sexta-feira, 10 de agosto de 2007

MESTRES DO FOLK: Mestre Rindú

Nasceu no bairro do Apicum Merém, em São Cristóvão, no dia 18 de setembro de 1940. Desde muito cedo aprendeu a dançar folclore e a pescar, como atividades complementares, uma como forma de lazer, outra como meio de sobrevivência. Aprendeu com João Curtiço a Chegança de São Cristóvão, hoje desativada, bem como na Caceteira do falecido João de Cota, de quem herdou os brincantes da Banca do Peixe, reduto dos pescadores da cidade histórica.

O Mestre Rindú, apelido de José Gonçalo dos Santos, se destaca nos eventos que participa a frente da Caceteira. Vestido para Chegança teve destaque especial no Seminário Nacional de Culturas Populares, que aconteceu em Brasília, em fevereiro de 2005. Enquanto Mestre da Caceteira recebeu o troféu Mestre Cadunga outorgado pela Prefeitura Municipal de Laranjeiras, cidade histórica de forte tradição cultural. Mestre Rindú é um dos ícones do folclore sancristovense.
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CACETEIRA

A caceteira é uma manifestação folclórica tradicional no período junino de São Cristóvão, a quarta cidade mais antiga do Brasil. Entoando cantigas do cancioneiro popular sergipano, homens e mulheres compõem o cortejo animado por zabumbas, ganzá e cuíca. O nome caceteira lembra o processo artesanal de sova do couro dos instrumentos de percussão e o próprio batuque “à base de cacetes”.

As caceteiras mais antigas de São Cristóvão datam da primeira metade do século XX. A Caceteira da Dona Biu e a Caceteira de João de Cota, ambas desaparecidas com o falecimento dos seus mentores, ainda resistem na memória coletiva da cidade. Atualmente, a única manifestação folclórica desse gênero é a Caceteira do Rindú, apelido do seu coordenador, o Sr. José Gonçalo dos Santos. De acordo com a tradição, todos os anos, no dia 31 de maio, a Caceteira do Rindú composta de 26 brincantes percorre as ruas do centro histórico numa batucada que festeja a chegada do mês junino. A meia-noite, o repique dos sinos das igrejas centenárias é louvado com emoção: “o sino do Carmo abalou, abalou deixa abalar”, diz o refrão.


Por Thiago Fragata - Professor, poeta, historiador e sócio-efetivo do Insituto Histórico e Geográfico de Sergipe. E-mail: thiagofragata@gmail.com