quarta-feira, 26 de outubro de 2011

“O OLHAR DA EXPEDIÇÃO”: SIQUEIRA DE MENEZES EM CANUDOS*

Siqueira de Menezes, sentado, posa ao lado da equipe e bromélias
Acervo Fundaj



Thiago Fragata**
INTRODUÇÃO
Ninguém até então compreendera com igual lucidez a natureza da campanha, ou era mais bem aparelhada para ela. Firme educação teórica e espírito observador, tornavam-no guia exclusivo daqueles milhares de homens, tateantes em região desconhecida e bárbara (...) Conheciam-no os vaqueiros amigos das cercanias e por fim os próprios jagunços. Assombrava-os aquele homem frágil, de fisionomia nazarena, que, apontando em toda a parte com uma carabina à bandoleira e um podômetro preso à bota, lhes desafiava a astúcia e não tremia ante as emboscadas e não errava a leitura da bússola portátil entre os estampidos dos bacamartes. Por sua vez o comandante-em-chefe avaliara o seu valor. O tenente-coronel Menezes era o olhar da expedição”.[1]

Ainda sob o trauma da Revolta da Armada (1893-1894) e da Revolução Federalista (1893-1895), a sociedade brasileira acompanhou o desenrolar da Guerra de Canudos, ocorrida nos sertões da Bahia, entre novembro de 1896 e outubro de 1897, como nova crise do regime republicano. Diferente dos outros conflitos, este foi acompanhado pela imprensa. “Canudos foi o primeiro conflito no Brasil onde se registrou a presença de correspondentes[2], como Fávila Nunes (Gazeta de Notícias/RJ), Manoel Benício (Jornal do Comercio/RJ), Lelis Piedade (Jornal de Notícias/Ba), Alfredo Silva (A Notícia/RJ), Euclides da Cunha (O Estado e São Paulo) e Siqueira de Menezes[3] (O Paiz/RJ) que exerceram atividades de jornalistas. Se a guerra não inaugurou, concorreu para intensificar “extraordinariamente no Brasil a praxe jornalística de dispor enviados especiais no local dos acontecimentos”.[4]


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domingo, 23 de outubro de 2011

