terça-feira, 22 de março de 2011

Mudança da Capital em quadrinhos



Por Thiago Fragata

Lançada no último dia 17 de março a Revista Aracaju - uma História em Quadrinhos. Com texto de Itamar Freitas, desenho de Eduardo Oliveira e colorido de Thiago Neuman o produto oferece uma forma diferente de explicar o processo de Mudança da Capital.

Leitura recomendada para o participantes da Gincana Estudantil, etapa final do Projeto Casa de João Bebe-Água realizado pelo Museu Histórico de Sergipe. A revista em quadrinhos e o citado projeto tem em comum a perspectiva teórica inaugurada por José Calasans Brandão da Silva em 1942.

Faça download no blog do Itamar Freitas e leia a revista.


Poesia dedicada a João Bebe-Água

Poetisa Maria Gloria interpretou poesia de Freire Ribeiro


Inauguração da sede da ONG Ação Popular e Cidadania João Bebe-Água (ACIJOBA), em São Cristóvão, no último dia 17 de março do ano corrente, contou com extensa programação. Momento inesquecível foi a performance da poetisa Maria Gloria que interpretou poesia de Freire Ribeiro dedicada a João Bebe-Água.


BEBE-ÁGUA

Sentado na noite

Num trono de estrelas

Bebe-Água conversa

Com a velha cidade!...


Regressou do outro-mundo

E do sono profundo

Que a morte derrama

Com mãos de veludo

Nos olhos dos vivos

Sejam reis ou cativos!...


Bebe-água cochicha

Nas sombras da noite

Com as velhas igrejas!...

É fantasma de um sonho,

É o próprio lamento

Do ontem vestido

O burel do passado

Na paz dum convento!


Os mortos retornam

Em sonhos amados,

Revendo, na vida,

As cousas passadas!...


Conversa um sobrado

Que está caducando

Com João Bebe-Água

Com ele lembrando

À luz de outra idade,

Os dias de glória

Da velha cidade!


Ilustres figuras

Egrégios senhores,

Humildes escravos

- sinhazinhas amadas

Que, na morte, abrumadas

Não sentem da vida

A luz e o calor!


Com chagas imensas

No corpo invisível

- as chagas do pranto

Nos olhos da dor.

Bebe-Água, coitado

Revendo o passado

Bebe-Água é saudade

Bebe-Água é amor!...



FONTE: RIBEIRO, João Freire. São Cristóvão em Sergipe Del-Rey (poesias). 1971, p. 18.

sábado, 19 de março de 2011

Terra Serigy: Mudança da Capital

Programa Terra Serigy (TV SE) de hoje, sábado, 19/3, tematizou a Mudança da Capital. Confira entrevistas dos historiadores Maria Isaura e Thiago Fragata, com trilha sonora do Grupo de Música Renascentista e Medieval Renantique:



quarta-feira, 16 de março de 2011

Memorial de Sergipe dedica exposição a Praça São Francisco

Imagem de divulgação


Memorial de Sergipe (UNIT) lança Exposição Temporária dedicada a Praça São Francisco, Patrimônio da Humanidade, no dia 16/3. O Memorial fica na Av. Beira Mar, n. 636, Bairro 13 de julho, em Aracaju. Saber mais: (79) 3302-8398.

terça-feira, 15 de março de 2011

CRÉDITOS INSTITUCIONAIS




SECRETARIA DE ESTADO DA CULTURA

COORDENADORIA DE MUSEUS

MUSEU HISTÓRICO DE SERGIPE

Thiago Fragata - Pesquisa e concepção expográfica

EQUIPE DE APOIO

Osvaldina Paiva Muniz

Eduardo Rosário dos Santos

Henrique Luis Braga dos Santos

Anatassya Fontes de Santana

Everlane Moraes Santos

Neverton da Cruz Santos

Priscila Marques da Silva

Rafaela Pereira dos Santos

Rosangela dos Santos Reis

Rosylayne Araújo Leite

Silvia Maia de Oliveira


PARCEIROS:

Secretaria Municipal de Cultura de São Cristóvão (SECULT/PMSC),

Secretaria Municipal de Educação de São Cristóvão (SEED/PMSC),

Sub-Secretaria de Patrimônio Cultural (SUBPAC),

Instituto do Patrimônio Histórico e Geográfico de Sergipe (IPHAN),

ONG João Bebe-Água - Ação e Cidadania (ACIJOBA),

Fundação Zezinho da Everest.

CURIOSIDADES VI

João Bebe-Água como guerreiro de espada para defender uma causa, na imaginação de Raí Ramos.

JOÃO BEBE-ÁGUA ERA MESMO ALCOÓLATRA?

SEBRÃO SOBRINHO diz que o apelido de João Bebe-Água era porque ele era abstêmio, fato que se gabava, orgulhava o beato da Igreja de Nossa Senhora dos Homens Pardos. Na irmandade religiosa dessa igreja, ele ocupou quase todas as funções: foi sineiro, procurador, etc (2005, p. 163)


Igreja do Amparo dos Homens Pardos. Foto: Graziella Santos

MARINETE PAIVA (1913/2004) dizia que seu pai, Pio Monteiro, era dono de quitanda e reclamava muito do seu cliente João Bebe-Água. Pois ele gostava de tomar cachaça e cuspir no chão repetidas vezes!

É mesmo possível que ele tenha frequentado quitandas para tomar cachaça, especialmente, no período que sucedeu a Mudança da Capital, onde experimentou a falência, a viuvez, a tristeza. Também não é improvável que tenha comercializado água e daí originado o apelido pela sua condição de aguadeiro (vendedor de água).

João Bebe-Água era vereador em 1862, ano em que o antigo Palácio Provincial era Camara de Vereadores.

O homem que desempenhou papel de vereador e Juiz Paz em São Cristóvão terá sido um louco? Conclusão: precisamos fazer uma revisão sobre a Mudança da Capital e especialmente sobre João Bebe-Água.

Curiosidades V

O artista Anselmo Seixas fez o boneco gigante do Carnaval de São Cristóvão seguindo a descrição de Serafim Santiago. Foto de Cazuza, 2005.



COMO ERA JOÃO BEBE-ÁGUA?

Serafim Santiago descreveu o amigo:

era de baixa estatura e tanto gordo; tinha a cor de um pardo bilioso, cabelos amealhados; trajava jarreta conforme o costume antigo... trazia sempre na mão um lenço de rapé e uma catarina, como ele chamava uma figura de ponta de boi, onde conservava um bom torrado [fumo] que a todos oferecia”. (2009, p. 263)


ONDE NASCEU JOÃO BEBE-ÁGUA?


ITABAIANA: versão defendida por Sebrão Sobrinho, no livro Laudas para História de Aracaju, 1955, p. 163. (edição de 2005)

ITAPORANGA: versão cogitada por novos pesquisadores. Como Itaporanga era vila de São Cristóvão até 1853, essa possibilidade reforça a possibilidade dele ser sancristovense.

SÃO CRISTÓVÃO: maior probabilidade, sua ação em defesa da cidade constitui uma prova do seu patriotismo. Para seu amigo Serafim Santiago, ele nasceu e morreu em São Cristóvão. O patriotismo valeu o rótulo de louco, maltrapilho, cachaceiro. Foi assim que os adversários tornaram ele conhecido, mas....