva Pereira e Ingrid Paiva Pereira Ramos. Na poesia de cordel de Alda Cruz, folheto “São Cristóvão e os antigos Carnavais”, anotei a quadra:

O segundo folião
Era o querido Flô
Um eterno carnavalesco
Um eterno Pierrô
A marcha do carnaval
Ôôôôôôôô Aurora era o ideal
Com apartamento e elevador.


*Historiador e poeta. Presidente da Academia Sancristovense de Letras (ASCLE) e sócio do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe (IHGSE). Email: thiagofragata@gmail.com
FONTES DA PESQUISA
Entrevista de Thiago Fragata com Gevaldo Costa Pereira. São Cristóvão, 15 de janeiro 2018.  
Entrevista de Thiago Fragata com Ivanete Paiva Pereira. São Cristóvão, 12 de janeiro 2018.
CRUZ, Alda. São Cristóvão e os antigos Carnavais. São Cristóvão, 2017. (Literatura de cordel)



Artigo publicado no Tribuna Sergipe D'El Rey. São Cristóvão, março 2017, p. 3.

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

JOSÉ AUGUSTO GARCEZ: LITEROATIVO




Thiago Fragata*

Ele nasceu em São Cristóvão no dia 19 de agosto de 1918. Poeta, historiador, antiquário, um dinâmico agente cultural criador do Movimento Cultural de Sergipe responsável pela publicação 54 livros; articulador do programa Panorama Cultural de Sergipe, da Rádio Difusora PRJ-6. José Augusto Garcez é considerado “Pai da Museologia Sergipana” pois criou um museu particular a época que o Estado era totalmente omisso quanto a importância do patrimônio cultural na formação de um povo.

Confira texto integral no Tribuna Sergipe D'El Rey, edição de dezembro 2017!
Assine com Edcarla Soraya (79) 98822-0757

domingo, 6 de agosto de 2017

MESTRE RINDÚ - HOMENAGEM PÓSTUMA

Foto dos Anais do  Seminário Nacional de Políticas Públicas para das Culturas Populares
em Brasília, 2005.
 


2016... O último sábado, 5 do mês do folclore, silenciou José Gonçalo dos Santos, 75 anos, mais conhecido como Mestre Rindú. Ele nasceu no Apicum Merém, em 18 de setembro de 1940. Sua voz gultural não mais comandará a percusão da Caceteira, o bendito da Chegança, grupos que se moviam encantados pela sua pantomima. Os estudiosos dos ritos folclóricos creditavam à herança familiar o fator determinante do conceito e da sua preservação. A Caceteira estava na vida dele desde criança. Lembremos o seu depoimento: “comecei muito cedo, tinha lá por uns 8 anos. Todo mundo da minha família brincava caceteira. Zé Filomeno, meu avô e minha avó Antonia, meu pai Gino Alfredo dos Santos e minha mãe Maria Noêmia dos Santos. Era tudo na brincadeira uma animação danada. Ai a gente ia vendo, aprendendo e daí a uns tempo tava dançando a Caceteira e outras coisas mais. Dentro dela, tou até hoje.”(1)

Conheci o Mestre Rindú no ano de 2005, quando trabalhei na Secretaria Municipal de Cultura, na condição de Diretor Cultural, gestão do saudoso prefeito Zeziho da Everest (2005/2006). No ano seguinte, integramos a comitiva sergipana que participou do Seminário Nacional de Políticas Públicas para das Culturas Populares, em Brasília. Guardo com carinho uma foto sua vestido de Capitão da Chegança que ilustrou publicação do evento. (2)

Passaram-se 10 anos e o Mestre Rindú não parou os ensaios e as apresentações da Caceteira e da Chegança, mesmo com dificuldades financeiras, desfalque de brincantes, etc. Em praticamente todos os eventos culturais do Estado seu grupo foi presença indispensável.

Folcloristas como Luiz Antônio Barreto e Aglaé Fontes pesquisaram e publicaram obras dedicadas ao assunto. Aliás, Aglaé Fontes, na condição de Secretaria de Cultura de São Cristóvão da gestão de Alex Rocha (2008/2012), publicou a obra “Mestre Rindú”. (3)

Das homenagens grangeadas por José Gonçalo dos Santos, um simples pescador que se fez Mestre Rindú numa jornada memorável pela cultura popular, vale destacar:
  • Medalha Mestre Candunga, outorgada pela Prefeitura Municipal de Laranjeiras, no Encontro Cultural de Laranjeiras, 2011;
  • Medalha Mérito Cultural Tobias Barreto, outorgada pelo Governo do Estado de Sergipe, no ano de 2015.

E pertinente lembrar que até a década de 1980 haviam mais de uma caceteira na cidade, nomes como Zeca de Noberto, Dona Biu, João de Cota, comandaram esta brincadeira. Mas durante os últimos 20 anos, o Mestre Rindú tornou-se o ícone absoluto da Caceteira. A caceteira é uma manifestação folclórica do período junino, exclusiva de São Cristóvão. Entoando cantigas do cancioneiro popular, homens e mulheres compõem o cortejo animado por zabumbas, ganzás e cuícas. O nome caceteira lembra o processo artesanal de sova do couro dos instrumentos de percussão e o próprio batuque “à base de cacetes”.

De acordo com a tradição, todos os anos, no dia 31 de maio, a Caceteira percorre as ruas do centro histórico numa batucada que festeja a chegada do mês junino. A meia-noite, o repique dos sinos das igrejas centenárias é louvado com emoção: “o sino do Carmo abalou, abalou, deixa abalar”, diz o refrão. (4)

O Mestre Rindú que abalou a vida cultural de São Cristóvão, seguiu para o plano espiritual, no domingo, (6/8) após missa de corpo presente, canto do bendito da Chegança e últimas homenagens de autoridades, parentes, amigos e admiradores. Doravante, no mês dedicado ao folclore, os brincantes terão um motivo a mais para pular: preservar a memória do Mestre Rindú.


Relíquias do Mestre Rindú. Foto: Thiago Fragata, 2017.



*Historiador e poeta. Email: thiagofragata@gmail.com
Texto publicado no jornal Tribuna Sergipe Del Rey. São Cristóvão, set. 2016.
REFERÊNCIAS
1 - Entrevista do Mestre Rindú para Aglaé Fontes, concedida a Aglaé d'Ávila Fontes em 2012.
2 - Seminário Nacional de Políticas Públicas para das Culturas Populares. 2a. Edição. Brasília: Governo Federal/MinC, 2016, p. 10.
3 - FONTES, Aglaé d'Ávila. Mestre Rindú - José Gonçalo Santos. São Cristóvão: PMSC/FUNPATRI, 2012.
4 - FRAGATA, Thiago. Mestres do Folk: Mestre Rindú, 10 de agosto de 2007,