quinta-feira, 28 de julho de 2011

Projeto 'Agosto Para Todos' homenageará folclore sergipano

Reisado das Pedreiras/São Cristovão. foto: Cazuza

Nara Barreto, estagiária da Ascom/Secult

Para celebrar a diversidade da cultura popular sergipana em pleno mês do folclore, a Secretaria de Estado da Cultura (Secult) realiza, entre os próximos dias 15 e 22, o projeto ‘Agosto pra todos’, cuja programação inclui palestras, oficinas, exposições e apresentações artísticas abertas à população.

As atividades estão programadas para acontecer em Aracaju, São Cristóvão, Laranjeiras e Itaporanga. Além da promoção do evento em um maior número de cidades em comparação ao ano passado, outro diferencial desta edição é a realização do ‘Roda Griô’ (ou Fala Mestre), como explica a diretora de Projetos e Integração Cultural da Secult, Kadydja Albuquerque.

"O Fala Mestre será um momento em que o mestre de determinado grupo folclórico popular falará sobre a sua arte, como a aprendeu, o que faz para perpetuá-la e outros detalhes pertinentes à discussão da cultura popular. Será um momento de interação entre o mestre folclórico e o público”, informa Kadydja.

Oficinas

Duas oficinas serão ofertadas aos participantes: Xilografia, ministrada por Eliana Santos no Centro de Criatividade de Aracaju, e ‘Conhecendo e fazendo Pífano’, ministrada por Edmar Santos, no Museu Histórico de Sergipe, em São Cristóvão. Com inscrição gratuita, ambas as oficinas disponibilizam 20 vagas para jovens e adultos, e acontecerão pela tarde e pela manhã respectivamente.

A programação completa será divulgada na primeira semana de agosto.

OBS: INSCRIÇÕES ABERTAS PARA OFICINA DE PÍFANOS NO MUSEU HISTÓRICO DE SERGIPE, SÃO CRISTÓVÃO, 20 vagas, turma manhã. Inscrições abertas: 3261-1435 ou museu.sergipe@cultura.se.gov.br

FONTE:

http://divirta.se.gov.br/noticias/projeto-agosto-para-todos-homenageara-folclore-sergipano



quinta-feira, 14 de julho de 2011

TRÊS POESIAS PARA PRAÇA SÃO FRANCISCO

(Praça São Francisco de São Cristóvão/SE recebeu chancela de Patrimônio da Humanidade em 1/8/2010)


Por Thiago Fragata


I - CICERONE DE SÃO CRISTÓVÃO


Tenho repetido a saudação de cicerone

aos novos e velhos amigos e desconhecidos...


São Cristóvão, São Cristóvão

Cidade minha, metáfora de todos

Esfinge de quatro séculos

A lançar enigmas imemoriais

Aos professores, turistas, pesquisadores...


São Cristóvão, São Cristóvão

Quem não a conhece repete o erro do convertido

Que não vai a Meca depois de aceitar Alá.

Pra mim sempre Patrimônio da Humanidade

Tempo e templos para debulhar um terço da vida


São Cristóvão, São Cristóvão

Tenho encenado Gonçalves Dias

“Todos cantam a sua terra,

também vou cantar a minha”


São Cristóvão, São Cristóvão

Lembro o conselho de Leon Tolstoi

“Queres ser universal, canta sua aldeia...”


Ah! São Cristóvão...

Tenho repetido a saudação de cicerone

aos novos e velhos amigos e desconhecidos.


II - SÃO CRISTÓVÃO, CIDADE-POESIA


Um poeta só é muito pouco

Muito pouco, muito pouco

Porque na cidade tudo é poesia

Todo dia, todo dia

De mim, não sei o que seria

Sem ela para decorar a vida

Janela para o jardim...


Um poeta só é muito pouco

Vai se perder nos versos

Tropeçar nas rimas, ou não!

Eis que surge a menina

Na praça, na rua da esquina

É tão bonita que completa a paisagem

Também ama São Cristóvão quatricentenária.


Um poeta só é muito pouco

Agora são dois: poeta e musa

Ah! Musa lembra museu

Lugar mágico, de poesia e música

Fazer todo mundo dançar

No chão da praça São Francisco

E tudo acaba no bar.


Um poeta só é muito pouco

Por isso vai convidar Maria Glória

Maria Rita, Manoel Ferreira e João Rosa

Para fazer o jogral Patrimônio da Humanidade

E recitar bem alto para o mundo

São Cristóvão, cidade-poesia!


III - PRAÇA SÃO FRANCISCO DAS LEMBRANÇAS


Praça São Francisco das lembranças

O batismo foi na igreja,

Primeiro beijo aconteceu ali, no banco da praça

Atrás da arvore ou na frente?

Tem um cruzeiro que abençoa todos.


Praça São Francisco das lembranças

Não havia calçamento, era só terra e mato

Que virava lama com a chuva

Era menino e brincava de manja e pelada

Quando não tinha o reisado para entreter

nem o chefe do quarteirão para perseguir.


