sexta-feira, 29 de novembro de 2013

ENTREVISTA SOBRE PRESERVAÇÃO DO PATRIMÔNIO EM ARACAJU

Obra da 13 de julho é um aterro sobre o Rio Sergipe


Há 1 mês um certo jornal diário de Sergipe insistiu para que respondesse a uma entrevista sobre preservação do patrimônio cultural de Aracaju, daí enviou questões e dediquei madrugada e... não publicaram. Penso ter desagradado o editor, tudo bem não guardarei ressentimentos, também não guardarei a entrevista censurada. Disponho na integra para que saibam o que pensa este escriba sobre os crimes que acontecem na capital de Sergipe, cidade que engavetou seu Plano Diretor, é o paraíso das construtoras (da especulação imobilária), da "força da grana que ergue e destrói coisas belas" como diria o artista iconocrasta da sua própria obra Caetano Veloso.


ENTREVISTA

1) Qual a avaliação geral que o Senhor faz a respeito da manutenção de monumentos em Aracaju? São eles preservados? Como analisa sua manutenção, seja pelo poder público ou mesmo pela população?
– Não há como responder a questão sem fazer um preâmbulo, dada a sua complexidade e se tratar de uma cidade nova (158 anos), se comparada com a experiência histórica de outras cidades brasileiras, algumas coloniais. Preservar implica antes de tudo reconhecer sua importância histórica, ser patrimonializado através de  tombamento ou registro (medidas de proteção legal mais comuns) e criar atividades sistemáticas de manutenção (medidas preventivas) e/ou restaurações. Creio que atividades educativas, denominada por alguns “Educação Patrimonial”, encerra as ações que mediam, sustentam a afirmativa “patrimônio preservado”. Apontar um monumento em Aracaju é dizer “este é preservado” é possível, porém nem todos se acham cercado por tudo isso. Se a gente falar da esfera pública municipal aracajuana não se tem órgão que desempenhe tal função (preservar monumentos), existem apenas alguns monumentos tombados (reconhecidos como de valor histórico pelo Estado) estes são avaliados e passam por restaurações, dentro de condições e recursos disponíveis. Lembro que recentemente uma comissão da Sub-Secretaria de Patrimônio Cultural (SUBPAC) realizou uma destas avaliações, inclusive, noutros municípios. A Catedral Metropolitana que é tombada por decreto estadual recebeu recursos do Governo do Estado para sua restauração, por exemplo. O Conselho Estadual de Cultura, a Secretaria de Cultura do Estado são outros entes vinculados ao Estado com essa preocupação de zelo com o patrimônio. Evidente que é impossível angariar, alocar recursos para todos os monumentos que carecem de tombamento e urgente intervenção em Aracaju. Mas a pergunta é onde está o poder público de Aracaju nisso? E a população aracajuana? Estive semana passada no I Seminário Aracaju: Patrimônio Cultural e Proteção, promovido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em Sergipe (IPHAN-SE), que assim como o Ministério Público Federal (MPF) vem intervindo com ações de preservação há alguns anos mesmo na ausência de monumento aracajuano tombado pelo Governo Federal. Infelizmente, não havia nenhum representante do poder público municipal em nenhum dos 3 grupos de trabalho que discutiram medidas de proteção federal a praças e bairros centrais da cidade. Esta ausência, creio, responde a pergunta. Quanto a população aracajuana, ela possui traços identitários que devem ser destacados, antes mesmo de ações educativas visando zelar, favorecer a apropriação dos bens culturais. Por exemplo, boa parte é procedente do interior e tem sua relação afetiva com o seu lugar de origem, visitado a cada fim de semana e feriadão. Aracaju é o lugar do trabalho, de passar a semana. Ações educativas é o que falta para despertar no aracajuano de uma forma mais efetiva o sentido da preservação do seu lindo patrimônio cultural. Patrimônio é algo que vai além do sentido usual “é tudo que é meu”, pois patrimônio no sentido a que estou me reportando e que aracajuanos e governo precisam sentir “é tudo que é nosso!”, isso deve ser mais que um slogan.



2 - Quais as principais causas da deterioração? O que contribui mais para o desgaste das peças: a falta de manutenção ou o próprio descaso da população para com esses monumentos, inclusive os danificando?

 - a) A salinidade em Aracaju me parece alta, tenho pouco estudo na área mas o fato da cidade, mesmo planejada, surgir à beira-mar, aterrando mangues e charcos, extinguindo riachos e desmontando morros e areais não contribui para preservação de seus monumentos. Mas a cidade venceu a natureza ou pensa que venceu... b) Decorrente disto temos a necessidade de intervenções regulares e permanentes em alguns monumentos que chegam à ruína completa antes disso. De qualquer forma, a natureza, o homem e o patrimônio edificado são elementos indissociáveis na paisagem aracajuana. c) Com ou sem álibi, a especulação imobiliária deve ocupar o primeiro lugar no quesito: desaparecimento do patrimônio de valor histórico. Aqui ela desrespeita  Plano Diretor e qualquer outra norma considerada. O que se vê e acontece em Aracaju nesse campo é absurdo, surreal. d) A ação criminosa de depredar é também um ato lastimável e presente em Aracaju. Portanto, um conjunto de fatores encerra a questão.