Verdades, mentiras e o negro na História do Brasil*


Thiago Fragata**
Pergunta para provocar a platéia: “onde você guarda seu racismo?”. Com afirmativa de outra propaganda televisiva darei início a minha intervenção nesse I Fórum Regional sobre a implantação da Lei 10.639/2003: “é preciso rever nossos conceitos”.
Para melhor compreender a preleção intitulada “Verdades, mentiras e o negro na História do Brasil” é preciso rever conceitos arraigados em nossa vida. A tarefa não é fácil. Um dos conceitos que peço atenção é aquilo que entendemos como sendo verdade. Segundo os retóricos da Grécia Antiga, verdade seria tudo aquilo que o orador conseguia fazer o ouvinte acreditar como sendo verdade. Imagine dez oradores perante um público que escuta a verdade de cada um sobre determinado ponto, é possível que um defenda a menos verdade (mentira) e seja convincente. Um ponto a ser destacado: a verdade é a única embora possa ser defendida apenas por um orador, ela é diversa na medida em que todos os oradores acreditam na verdade.
Antes de adentrar a pauta quero expressar outro conceito, o de política. Num sentido mais simples, precisamos entendê-la como sendo o ato de reivindicar melhores condições de vida. A criança que chora faz política, o professor que faz greve é um ser político, o estudante que faz abaixo-assinado é político, dessa forma a política não está concentrada nos representantes do anseio do povo. Retomo a questão da diversidade da verdade para lembrar que embora com discursos opostos é possível que todos estejam com suas verdades. O mote da verdade é uma constante nas tribunas da política brasileira e nas lutas sociais.
Infelizmente, a História do Brasil mostra que a força da política, da economia e da religião veiculou durante séculos uma verdade capciosa, aspeada, hegemônica, sobre a questão do negro, aquele que regou com sangue e suor esse país. Essa verdade europocêntrica (segundo a ótica européia) está presente nos livros didáticos e deve ser revista. Apesar dos avanços observados nos últimos anos no tocante a dívida social para com os segmentos injustiçados a concentração de renda e hegemonia da verdade continuam favorecendo a classe dominante.
DOIS PONTOS PARA REFLEXÃO:
- A verdade sobre a África chegou até nós pela ótica dos europeus, mais especificamente pelos portugueses;
- Como herança cultural de uma sociedade escravista a nossa sociedade atual mantém na essência o conservadorismo do passado, e assim o racismo, por exemplo, faz parte da nossa cultura, está entranhado no cotidiano, em nossas palavras, gestos e ações. O racismo é um eco da sociedade brasileira colonial, uma herança maldita da escravidão.
Sobre algumas questões do livro didático aceno para a falta de informação sobre as grandes civilizações que existiram na África, antes mesmo da presença européia. Por volta do século VII e XIV, existiam os grandes reinos de Gana e Mali, o de Songai resistiu até o século XVIII quando foi extinto pelos europeus.
Perceberam como a civilização africana egípcia figura no livro didático? Não parece estranho como ela aparece desterritorializada, como se não tivesse existido na África, fosse desvinculada do continente negro. Isso não é por acaso, até hoje a comunidade científica européia resiste a idéia da África figurar como berço da humanidade. Quero que vocês atentem o quanto essas verdades permanecem silenciadas. A informação veiculada, cristalizada hoje é que a África é um continente problema, que o negro foi continua um problema na medida em que boa parte da população pobre no Brasil é composta de negros. No entanto, pesquisando a História descobrimos que a miséria da África e os problemas que afligem os afrodescendentes resultaram da exploração mercantil européia em séculos de exploração.
Vejamos como a ótica imposta pela classe dominante, européia, forjou sua verdade sobre o negro: não é novidade para quem estudou o Brasil Colônia que a Igreja Católica portuguesa era uma instituição subordinada ao Estado por isso devia respeito e obediência ao monarca, seguindo o regime do padroado. Assim, as verdades pregadas pelos padres funcionários do governo justificaram a escravidão e outras barbáries da metrópole. Nasceu da própria igreja a idéia de que os negros africanos não tinham alma, eram como animais, por isso poderiam ser escravizados. A própria igreja e muitas ordens religiosas possuíam escravos. Alguns jesuítas, a exemplo do Padre Antônio Vieira, condenavam a escravidão dos índios mas justificavam a necessidade do braço africano para o sucesso da economia colonial.
Outro ponto é a questão da inferioridade do africano moldado pelo discurso científico dos europeus no século XIX. Primeiro a escravidão africana foi legitimada pela religião, no século dezenove a justificativa para a decadência da ex-colônia e imigração dos europeus foi dada pela ciência. E como a abolição da escravidão não teve uma reforma agrária ou qualquer outra ação compensatória aos descendentes dos construtores do país, a abolição tão sonhada por Zumbi dos Palmares, Castro Alves, José do Patrocínio, João Mulungú fez surgir um cinturão de miséria que ainda persiste com a mesma tonalidade: a cor negra.
Por isso é preciso dizer umas verdades em alto e bom tom: essas injustiças têm que ser reparadas com a implementação de políticas públicas, seja através da política de cotas para negros, que bem ou mal tem beneficiado parcela considerável dos pobres afrodescendentes; seja através da Lei 10.639 que desperta a área educacional para contribuição do elemento negro na constituição desse país. Oportuno informar que foi criado na primeira gestão do Governo Lula a Secretaria de Promoção das Políticas Públicas para Igualdade Racial que representou um avanço na defesa das questões afrodescendentes, além da política de cotas que sugiro seja pauta da próxima conferência do Núcleo de Educação da Diversidade e Cidadania (NEDIC-SEED/SE). Quero lembrar da ação do reconhecimento e tombamento de áreas de antigos quilombos, como se deu na comunidade de Mocambo, e Porto da Folha, e Serra da Guia, em Poço Redondo, interior de Sergipe.
No ensejo de rever nossos conceitos, rogo que possamos aprender a conviver com a diversidade. Não é fácil pois vivemos em tempos de grandes contradições; temos um país democrático na sua casca porém intolerante, conservador na essência, na sua formação cultural. Verdade é que somos preconceituosos, vamos pensar no racismo...somos racistas na medida em que nossos atos, gestos e palavras nos revelam assim, certo que é involuntário e perigoso pois desde 1988, ano da última constituição, discriminação racial é crime.
Para finalizar, quero falar aos professores e agentes da educação. Quero lembrar aos educadores do quanto é difícil educar pelo exemplo; do quanto é difícil não reproduzir o que aprendemos na experiência social. Nossa escola existiu no século XX... gente, estou falando no século XXI, outro contexto! Recordo a minha filha que não cansa de repetir “Painho, você é um homem do século XX!”. Na sala de aula e diversidade é grande (negros, índios, homossexuais, diferentes credos religiosos, etc) cada um deve ser compreendido e respeitado; e os professores não são donos da razão, são guias para fazer o estudante compreender o mundo, a ciência, a sociedade e conhecer a si próprio. A responsabilidade é muito grande por isso a Lei 10.639 não basta, é um passo na caminhada, urge a preparação dos professores e não irei ausentar-me dessa turma, mais do que isso é preciso fornecer suportes didáticos para subsidiar as aulas e transversalizar a questão da africanidade.

