sexta-feira, 14 de março de 2008

Pronunciamento do Prof. Iran Barbosa, Deputado Federal, sobre Candidatura da Praça São Francisco

Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, o meu Estado, Sergipe, tem a quarta cidade mais antiga do Brasil: São Cristóvão. Foi a primeira Capital sergipana. Se não bastasse essa importante referência, essa pequena, porém histórica, cidade pode vir a ter, este ano, um de seus espaços reconhecido como Patrimônio Histórico da Humanidade pela UNESCO, Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. Trata-se da Praça São Francisco, que agrega um belíssimo conjunto arquitetônico, construído no século XVII. Reconhecemos que ele está pouco cuidado em uma parte, e em outra parte está havendo reforma, o que exige muito mais atenção das autoridades e órgãos competentes responsáveis pela preservação do nosso patrimônio histórico. O título que será emitido pela UNESCO está sendo avaliado. O resultado sairá ainda este ano. A beleza do sítio histórico, caros colegas Parlamentares, composto pelo Convento de São Francisco, pelo Palácio Provincial, pela Casa do Ouvidor e por todas as edificações em seu entorno é de beleza singular, encontrada em poucos lugares do mundo, do mesmo período. É de uma beleza realmente indiscutível. Mas, infelizmente, as obras de restauração ainda não finalizadas estão comprometendo aquele belo cenário colonial. A restauração que aquele conjunto arquitetônico vem recebendo caminha de maneira lenta, e deveria ter sido concluída no mês de setembro do ano passado. Todos nós sabemos o peso que tem um título de Patrimônio Histórico da Humanidade, pois incentiva o turismo, fomenta o comércio, gera divisas e traz conseqüente progresso para a cidade contemplada. São Cristóvão nivelará a primeira Capital dos sergipanos a outras grandes cidades do mundo que possuem semelhante título. Mas também é certo que não basta apenas tombar um patrimônio histórico. É necessário, antes de qualquer coisa, zelar por sua preservação e manutenção para fazer jus a tão honroso título.

É preciso acelerar não só a reforma da Praça São Francisco, como também de várias construções históricas de São Cristóvão. Além disso, como bem sugerem moradores e guias turísticos locais, deve haver maior divulgação turística daquele conjunto arquitetônico; melhoramento geral na estrutura da cidade, de restaurantes e de hotéis; e sinalização dos pontos turísticos para receber bem turistas e visitantes.

De acordo com informações que colhemos na imprensa, a Secretaria de Cultura do município está com um trabalho de divulgação já pronto. E uma campanha publicitária, em parceria com a UNESCO e órgãos estaduais, será feita não só na cidade, mas também em âmbito nacional e internacional, para divulgar as potencialidades turísticas de São Cristóvão, o que é bastante bem-vindo.

O mais importante, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Parlamentares, é que a cidade sergipana de São Cristóvão, um rico conjunto arquitetônico com mais de 400 anos, merece destaque como Patrimônio Histórico da Humanidade. E que o seja a Praça São Francisco, o que deixará feliz não só o povo daquela cidade, caso o título se concretize, mas também todos os sergipanos. Tal fato pode mudar sensivelmente a vida naquele município. Apesar de toda a riqueza histórica e arquitetônica, ele padece de fraco desenvolvimento econômico e social. O turismo pode ajudar a mudar essa realidade.Sr. Presidente, peço a V.Exa. que autorize a divulgação deste pronunciamento nos meios de comunicação da Casa.

CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ
Sessão: 025.2.53.O Hora: 14:20Fase: PE
Orador: IRAN BARBOSA, PT-SE
Data: 04/03/2008

quarta-feira, 5 de março de 2008

O que tem a Praça São Francisco que faz dela uma forte candidatura ao título de Patrimônio da Humanidade?


A representação do valor cultural em nível universal, que permitirá chancelar sua inscrição na lista dos bens culturais do Patrimônio Mundial, está mais bem fundamentado em dois pontos:

a) O conjunto urbano e os valores culturais da Praça São Francisco, por representarem um dos melhores exemplos de praça européia adaptada a uma cidade colonial nos trópicos, testemunho da estrutura urbana implantada sob os cânones das Ordenações Filipinas, quando estavam Portugal e Espanha sob uma única Coroa. Recuada da costa marítima, com suas relações de comprimento e largura ajustadas ao preconizado na “Lei IX” das Ordenações, bem como as quatro vias secundárias e principais desaguando nos quatro vértices, em tudo relembra o que se recomendava para a Praça Maior. Ali se insere o convento franciscano, similar a seus pares implantados no nordeste brasileiro entre os séculos XVII e XVIII, caracterizados por uma organização espacial adaptada ao clima e à trama urbana. Particularmente, o convento São Francisco por ter sido o único, entre outros conventos franciscanos, a ter no prolongamento de seu adro, uma praça que guarda uma relação marcante com o tecido urbano onde foi implantada com harmoniosa inserção urbana e paisagística no centro histórico.

Único ainda, pois foi enriquecido por um claustro que se mostra uma obra de arte excepcional, no âmbito da arte e da arquitetura barrocas pelo aproveitamento de material da região, o calcário, esculpido com motivos fitomórficos, em parte inspirados na flora tropical. Constituíram exemplos excepcionais da fusão de valores e cultura de povos europeus, indígenas e africanos, materializando uma obra de arte inédita.

b) Pela permanência histórica da Praça São Francisco como local de expressão das manifestações da cultura tradicional e popular. Local do encontro, das celebrações, das representações folclóricas e festas da religiosidade coletiva e das manifestações lúdicas e musicais. Consolidou-se como ponto focal e marco de referência urbana, e conservou-se também como espaço de representação dos poderes religioso e civil. São expressões únicas das culturas material e imaterial convergindo em um único ponto, a Praça São Francisco, testemunho ímpar da história de conquista do território brasileiro.