SERGIPANOS NO ACRE - II*

 

O sergipano Siqueira de Meneses fundou a cidade de Sena Madureira, no Acre, em 25/9/1904.

 

THIAGO FRAGATA* 

Segue o recenseamento dos sergipanos que dedicaram trabalhos em prol do Estado do Acre, nas primeiras décadas do século XX. A base desta pesquisa é o Dicionário Bio-bibliográfico Sergipano (1925), de Armindo Guaraná, que revela sujeitos que experienciaram a saga da borracha, os confrontos armados no Acre e a querela política e judicial pela sua posse entre a Bolívia, o governo do Amazonas e a União.

Felisbello Firmo de Oliveira Freire - Médico e Historiador, nasceu em Itaporanga, em 1851, veio a falecer na capital federal, Rio de Janeiro, em 1916. Primeiro governador do Estado de Sergipe e autor de uma dezena de livros dentre os quais é pertinente citar a História de Sergipe (1891) e Os direitos do Amazonas sobre o território do Acre: estudo histórico e político (1906). Ao final do rumoroso caso do Acre, ele foi reconhecido pelo Governo Brasileiro como Território Nacional, condição que se manteve até 1962, ano em que finalmente foi reconhecido como Estado. (9)

Pedro Antônio de Oliveira Ribeiro - Nasceu em Laranjeiras, em 1851, e faleceu no Rio de Janeiro no ano de 1917. Dentre as inúmeras atividades desempenhadas ao longo da vida o magistrado foi autor da “Contestação e Tréplica em defesa dos direitos da União na ação de reivindicação movida pelo Estado do Amazonas, contra a União Federal”, redigida no ano de 1906. (10)

José Manoel Palmeira da Silva - Nasceu em Simão Dias, em 1873. Diferente dos dois últimos referenciados, esteve no Acre, residindo alguns anos. Comerciante, comprava e revendia borracha no Acre e Amazonas. Estudioso e dotado de experiência no mercado financeiro viajou para Bolívia, Chile e Paraguai. (11)

João Moreira de Magalhães – Médico, nasceu em Estância em 1855. Clinicou em Aracaju antes de tentar o sucesso da profissão no Amazonas. Por nomeação do Governo local, efetivou-se inspetor de saúde da cidade de Porto Acre. Foi diretor da Instrução Pública, de Manaus, no ano de 1890. (12)

José de Siqueira Meneses - Engenheiro, militar, político, nasceu em São Cristóvão em 1852. A convite do Governo Federal chefiou missão de reconhecimento no território do Acre, onde fundou a cidade de Sena Madureira (25/9/1904), sendo o primeiro prefeito. A “Princesinha do Acre”, como a cidade é conhecida, representa um marco histórico da presença sergipana na região. (13)

Nilo Moreira Guerra – Nasceu em Aracaju, em 1870, e faleceu em Sena Madureira, em 1917. A exemplo do já citado Avelino de Medeiros Chaves, Nilo chegou ao Acre para desempenhar profissão de agrimensor.  Foi nomeado diretor da Repartição de Obras Públicas, terras e meteorologia da Prefeitura do Alto Purus. Colaborou na Revista Amazonense. (14)

José Thomaz de Aquino Meneses – Padre, nasceu em Gararu em 1889. Secretário do Bispado e Cura da Catedral de Manaus. Foi sócio do Instituto Histórico e Geográfico do Amazonas e Professor de Latim do Ginásio Amazonense. (15)

Olympio Rollemberg de Oliveira Chaves – Músico e poeta, nasceu em Socorro, em 1860, e faleceu em Maceió, no ano de 1919. Foi contador do Tesouro do Amazonas, cargo que desempenhava em Manaus, capital do Estado. (16)

Salustiano Orlando de Araújo Costa – Magistrado, nasceu em São Cristóvão, em 1834, e faleceu no Rio de Janeiro, em 1908. Chefe de Polícia do Amazonas, também atuou na Educação enquanto Diretor da Instrução Pública, em 1865. (17)

Oséas Motta – Nasceu em Capela, em 1886. Aos 15 anos viajou para o Amazonas no propósito de trabalhar no comercio, auxiliando o tio Maxímino José da Motta. Dentre os cargos ocupados, vale ressaltar o de escrivão, inspetor, delegado de Manaus. Foi um dos fundadores da extinta Assembleia Literária Amazonense. Por questões de perseguição política, foi residir no Rio de Janeiro, onde em 1925, trabalhou na Câmara dos Deputados como defensor da Borracha. (18)

Apresentamos informações esparsas de sergipanos que tangenciaram o contexto histórico-geográfico do território acreano nos seus primórdios, fins do século XIX e início do XX. Pesquisa limitou-se praticamente à consulta do Dicionário Bio-bibliográfico, de Armindo Guaraná, obra de referência que tem suscitado diversas abordagens, originando monografias, dissertações, teses etc. Evidente que muitos anônimos fizeram parte da História do Acre. Por exemplo, no contexto da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) o governo brasileiro empreendeu política de incentivo a produção de borracha no Acre. Propagandas anunciaram vantagens e perspectivas alvissareiras na imprensa nordestina, o que deflagrou nova migração, inclusive de sergipanos, em razão do II ciclo da borracha.

FONTES DA PESQUISA: 9 - GUARANÁ, Armindo. Dicionário Bio-bibliográfico Sergipano. Rio de Janeiro: Pongetti, 1925, p. 83-86; 10 - idem, p. 241-242; 11 - Idem, p. 175; 12 - Idem, p. 143; 13 - Idem, p. 185-186; 14 - Idem, p. 232-233; 15 - Idem, p. 187; 16 - Idem, p. 236-237; 17 - Idem, p. 253-254; 18 -Idem, p. 230. 

 


*CRÉDITOS DO TEXTO: FRAGATA, Thiago. SERGIPANOS NO ACRE II. JORNAL DO DIA. Aracaju, 31 de janeiro de 2026.  

  

                           Dedicado ao saudoso amigo pesquisador Luiz Antônio Barreto (1944/2012)

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