*Texto-base da palestra proferida no I Fórum Regional para implementação da Lei 10.639/2003, ocorrido na Câmara Municipal de Vereadores de Nossa Senhora da Glória, Sergipe, no dia 25/09/2007. Artigo publicado no manual As relações étnico-raciais: História e cultura afro-brasileira e africana na Educação Básica de Sergipe. Aracaju, SEED/DED/NEDIC, 2011, p. 87-92.
** Thiago Fragata é poeta, historiador e atual Diretor do Museu Histórico de Sergipe/SECUL. E-mail: thiagofragata@gmail.com

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Memorial de Sergipe lança exposição "Praça São Francisco, Patrimônio da Humanidade" no Museu Histórico de Sergipe


Memorial de Sergipe (UNIT) lançará na manhã de sexta, 21/10, às 11:30 hs, a Exposição Temporária "Praça São Francisco, Patrimônio da Humanidade", no Museu Histórico de Sergipe, localizado em São Cristóvão, na praça homenageada. Confira programação completa:


10HS – PALESTRAS

Juliana Nascimento (Memorial de Sergipe/UNIT)

Praça São Francisco: elemento da sergipanidade?

Mediador: Thiago Fragata (Museu Histórico de Sergipe)

Kleckstane Farias (Casa do IPHAN/São Cristóvão)

Informe Periódico: a Praça São Francisco sob o olhar da UNESCO



11Hs - ANIMAÇÃO NA PRAÇA

Grupo Cultural Peneirou Xerém (Aracaju)


11Hs30Min

ABERTURA DA EXPOSIÇÃO TEMPORÁRIA

Praça São Francisco: Patrimônio da Humanidade

terça-feira, 11 de outubro de 2011

III Roda de Leitura de São Cristóvão “Mulheres em poesia”



A III Roda de Leitura de São Cristóvão teve como tema “Mulheres em Poesia” e aconteceu na Biblioteca Pública Municipal Lourival Baptista no dia 22 de setembro de 2011. Foram selecionadas 2 poesias de Carmelita Fontes, Núbia Marques, Cora Coralina, Roseane Murrat, Giselda Morais, Vesta Viana e Cecília Meireles, interpretadas, respectivamente, por Maria Rita, Celestino, Rose Barbosa, Irani, Thiago Fragata, Eliene Marcelo e Maria Glória, coordenadora do evento. Segue imagens e conteúdo:

Maria Vesta Viana, artista plástica e poetisa

Praça São Francisco (Vesta Viana)

Olhei em plena madrugada

quando dormia o movimento.

