terça-feira, 30 de dezembro de 2014

SARAU DULCÍSSIMA FLOR

Irmã Dulce foi tema do sarau

Na tarde do dia 7 de novembro, amantes da literatura reuniram-se no Convento do Carmo, em São Cristóvão, no templo em que Maria Rita fez noviciado e postulantado, sendo batizada Irmã Dulce, em 15 de agosto de 1934. Coordenado por Thiago Fragata, diretor do Museu Histórico de Sergipe, o “Sarau Dulcíssima Flor” iniciou com visita ao Memorial Irmã Dulce. Confira versos e imagens do evento.

Réplicas, textos, objetos que contam a presença de Irmã Dulce em 1933/1934


O escritor João Lover, compartilhou um trabalho da sua obra “Poesia e Pensamento”, lançada ano passado.
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DULCE: DULCÍSSIMA LUZ
João Lover

O sabor que tira a amargura
leva o nome da candura...
uma energia, um alimento,
a saída dos tormentos
pros miseráveis e enfermos,
quando não há meio termo,
e as dores, o extremo...

Desmedidas ações benevolentes
socorrem os menos favorecidos,
que vão sendo protegidos
nos momentos mais pungentes.

Irmã Dulce: a garantia,
a última chance, o abrigo,
a esperança, a alegria,
o consolo e o alívio...

no silêncio do olhar,
um propósito e a firmeza...
com a saúde a desejar,
e uma enorme fortaleza.

Irmã Dulce: um mistério
daqueles que não hesitam
se o caso é o remédio
pr'aqueles que necessitam...

E essa joia tão rara,
Como Francisco e Clara,
Antônio e Teresa de Calcutá,
desprendeu-se de sua vida
dedicando-se na lida
de muitos irmãos salvar.

Ao agir, além de orar,
ensinou-nos, com ternura,
esta lição mais pura:
ao semelhante amar...

Um exemplo a se mirar,
e a humanidade não segue
se aos desejos entregue,
não sabe mais caminhar.

Dulce! Há uma sorte
de quem convive contigo,
sentiu teu braço amigo
e o teu coração forte...
Quem viveu desse carinho
jamais se sente sozinho
e encontra o seu norte...

És bendita Luz Divina
uma Paz que nos domina,
simplesmente, uma Santa.
A emoção é tanta
se penso no teu sorriso:
vento leve que balança,
brilha e sopra infinito...

És tudo que nos ensina
um sublime dividir,
pra sermos do bem a mina
num fazer que nos anima
e que vai-nos redimir.

Não sei quem é que merece
da tua messe a bonança...
és poderosa e bem mansa,
supra impulso protetor,
sei que atendes o clamor
duma prece que te alcança.

Thiago Fragata coordenou o sarau
Thiago Fragata falou das pesquisas sobre a religiosa homenageada e do esforço para criação do Memorial Irmã Dulce, nas dependências do Convento do Carmo, em 2009.  Em seguinda recitou versos de um cordel de Manoel D'Almeida Filho:

 
VIDA, OBRA E MORTE DE IRMÃ DULCE: A SANTA DOS POBRES (1992)

Manoel D'Almeida Filho

já a nove de dezembro
do ano de trinta e dois
Maria Rita ficou
Feliz e contente pois,
Foi aceita no Convento
Quase dois anos depois.

Enquanto arrumava a mala
Maria Rita entretida
encontrou entre os brinquedos
Celica, a sua querida
Boneca que era uma parte
infantil da sua vida.

Foi essa a única coisa
que levou como lembrança
Da sua casa paterna
Do seu tempo de criança
Para a nova vida cheia
Pela bem-aventurança.

Plena de felicidade
Foi para a Congregação
Das irmãs missionárias
da Virgem da Conceição
Para cumprir fielmente
A sua santa missão.

Teve o seu noviciado
Encaminhado ao Convento
De São Cristóvão, em Sergipe,
Para cumprir seu intento
De trabalhar pelos pobres
Enfrentando o sofrimento.

