sábado, 23 de maio de 2009

São João na escola será tema de palestra

Aglaé Fontes falará sobre o São João aos professores de São Cristóvão


No dia 6 de junho do ano corrente, a professora Aglaé d’Ávila Fontes, grande estudiosa do folclore nordestino, concederá a palestra "Festejos juninos em sala de aula", no terceiro módulo do Projeto Conhecendo Nossa História, iniciativa da Comissão Pró-candidatura da Praça São Francisco a Patrimônio da Humanidade em parceria com a Secretaria Municipal de Educação de São Cristóvão, União Municipal de Estudantes (UMESC) e ong Sociedade para o Avanço Humano e Desenvolvimento Ecosófico (SAHUDE). A palestra direcionada aos professores e pesquisadores da cultura nordestina ocorrerá no auditório do Museu de Arte Sacra a partir das 14:00 horas.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Vesta Viana: naif de São Cristóvão

Vesta Viana na companhia do amigo Jorge Amado.

Por Thiago Fragata*

Sancristovidade é analogismo para designar a simpatia, o bairrismo e mesmo a inspiração que visitantes e artistas recebem da histórica São Cristóvão. Assim podemos definir a relação entre a artista plástica Vesta Viana e a cidade natal. Ainda menina, estudante do Grupo Escolar Vigário Barroso, nos idos de 1960, ela descobriu a mágica das tintas com a saudosa Professora de Artesanato Maria Rodrigues. Assim, da fascinante gradação de cores primárias e do entranhado amor à cidade histórica nasceu sua arte.

No início de 1970, Jorge Amado e Zélia Gattai passearam pelo nordeste e, como o umbigo do saudoso escritor está enterrado em Estância, não esqueceram de Sergipe.[1]


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segunda-feira, 11 de maio de 2009

AS MÃES DO PARAMOPAMA I

Detalhe: marca da primeira enchente no letreiro da Escola Frei Fernando

O dia das mães em São Cristóvão foi marcado por uma enchente do rio Paramopama que atingiu os bairros Avenida, Jardins, Feira Velha, Mercado e etc. Na verdade foram duas enchentes numa só noite. A primeira entre 0:00 e 3:00 horas da madrugada, a segunda entre 4:00 e 7:00 horas do domingo (10/5). O fato surpreendeu a todos pois nunca havia acontecido. Infelizmente, a triste surpresa destruiu móveis e eletrodomésticos salvos da primeira tragédia. Teve mãe, coitada, que perdeu o presente ainda embrulhado. Cabe as autoridades competentes investigar as causas das enchentes, pois o rio teve apenas uma cheia. E se uma, foi natural a outra, suspeita-se, é criminosa.

AS MÃES DO PARAMOPAMA II

O rio Paramopama é aquele que a UNESCO recomendou projetos de saneamento básico nos bairros do seu entorno e de conservação a fim de reconhecer Patrimônio da Humanidade a cidade histórica. Até o momento nada foi feito. Mas na reunião que a representante da UNESCO, Dora Ariza Gusmán, teve com o Secretário Estadual de Meio Ambiente, Marcio Macedo, em 23 de agosto de 2007, o secretário salientou que as medidas de preservação, fiscalização, monitoramento e educação ambiental são ações do governo para todo o Estado e destacou que são Cristóvão teria prioridade e apoio técnico necessário para atender as recomendações da UNESCO.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

REVISTA DESTINO BRASIL DESTACA SÃO CRISTÓVÃO

Por Rafael Ferreira

Muito se fala sobre as cidades históricas do Brasil e seus reconhecidos patrimônios, contudo ao iniciar minha pesquisa sobre Arquitetura Histórica, percebi que as informações disponíveis sobre o assunto geralmente ficam restritas aos municípios com mais visibilidade na mídia e no setor de turismo como por exemplo as cidades de Salvador, Ouro Preto, Olinda, Tiradentes, Rio de Janeiro, São Luís e outras mais, que com todo mérito merecem seus lugares de destaque pela grande importância histórica e cultural que representam.

Porém a riqueza cultural do Brasil, que teve em seu processo de colonização o comando de diversas nações européias, não ficou restrita apenas as principais capitais e antigas vilas, hoje cidades desenvolvidas e estruturadas. Embora o país tenha sido por bastante tempo uma colônia de exploração, isso não impediu que as realezas da época construíssem verdadeiras pérolas arquitetônicas ao longo de toda a nação.

Inicio assim minha primeira matéria na Revista Destino Brasil com São Cristóvão, uma pequena cidade de 72.000 habitantes que um dia foi a capital do atual estado de Sergipe, além de ser a quarta cidade mais antiga do Brasil. A antiga vila perdeu o posto de capital em 17 de Março de 1855, quando o então Presidente da Província, Inácio Joaquim Barbosa, transferiu a capital para Aracajú.

Fundada por Cristóvão de Barros em 1º de janeiro de 1590 e localizada a apenas 23Km de Aracajú, atual capital do estado, São Cristóvão foi a primeira capital de Sergipe e recebeu seu nome em homenagem a Cristóvão de Moura, representante do rei da Espanha em Portugal. A então chamada região do arraial de São Cristóvão, sede da capitania de Sergipe D' El-Rei tornou-se na época um importante pólo de criação de gado e de cana-de-açúcar, justificando assim a grande presença de praças, casarios e igrejas históricas nas construções locais e assegurando a cidade a posição de centro inicial da colonização e organização da Capitania de Sergipe.

