quinta-feira, 14 de julho de 2011

TRÊS POESIAS PARA PRAÇA SÃO FRANCISCO

(Praça São Francisco de São Cristóvão/SE recebeu chancela de Patrimônio da Humanidade em 1/8/2010)


Por Thiago Fragata


I - CICERONE DE SÃO CRISTÓVÃO


Tenho repetido a saudação de cicerone

aos novos e velhos amigos e desconhecidos...


São Cristóvão, São Cristóvão

Cidade minha, metáfora de todos

Esfinge de quatro séculos

A lançar enigmas imemoriais

Aos professores, turistas, pesquisadores...


São Cristóvão, São Cristóvão

Quem não a conhece repete o erro do convertido

Que não vai a Meca depois de aceitar Alá.

Pra mim sempre Patrimônio da Humanidade

Tempo e templos para debulhar um terço da vida


São Cristóvão, São Cristóvão

Tenho encenado Gonçalves Dias

“Todos cantam a sua terra,

também vou cantar a minha”


São Cristóvão, São Cristóvão

Lembro o conselho de Leon Tolstoi

“Queres ser universal, canta sua aldeia...”


Ah! São Cristóvão...

Tenho repetido a saudação de cicerone

aos novos e velhos amigos e desconhecidos.


II - SÃO CRISTÓVÃO, CIDADE-POESIA


Um poeta só é muito pouco

Muito pouco, muito pouco

Porque na cidade tudo é poesia

Todo dia, todo dia

De mim, não sei o que seria

Sem ela para decorar a vida

Janela para o jardim...


Um poeta só é muito pouco

Vai se perder nos versos

Tropeçar nas rimas, ou não!

Eis que surge a menina

Na praça, na rua da esquina

É tão bonita que completa a paisagem

Também ama São Cristóvão quatricentenária.


Um poeta só é muito pouco

Agora são dois: poeta e musa

Ah! Musa lembra museu

Lugar mágico, de poesia e música

Fazer todo mundo dançar

No chão da praça São Francisco

E tudo acaba no bar.


Um poeta só é muito pouco

Por isso vai convidar Maria Glória

Maria Rita, Manoel Ferreira e João Rosa

Para fazer o jogral Patrimônio da Humanidade

E recitar bem alto para o mundo

São Cristóvão, cidade-poesia!


III - PRAÇA SÃO FRANCISCO DAS LEMBRANÇAS


Praça São Francisco das lembranças

O batismo foi na igreja,

Primeiro beijo aconteceu ali, no banco da praça

Atrás da arvore ou na frente?

Tem um cruzeiro que abençoa todos.


Praça São Francisco das lembranças

Não havia calçamento, era só terra e mato

Que virava lama com a chuva

Era menino e brincava de manja e pelada

Quando não tinha o reisado para entreter

nem o chefe do quarteirão para perseguir.


Praça São Francisco das lembranças

Era na praça a quermesse...

Era na praça o namoro...

Quase tudo acontecia na praça.

Agora ela é Patrimônio da Humanidade.

Assim seja!

Um comentário:

  1. por um acaso vim parar nesse blog e que feliz surpresa! Sou neta de Manoel Ferreira, um dos poetas citados, e de tanto amor a São Cristóvão vim para Recife e me tornei arquiteta. Tenho muito orgulho dessa cidade e de meu avô, ele ficará muito feliz em ver essa poesia.

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