No ano de trinta e três
Maria Rita cansada
A nove de fevereiro
Pela tarde era chegada
Ao seu destino, em Sergipe,
Por seu pai acompanhada.

Entregue Maria Rita
A noviça professora
Nas mãos da irmã Prudência
A Madre Superiora
Que seria a sua mestra
Para a missão redentora.

Frei Romulo Davi compartilhou seus versos
Na ocasião, a performance do poeta João Lover ilustrou matéria editada pela TV Sergipe para o programa Terra Serigy especial dedicado a Irmã Dulce pois o filme dedicado a Irmã Dulce foi lançando em Salvador no dia 10 de novembro. O jornalista Anderson Barbosa entrevistou Thiago Fragata, a Irmã Silvia e o Frei Rômulo Davi. 

Ao final, Fragata falou da importância das “literações” observadas em São Cristóvão desde abril de 2011. Ele que é incentivador, participante e o coordenador da maioria dos eventos do gênero (rodas de leituras, recitais, saraus) destacou que nos últimos 4 anos foram realizados 24 edições, uma média de 6 por ano.


GALERIA DE IMAGENS 









BIBLIOGRAFIA 
LOVER, João. Poesia e Pensamento. Aracaju, 2013.
SILVA, Rômulo Davi da. (Ofm). A Natureza e seus mistérios (ensaios poéicos). Unaí, 2011.
D'ALMEIDA FILHO, Manoel. Vida, obra e morte de Irmã Dulce: santa dos pobres. Aracaju, 1992. (Literatura de Cordel)


SABER MAIS:
As cartas de Irmã Dulce

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

CORDELISTAS DE SÃO CRISTÓVÃO: O PATINHAS


O Patinhas vendendo seus cordéis. Foto: Thiago Fragata 2012

Thiago Fragata*
Ruma de meninos armou tucaia na entrada do Museu Histórico Sergipe; outro dia era uma freira ansiosa por fazer um doação de uma palmatoria, mas voltando aos garotos, justificaram o seguinte: a professora disse que o senhor sabe tudo etc e tal. Gargalhei. Disse: isso de novo! Esse povo acha que nasci com o que sei, tá enganado! Que sei tudo, tá engano dobrado. Qual a nova questão? Responderam: queremos saber se em São Cristóvão tem cordelista? Lembrei de O Patinhas


João Batista Araújo Santos, conhecido como O Patinhas, nasceu no povoado Cabrita, em São Cristóvão, no dia 24 de junho de 1955. Teve uma infância difícil, com muito esforço conseguiu concluir o ensino primário. Aos 23 anos foi residir em Salvador. Diz que o grande incentivo para abraçar o mundo da literatura e das artes plásticas veio dos amigos que fez no pátio da Faculdade de Belas Artes da Bahia, alguns professores reconheceram nele um talento nato.

Cordéis de O Patinhas. Foto: Thiago Fragata 2014
Quando o entrevistei em 2012, ele comercializa seus 14 cordéis. Listo:
1 - Lampião morreu em Sergipe
2 - Bahia de todos os santos
3 - O filho da mulher estrupada
4 - A ovelha perdida
5 - Ética profissional
6 - O valente João da Faca
7 - O Sacrifício
8 - A picada do mosquito da dengue
9 - As filhas da prostituta
10 - Arara e o caju
11 - O sonho do poeta
12 - Provérbio popular
13 - Operário Presidente
14 - Peleja de pato e galo

Não tive tempo para prolongar nossa entrevista, o que descobri depois veio da leitura parcial da sua obra: comprei os 10 primeiros títulos disponíveis. Ele produziu alguns trabalhos sob encomenda (Ética profissional, A picada do mosquito da dengue), outros, tematizou a sua própria vida ou buscou homenagear pessoas (Lula) e lugares (Bahia, Aracaju). Revela ainda um tino evangelizador (A Ovelha perdida), buscando na Bíblia e no cristianismo lições que possam orientar/ensinar para boa formação religiosa e cidadã.

Thiago Fragata - poeta e historiador. E-mail: thiagofragata@gmail.com