3 - Quais as consequências material e imaterial para a sociedade quando da degradação de monumentos que marcam a passagem histórica da cidade?

- A perda completa de referências da memória do lugar cria um sujeito que não consegue despertar o senso de preservação nem mesmo se reconhecer. Porque o sentimento de pertença ainda que por adoção do lugar escolhido para viver é importante ao bem-estar do ser humano. Sem isso como falar em capital de qualidade de vida ou qualquer outro termo que nos remeta a falsa promessa da modernidade. Digo modernidade porque Aracaju nasceu numa propaganda de cidade moderna que se renova num esforço de se atualizar regularmente. Daí uma certa neurose de seus gestores por renovar o discurso da modernidade a cada novidade, cada obra. O que há de nefasto nisso é que infelizmente não se admite acolher elementos do passado nos projetos, parece que o novo para ser novo precisa destruir o existente, e não lembrar através de adaptações, referências, o monumento ou lugar original. 



4 - O que pode e deve ser feito para que essa memória se mantenha conservada?

- Planejamento e efetivação de práticas educativas nas escolas que não se esgotem nas visitas a lugares e palestras acadêmicas mas envolvam atores da sociedade, praças, mercado, comunidades de pescadores, terreiros, etc. Sei que o desafio maior é sempre trabalhar com os adultos, os que não estão nos bancos escolares mas influenciam a forma de estar e apreender o mundo, a cidade. Sou entusiasta das intervenções artísticas nos bairros, praças, comercio, instituições públicas, etc. A arte pode muito contribuir. Em Aracaju o desafio está dentro e fora da escola.

5 - De que modo pode cada cidadão contribuir para a sua preservação?
- O mundo que percebemos nasce dos sentidos, a vontade de intervir e gerenciar esse mundo é uma opção voluntária, consciente ou do instinto de humanidade. Não consigo dividir homem e natureza porque vivemos numa grande dependência desta, então preservar o patrimônio edificado e natural é uma tarefa que cabe a nós, seres humanos, cidadãos. Se cada um reproduzir em suas ações e discursos, valores como respeito, cidadania, preservação e sustentabilidade; estiver disposto a marcar sua reprovação perante atos de ameaça e/ou destruição do patrimônio cultural aracajuano, ainda que este seja perpetrado até mesmo pelas instâncias de poder, será um agente de preservação.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Círculo dos Ogãs receberá prêmio Abdias do Nascimento

O Círculo dos Ogãs foi selecionado para receber prêmio Abdias do Nascimento 2013, na Assembléia Legislativa, próximo dia 29/11, a partir das 14:30Hs, por indicação da Deputada Conceição Vieira. O premio destacará iniciativas afro-sergipanas que tenham uma ressonância com toda a sociedade.

HISTÓRICO DO EVENTO



Thiago Fragata idealizou o evento Círculo dos Ogãs

Um evento para discutir questões étnico-raciais no centro histórico de São Cristóvão, ex-capital que nos tempos coloniais fez do catolicismo e da burocracia administrativa as instituições hegemônicas, assim foi concebido o Círculo dos Ogãs por Thiago Fragata, diretor do Museu Histórico de Sergipe. Ele afirma "idealizei o evento em 2010, na euforia de transformar a Praça São Francisco em cenário de todas as religiões, especialmente, as religiões de matriz africana".
Cartaz do IV Círculo dos Ogãs. Arte: Rafael Oliva/SECULT

Na sua primeira edição (2010), com o tema "Africanidade e resistência em São Cristóvão", o evento reuniu representação dos terreiros locais para palestras, exposições, missa ecumênica e ato público na Praça São Francisco. Este ano o Museu Histórico de Sergipe e a Secretaria Estadual de Cultura (SECULT) foram agentes realizadores, com o apoio da Prefeitura Municipal de São Cristóvão e Casa do IPHAN. 
Cartaz II Círculo dos Ogãs. Arte: Mentefertil

Em 2011 a ong Sociedade para o Avanço Humano e Desenvolvimento Ecosófico (SAHUDE) assumiu a maior parte das demandas para realização do evento, dividindo com o Museu Histórico de Sergipe/SECULT sua realização. Definido o tema "Matrizes da religiosidade brasileira" firmou-se parceria com o Núcleo de Graduação em Ciências da Religião (Departamento de Ciências Sociais/UFS), Prefeitura Municipal de São Cristóvão e Casa do IPHAN.