Demorei num ponto parada

diante do pálido convento.

Vi o palácio calmamente

junto a Assembléia repousante

O orfanato hospitaleiro

em frente do velho cruzeiro.

Vi a linha colonial

Desta praça que é imortal

Só o sussurro diz sua glória

de filhos célebres na História.

Esqueci meu pensamento

olhando o belo firmamento

Ornado de nuvens prateadas

decorando esta madrugada.


Poesia de Vesta Viana foi interpretada por Eliene Marcelo (Balcão de

Informações Turísticas/PMSC)



Roseane Murrat

AMIGO (Roseane Murrat)

No rumo certo do vento,

amigo é nau de se chegar

em lugar azul.

Amigo é esquina

onde o tempo para

e a Terra não gira,

antes paira,

em doçura contínua.

Oceano tramando sal,

mel inventando fruta,

amigo é estrela sempre

no rumo certo do vento,

com todas as metáforas,

luzes, imagens

que sua condição de estrela contém.


JANELAS (Roseane Murrat)

Em todas as janelas mim debruço,

em todos os abismos

estendo uma corda

e caminho sobre o nada.

Também ando sobre as águas,

subo em nuvens,

galgo intermináveis escadas.

Abro todas as portas

e cavernas com um sopro

ou três palavras mágicas.

Mergulho em torvelinhos,

danço no meio do vento,

pulo dentro da tempestade.

Em cada encruzilhada mim sento

e tento arruma o destino,

estranho castelo de areia.


Poesias de Roseane Murrat foram interpretadas por Irani (CE Padre Gaspar Lourenço)



Gizelda Morais

PORTO/VISÃO (Gizelda Morais)

Meu olho mágico

Sobrepõe/superpõe

Meu olho fotográfico

Porto-visão

Meu olho fantasia

Meu olho medo

Meu olho história

Pré-história

Meu olho abatimento

Meu olho sonolento

Meu olho cego

Parado no tempo

Porto-visão passado.


Meu olho vigilante

Atento

Verniz corretor

Vidente

Sem lágrimas

Com lentes de contato/com lentes de aumento

Meu olho transparente

Voltado para frente

Porto visão futuro


Quero meus dois olhos

Juntos/separados

Sem traições/tropeços

É pouco ter dois olhos

Quero quatro

É muito ter dois olhos

Quero nada

Nem cega nem vidente

Ser ponto de interrogação

Porto-visão presente.


SEM PREDIÇÃO (Gizelda Morais)

O tênis de minha filha

Repousa na cadeira

Sem pés

De laços amarrados

Prontos para caminhadas

- por indo irão os pés

De minha filha/

Eu que não os botei no mundo

Mas que os conduzo agora

Por caminhos por mim selecionados?

- definirei o caminho

Com a minha mão

Segura à sua mão?

- que clareiras abrirão eles

Para mim também

Numa rota insuspeita?


O tênis de minha filha

Repousa na cadeira

Eu lhe sinto o espírito

Que anima os pés

Aquele jeito já

Aquela forma

Que deforma ou reforma

A “forma” original.


Poesias de Gizelda Morais foram interpretadas por Thiago Fragata (Museu Histórico de Sergipe/SECULT)



Cora Coralina


MÃE (Cora Coralina)

Renovadora e reveladora do mundo
A humanidade se renova no teu ventre.
Cria teus filhos,
não os entregues à creche.
Creche é fria, impessoal.
Nunca será um lar
para teu filho.
Ele, pequenino, precisa de ti.
Não o desligues da tua força maternal.

Que pretendes, mulher?
Independência, igualdade de condições...
Empregos fora do lar?
És superior àqueles
que procuras imitar.
Tens o dom divino
de ser mãe
Em ti está presente a humanidade.