Em janeiro de 1575, os jesuítas iniciavam suas missões em solo sergipano, atravessando o Rio Real, fazendo contatos com as tribos indígenas em suas aldeias. A Catequese não teve efeitos duradouros, mas os jesuítas ocuparam glebas de terra e nelas instalaram seus colégios, residências, igrejas e capelas, num roteiro de fé que ia de São Cristóvão a Laranjeiras.

Tombada pelo Patrimônio Histórico Nacional desde 1939, São Cristóvão desenvolveu-se de acordo com o modelo urbano português, que tinha a característica de dividir as cidades em dois planos que seriam eles: A cidade alta com sede do poder civil e religioso, e a cidade baixa com o porto, fábricas e população de baixa renda.

Além de preservar um conjunto arquitetônico de grande beleza, datado dos séculos XVII e XVIII, a cidade guarda um fantástico patrimônio de arte sacra, considerado a terceira mais importante coleção do Brasil em número e qualidade de peças, que estão expostas no Museu de Arte Sacra local.

A maioria dos monumentos históricos de São Cristóvão está concentrada nas três praças principais, todas elas localizadas no centro histórico.

Na Praça de São Francisco destacam-se o conjunto arquitetônico da Igreja e do Convento São Francisco, datada de 1693, onde funciona o Museu de Arte Sacra; a Santa Casa da Misericórdia, belo conjunto barroco construído no século XVII e o Museu Histórico, instalado no antigo Palácio Provincial, do século XIX, que serviu de residência para o Imperador Pedro II quando visitou a cidade, em 1860. Na ala esquerda do convento funciona o Museu de Arte Sacra, inaugurado em 1974, por iniciativa da Arquidiocese de Sergipe. O Convento São Francisco, também conhecido como o antigo Convento de Santa Cruz, é considerado um dos mais belos monumentos de Sergipe, em estilo barroco, a construção do conjunto iniciou-se em 1693, através de doações da população local, aos padres franciscanos.

Na Praça da Matriz encontra-se a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Vitória, o mais antigo monumento tombado pelo Patrimônio Histórico Nacional em Sergipe, que foi construída em 1608. É nessa praça também que estão atualmente os principais órgãos da Prefeitura Municipal, todos sediados em lindas construções históricas. A igreja foi edificada pelos padres jesuítas, época em que o Brasil estava sob domínio espanhol e por ordem de Felipe da Espanha, a igreja foi a sede do episcopado.

A igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos e o Conjunto do Carmo, que compreende a igreja, o convento e a Ordem Terceira são também grandes representantes do acervo arquitetônico histórico do município. A igreja foi construída pelos jesuítas no século XVIII e atualmente o prédio pertence à Congregação das Irmãs Beneditinas Contemplativas e é um monumento tombado pelo IPHAN.

Logo na entrada da cidade, distante de 2 km do centro histórico, encontra-se o Cristo Redentor, que foi erguido em 1924 sobre as bases da antiga capela de São Gonçalo, construída no século XVI e considerada a primeira igreja da cidade construída em 1599 pelos jesuítas da Companhia de Jesus. De autoria do arquiteto italiano Belando Beladini, o monumento em concreto armado tem 16 m de altura sendo 6 metros de corpo e 10 metros de base.

Na Praça do Carmo temos também o Mosteiro de São Bento, antiga Igreja Conventual, edificada no século XVIII por Frei Antônio da Santa Eufrásia Barbosa, em estilo barroco conta com um frontão, com rica decoração em pedra calcária, ostentando o escudo da ordem carmelita. Originalmente a igreja possuía 6 altares com retábulo do século XVIII em talha dourada, atualmente a sua decoração interna conserva apenas um retábulo, cujo altar é de construção posterior ao neoclássico e dois púlpitos incompletos em cantaria.

Com todos essas riquezas culturais através de seu acervo arquitetônico, cultural e religioso, a cidade está atualmente em processo de tombamento para ser considerada patrimônio da humanidade pela UNESCO.

Durante a 32ª Sessão do Comitê de Patrimônio Mundial da Unesco realizada de 02 a 10 de julho na cidade de Quebec no Canadá, São Cristóvão foi destaque, estando presente na pauta da votação para integrar a Lista de Patrimônio Mundial a Praça de São Francisco.

A delegação espanhola apresentou ao Comitê o valor do sítio histórico de São Cristóvão como resultado das ordenações filipinas e portanto, espanholas, em terras de domínio português, demonstrando que é um exemplo material único do momento histórico em que Portugal e Espanha estiveram unidos em sob uma mesma coroa. É assim reconhecido na arquitetura colonial a beleza da história preservada.

Assim como Ouro Preto, Olinda, São Miguel das Missões, Salvador, Congonhas, Diamantina, Goiás, São Luís e Brasília já conquistaram seu reconhecimento nacional e mundial pelos seus patrimônios e acervos da arquitetura histórica, São Cristóvão irá em breve se integrar a essa tão importante listagem.

No momento já existem delegações e um cicerone, o historiador Thiago Fragata, que estão trabalhando junto às autoridades locais para que São Cristóvão sane algumas pendências que foram indicadas na última sessão do comitê, e que acabaram por não permitir, no momento, a inclusão do patrimônio na lista das cidades com acervos considerados patrimônios da humanidade pela UNESCO.