Praça São Francisco das lembranças

Era na praça a quermesse...

Era na praça o namoro...

Quase tudo acontecia na praça.

Agora ela é Patrimônio da Humanidade.

Assim seja!

terça-feira, 12 de julho de 2011

Palavras de Thiago Fragata no dia 8 de julho de 2011

Fragata no Royal Tulip, Brasília, durante a 34a. Sessão Comitê do Patrimônio Mundial, 1/8/2010.

Recebo a Honra do Mérito Aperipê, comenda concedido pelo Governo do Estado aos que contribuíram com o fomento da cultura sergipana, com muita alegria, serenidade e humanidade. Alegria, por saber que as ações engajadas para o reconhecimento da Praça São Francisco, de São Cristóvão, a Patrimônio da Humanidade, a frente do Comitê Pró-candidatura, deixaram uma marca na memória, marca representada neste metal tão cheio de significados para mim e para o Governador Marcelo Deda Chagas, que no dia 2 de agosto do ano passado, dia seguinte a decisão da UNESCO, declarou que iria homenagear Thiago Fragata pela relevancia de sua atuação em todo o processo de divulgação e orientação, inclusive dialogando com a equipe do seu Governo.

Serenidade porque sou consciente que a chancela foi concedida para São Cristóvão, ex-capital do Estado, e afamada quarta cidade mais antiga do Brasil, não pelo fato dela ter superado, resolvido seus problemas de infra-estrutura, de gerenciamento da coisa pública, enfim, suas mazelas tão achincalhada e até festejada por um seguimento da imprensa e oposição. A chancela foi concedida por conta do potencial inquestionável do seu acervo arquitetônico e do valor agregado das manifestações da cultura popular, da religiosidade, dos carnavais e de tantas atrações que sempre tiveram e precisam continuar tendo a Praça São Francisco como cenário. Aliás, esta praça não pode agora ser transformada em presépio, algo apenas para ser contemplado!

Humanidade, porque preciso por um senso de justiça compartilhar o mérito com meus companheiros de luta. Quem mim conhece sabe que sou um sergipano otimista, que mobilizo mas não realizo nada sozinho, não sou de ficar reclamando nos bancos de praças disso ou daquilo; como diz a canção do Geraldo Vandré "quem sabe faz a hora!" Então, para mim a melhor hora é agora e com os parceiros. Não posso esquecer que desde que assumir a coordenação do Comitê pró-candidatura da Praça São Francisco a Patrimônio da Humanidade, em 14 de fevereiro de 2008, contei com o apoio de Marco Galvão e Vera Galvão, do ex-deputado e amigo Professor Wanderlê, da Secretária de Cultura do Estado, Eloisa Galdino, do seu adjunto Marcelo Rangel, do ex-Deputado Iran Barbosa, de Marcos Santana, Everaldo Pinto Fontes, o popular Gaspeu; das marias da poesia, Maria Rita e Maria Glória; do poeta Manoel Ferreira, do professor Sergio Lima, da Ong Sociedade para o Avanço Humano e Desenvolvimento Ecosófico; de Maristela Thomaz, do Centro de Desenvolvimento Sustentável Oxogum Ladê; de Cleverton Costa Silva, Pitágoras Moura de Andrade, Adevanilson Castor, Robervan Santana, Vera Lucia dos Santos, Gladston Barroso, Sócrates Prado, Eliene Marcelo Santos, de Maira Ielena Cerqueira da Graça e Vania Dias Correia, da SubSecretaria de Patrimônio Cultural (SUBPAC); de Klekstane Silva, Marcia Arévalo e Terezinha Alves de Oliva, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN); de Claudefranklin Monteiro e Josué Modesto dos Passus Sobrinho, respectivamente, professor do Departamento de História e reitor da Universidade Federal de Sergipe (UFS); de Rosangela Reis, Neverton Cruz, Wesley Barbosa, Murilo e Osvaldina Paiva Muniz, do Museu Histórico de Sergipe; de Aglaé Fontes, Secretária de Cultura de São Cristóvão e mais tantos amigos e amigas.

E como não posso esquecer a sergipanidade nesta data, 8 de julho, alusiva a Emancipação política de Sergipe da Bahia, gostaria de repetir a minha concepção sobre o conceito. Pra mim, sergipanidade é um sentimento não apenas de pertença, de nascimento ou residência. É um sentimento de afetuosidade, bem-estar, querer-ficar, amor, nostalgia até! Assim, nem todo sergipano alcançou a sergipanidade, quem sabe conhecer a primeira capital de Sergipe seja um bom começo. Um bom começo...

Por outro lado, tem baianos, pernambucanos, cariocas, paulistas, enfim, brasileiros nascidos em outros Estados e até outros países, que se revelam entusiasticamente sergipanos; porque? Porque eles desenvolveram a tal sergipanidade.