Cartaz III Círculo dos Ogãs. Arte: Gladston Barroso.
 
Dada a magnitude do evento e as dificuldades, a partir da terceira edição (2011), a ong Sociedade para o Avanço Humano e Desenvolvimento Ecosófico (SAHUDE) assumiu a realização do evento. A ong SAHUDE conseguiu via parceria com Secretaria de Estado da Cultura (SECULT), Ong Ação e Cidadania João Bebe-Água (ACIJOBA), Prefeitura Municipal de São Cristóvão e Casa do IPHAN, o apoio necessário para realização das palestras, exposições, mostras de video, roda de leitura e apresentações culturais. O Museu Histórico de Sergipe consolidou-se enquanto sede do evento.

O III Círculo dos Ogãs apresentou o tema "Africanidade na cidade", expondo e discutindo elementos do patrimônio cultural dos centros urbanos que nos remete a herança africana. Exemplo: samba, hip-hop, capoeira, etc.


Cartaz IV Círculo dos Ogãs. Arte: Gladston Barroso.
No corrente ano, O IV Círculo dos Ogãs foi dedicado a "Lei 10.639/2003: uma década de experiências". Suas atividades foram divididas em 3 módulos (I - 25 de setembro; II - 27 de outubro; III - 19, 20 e 22 de novembro). Realizado com a Associação Cultural Amigos do Museu Histórico de Sergipe - criada em setembro de 2012 - , teve como parceiros a Casa do IPHAN, a Secretaria de Estado da Cultura (SECULT), a ACIJOBA, a UNEGRO/SE, o Núcleo da Diversidade Cultural (NEDIC/SEED-SE), o Núcleo de Estudos Afro-brasileiros (NEAB/UFS) e a Diretoria Regional de Educação (DRE 8/SEED-SE).
Show Kleber Melo e Futuros Ogãs, 20/11/2013.

Conferência Lei 10.639/2003, com Prof Robson Anselmo, 19/11/2013

BALANÇO DAS ATIVIDADES
De acordo com Viviane Lima, Presidente da ong SAHUDE "Como dado objetivo, o evento Círculo dos Ogãs realizou em apenas 4 (quatro) edições, um conjunto de atividades que revela o merecimento do prêmio Abdias do Nascimento".

1 culto ecumênico
1 mapeamento dos terreiros de São Cristóvão

2 rodas de capoeira (regional e angola)
2 espetáculos de dança afro
2 círculos da Paz na Praça São Francisco
3 rodas de leituras temáticas
3 shows
4 exposições temporárias
18 palestras 
Fonte: BLOG SAHUDE

A Corporação: uma crítica a quem Pratica o lucro sem escrúpulos

capa

  Cleverton Costa Silva 
Acadêmico de Direito/UFS

Pode-se dizer que A Corporação é um documentário notável e que diz a que veio: dar um choque de realidade nas pessoas iludidas pela desfaçatez conveniente das corporações, que divulgam uma boa imagem, mas escondem as mazelas provocadas pela sua busca sem escrúpulos pelos lucros, à moda Rubens Ricúpero, ex-Ministro da Fazenda brasileiro, que disse não ter escrúpulos, e que seria capaz de faturar em cima do que faz de bom, e esconder o que é ruim, como captado, em off, certa vez num estúdio jornalístico da Rede Globo (DINES, 2013).
 
Com foco central nas grandes organizações capitalistas, que conhecemos nas aulas de geografia como multinacionais e holdings, o documentário revela um panorama complexo e apresenta as corporações na visão de intelectuais, ativistas das mais diversas causas socioambientais, analistas de mercado e também representantes das próprias corporações. Ou seja, todos os lados são ouvidos e se mostram honestos nas suas análises.
 
Dentre os entrevistados, figuram Noam Chomsky, professor de filosofia e literatura no Instituto de Tecnologia de Massachusetts, o famoso MIT; Michael Moore, o polêmico diretor de Fahrenheit 11/9, que explora pontos de vista muito incômodos sobre o combate ao terrorismo para os governantes estadunidenses; e a ativista Vandana Shiva, indiana de renome mundial atuante feminista pelas causas ambientais e a mobilização feminina.
 
As mais de duas horas e 25 minutos de vídeo, apresentadas inicialmente de uma forma mais leve e convidativa, ficam cada vez mais densas em análise e terminam com uma mensagem mais otimista, de que nem tudo está perdido. Quem assiste ao documentário comprometido em conhecer a fundo o tema pode assistir a toda a produção sem maiores problemas com o tempo de duração.
 