Mulher, não te deixes castrar.
Serás um animal somente de prazer
e às vezes nem mais isso.
Frígida, bloqueada, teu orgulho te faz calar.
Tumultuada, fingindo ser o que não és.
Roendo o teu osso negro da amargura.

ASSIM EU VEJO A VIDA (Cora Coralina)

A vida tem duas faces:
Positiva e negativa
O passado foi duro
mas deixou o seu legado
Saber viver é a grande sabedoria
Que eu possa dignificar
Minha condição de mulher,
Aceitar suas limitações
E me fazer pedra de segurança
dos valores que vão desmoronando.
Nasci em tempos rudes
Aceitei contradições
lutas e pedras
como lições de vida
e delas me sirvo
Aprendi a viver.

Poesias de Cora Coralina foram interpretadas por Rose Barbosa (Biblioteca Pública Municipal Lourival Baptista/PMSC)


Cecília Meireles

LUA ADVERSA

Tenho fases, como a lua

Fases de andar escondida,

fases de vir para a rua...

Perdição da minha vida!

Perdição da vida minha!

Tenho fases de ser tua,

tenho outras de ser sozinha.

Fases que vão e vêm,

no secreto calendário

que um astrólogo arbitrário

inventou para meu uso.

E roda a melancolia

seu interminável fuso!

Não me encontro com ninguém

(tenho fases como a lua...)

No dia de alguém ser meu

não é dia de eu ser sua...

E, quando chega esse dia,

o outro desapareceu...



DESPEDIDA

Por mim, e por vós, e por mais aquilo

que está onde as outras coisas nunca estão

deixo o mar bravo e o céu tranquilo:

quero solidão.

Meu caminho é sem marcos nem paisagens.

E como o conheces?- me perguntarão.

-Por não ter palavras, por não ter imagens.

Nenhum inimigo e nenhum irmão.

Que procuras? Tudo. Que desejas?-Nada.

Viajo sozinha com o meu coração.

Não ando perdida, mas desencontrada.

Levo o meu rumo na minha mão.

A memória voou da minha fronte.

Voou meu amor, minha imaginação...

Talvez eu morra antes do horizonte.

Memória, amor e o resto onde estarão?

Deixo aqui meu corpo, entre o sol e a terra.

(Beijo-te, corpo meu, todo desilusão!

Estandarte triste de uma estranha guerra...

Poesias de Cecília Meireles foram interpretadas por Maria Glória




Carmelita Fontes


INCERTA INCERTEZA (Carmelita Fontes)

Já não sei se te amei como devia
já não sei se te quis como eu queria
sei que te amei bem mais do que podia
mais tempo do que eu tinha para amar

Não sei se me esqueci pra te lembrar
não sei se me perdi pra te buscar
sei que te busquei mais do que sabia
menos do que se sabe pra encontrar

Não sei se te venci ou me venceste
não sei se te perdi ou me perdeste
no jogo que arrisquei pra te querer

Só sei que te perdendo sem cessar
um dia deixarei de te lembrar
um dia cansarás de me esquecer


BALANÇO (Carmelita Fontes)

Fiz a conta dos meus dias
quantos deles se perderam
fiz a conta dos meus sonhos
muitos nem aconteceram
fiz a conta dos meus passos
tantos rastros feneceram
fiz a conta das palavras
só poucas sobreviveram

Contei também os meus medos
alguns deles me venceram
contei também minhas lutas
os prêmios me entristeceram
contei também minhas dores
foram tantas - renasceram
contei também meus pecados
tantas cruzes floresceram

Fiz a conta dos meus vôos
era noite - interromperam
contei também meus segredos
era um só nem perceberam
fui contar os teus amores
tuas notas se perderam
fui contar os meus amores
as somas me enlouqueceram


Poesias de Carmelita Fontes foram interpretadas por Maria Rita (CE ELÍSIO FONTES)