Agora que temos oficialmente um lugar sergipano reconhecido Patrimônio da Humanidade pela UNESCO, gostaria de concitar a todos os presentes a convidar o mundo (o seu mundo!) a visitar Sergipe; fazer uma visita a São Cristóvão, Laranjeiras, enfim, realizar um circuito histórico; depois um outro pelo sertão de Gloria, Monte Alegre, Poço Redondo, Canindé; não podemos esquecer Itabaiana, Lagarto, nem Estância, pensando bem, como Sergipe é o menor Estado da Federação, dá pra conhecer os 75 municípios em algumas semanas. Assim, estaremos semeando sergipanidade.

Voltando ao reconhecimento que justificou a concessão de tão importante título para a minha vida, minha carreira, minha cidadania, gostaria de agradecer agora aos incentivadores e entusiastas do meu papel de historiador, embora sem livros publicados ainda; de agente cultural ativo na cena sancristovense, desde novembro de 2009, na direção do Museu Histórico de Sergipe, instituição da Secretaria de Cultura do Estado, que tem sido muito mais do que uma casa de visita. Aos tantos cumprimentos carinhosos que tenho recebido nos últimos tempos, enfatizo que minha atuação não teve, não tem pretensão eleitoral; o que fiz e faço é meu papel de agente cultural e especialmente o que considero dever de um cidadão que vivendo no seu lugar, anseia por transformá-lo no melhor do mundo. Bom, contribuir para transformar a Praça São Francisco em Patrimônio Mundial foi o primeiro passo. Peço ajuda de todos na caminhada que é longa e penosa, com a licença da poética de Carlos Drummond de Andrade “com muitas pedras no meio do caminho”, contrapondo-se a tantas agruras e algumas manchetes capciosas da imprensa, arremato com um verso do mesmo poeta “não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas”.

Inspiração poética, é isso que esta cidade despertou neste historiador. Para finalizar, então, deixo aqui três poesias que tematizam a Praça São Francisco, elas são parte de um catálogo sentimental.


CICERONE DE SÃO CRISTÓVÃO


Tenho repetido a saudação de cicerone

aos novos e velhos amigos e desconhecidos


São Cristóvão, São Cristóvão

Cidade minha, metáfora de todos

Esfinge de quatro séculos

A lançar enigmas imemoriais

Aos professores, turistas, pesquisadores...


São Cristóvão, São Cristóvão

Quem não a conhece repete o erro do convertido

Que não vai a Meca depois de aceitar Alá.

Pra mim sempre Patrimônio da Humanidade

Tempo e templos para debulhar um terço da vida


São Cristóvão, São Cristóvão

Tenho encenado Gonçalves Dias

“Todos cantam a sua terra,

também vou cantar a minha”


São Cristóvão, São Cristóvão

Lembro o conselho de Leon Tolstoi

“Queres ser universal, canta sua aldeia...”

Ah! São Cristóvão...


Tenho repetido a saudação de cicerone

aos novos e velhos amigos e desconhecidos.

(2006)


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SÃO CRISTÓVÃO, CIDADE-POESIA


Um poeta só é muito pouco

Muito pouco, muito pouco

Porque na cidade tudo é poesia

Todo dia, todo dia

De mim, não sei o que seria

Sem ela para decorar a vida

Janela para o jardim...


Um poeta só é muito pouco

Vai se perder nos versos

Tropeçar nas rimas, ou não!

Eis que surge a menina

Na praça, na rua da esquina

É tão bonita que completa a paisagem

Também ama São Cristóvão quatricentenária.


Um poeta só é muito pouco

Agora são dois: poeta e musa

Ah! Musa lembra museu

Lugar mágico, de poesia e música

Fazer todo mundo dançar

No chão da praça São Francisco

E tudo acaba no bar.


Um poeta só é muito pouco

Por isso vai convidar Maria Glória

Maria Rita, Manoel Ferreira e João Rosa

Para fazer o jogral Patrimônio da Humanidade

E recitar bem alto para o mundo

São Cristóvão, cidade-poesia

(2010)


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PRAÇA SÃO FRANCISCO DAS LEMBRANÇAS


Praça São Francisco das lembranças

O batismo foi na igreja,

Primeiro beijo aconteceu ali, no banco da praça

Atrás da arvore ou na frente?

Tem um cruzeiro que abençoa todos.


Praça São Francisco das lembranças

Não havia calçamento, era só terra e mato

Que virava lama com a chuva

Era menino e brincava de manja e pelada

Quando não tinha o reisado para entreter

nem o chefe do quarteirão para perseguir.


Praça São Francisco das lembranças

Era na praça a quermesse...

Era na praça o namoro...

Quase tudo acontecia na praça.

Agora ela é Patrimônio da Humanidade.

Assim seja!

(2010)


Thiago Fragata

São Cristóvão, 8 de julho de 2011