O tema é, de fato, instigante e aborda em conjunto as origens das corporações estadunidenses, a gênese da ideia de pessoa jurídica no ordenamento jurídico estadunidense, o perigo da irresponsabilidade do mercado financeiro, a estratégia geopolítica imperialista das corporações, as relações com governos despóticos, a corrupção dos governos em nome do lobby empresarial, como no caso do uso do Posilac pela Monsanto na Flórida e toda a luta nos tribunais que expôs as vísceras do grupo Fox, do jornalista Rupert Murdock, comparado pelo jornalista Paulo Henrique Amorim (2013) com Roberto Marinho, das organizações Globo aqui no Brasil. Os problemas ambientais são tocados de forma intermitente e envolvem biotecnologia, poluição, uso e abuso de recursos naturais como a água, entre outros.
 
Embora o documentário cause certo mal estar pela exposição de um tema tão polêmico, ele termina apontando uma saída viável: a de que a população está nas ruas protestando contra os movimentos de privatização, contra patentes ilegais como a do nim, revertida por parlamentares verdes europeus e movimentos de agricultores. E que por consequência algumas corporações pensam em adotar atitudes mais corretas diante da sociedade.
 
Outro ponto, talvez o mais marcante, fica por conta do paradoxo apontado por Michael Moore, de que seus documentários são uma crítica ao sistema capitalista, e às próprias corporações. Porém, de forma acrítica, grandes distribuidoras vendem os seus documentários. Não importa serem coerentes, o que importa é ter o lucro. Deve-se lembrar que Moore é realizador de Tiros em Columbine e Fahrenheit 11/9 (PORTAL DE CINEMA, 2013).
 
Quem só assistiu ao documentário recentemente, embora tenha certa noção dos movimentos ativistas e suas causas socioambientais, políticas, econômicas e outras bandeiras em nível mundial, reconhecerá nA Corporação uma das principais fontes que alimentam as causas dos manifestantes contra o capitalismo e o imperialismo. O Avaaz, grupo social que atua em inúmeras causas globais, muito bem articulado na internet, por exemplo, coleta assinaturas constantemente para integrar documentos formais com demandas à ONU, OMC, contra a Monsanto, contra o cerceamento da liberdade na internet, entre outras causas (AVAAZ.ORG, 2013). Muitas delas mostradas de forma indireta no documentário.
 
É uma tarefa difícil criticar algum aspecto negativo do documentário A Corporação. Talvez se possa apontar apenas a longa duração do filme, que o incapacita de ser aceito por todos os públicos. Como está longe do objetivo do documentário ser algo agradável, A Corporação fica ainda mais denso na hora final, onde os toques de humor já nem são notados como na hora inicial.
 
Nos aspectos positivos, pode-se dizer que A Corporação é uma aula de politização e uma terapia de desintoxicação contra os impulsos consumistas que dominam as pessoas e alimentam a usura das corporações. E o maior mérito é ouvir todos os lados, os capitalistas e os consumidores, todos concentrados num grande esforço de reflexão sobre o tema proposto. Nota-se nA Corporação que o documentário não tem a intenção de ser imparcial, mas ele não deixa de contemplar todos os lados na discussão. Quem assiste ao documentário não vai se arrepender.

Ficha Técnica:
Título Original: The Corporation.
Origem: Canadá, 2004.

Duração: 2:25:42
Direção: Jennifer Abbott e Mark Achbar.
Roteiro: Joel Bakan e Harold Crooks.
Produção: Mark Achbar e Bart Simpson.
Fotografia: Mark Achbar, Rolf Cutts, Jeff Koffman e Kirk Tougas.
Edição: Jennifer Abbott.
Música: Leonard J. Paul.


REFERÊNCIAS

AMORIM, Paulo H. Roberto Marinho e Nascimento Brito enterram o JB. Disponível em: http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2010/07/22/roberto-marinho-e-nascimento-brito-enterraram-o-jb/, acesso em: 07/08/2013, 22:25.
AVAAZ.ORG. Quem somos. Disponível em: http://www.avaaz.org/po/about.php, acesso em: 07/08/2013, 22:41.
CHOMSKY, Noam. Chomsky se solidariza com Occupy Wall Street. Disponível em: http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/chomsky-se-solidariza-com-o-ocupa-wall-street.html, acesso em: 07/08/2013, 22:00.
DINES, Alberto. Denuncismo e escandalismo já não colam. Disponível em: http://observatoriodaimprensa.com.br/news/showNews/iq021020021.htm, acesso em: 07/08/2013, 22:16.
PORTAL DE CINEMA. A corporação. Disponível em: http://www.portaldecinema.com.br/Filmes/a_corporacao.htm, acesso em: 26/7/2013, 22:35.
______. Michael Moore. Disponível em: http://www.adorocinema.com/personalidades/personalidade-12457/filmografia/, acesso em: 07/08/2013, 22:31.
WIKIPÉDIA. George W. Bush. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/George_W._Bush, acesso em: 07/08/2013, 21:34.