terça-feira, 17 de agosto de 2010

São Cristovão está preparada para comportar um Patrimônio da Humanidade?

Obra de esgotamento sanitário em andamento na rua Boa Viagem, centro histórico de São Cristóvão.
Foto: Klekstane


O dia 1º de agosto foi uma data marcante para todo o povo sergipano, especialmente para a população da cidade de São Cristovão, distante 20 km de Aracaju. Nesta data, a Praça São Francisco, com seus 400 anos, foi nomeada Patrimônio Histórico da Humanidade. Mesmo atendendo os requisitos básicos exigidos pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), São Cristovão está preparado para esta nova fase?

Com quatro séculos da história do Brasil preservada em cada espaço, São Cristovão ainda carrega problemas que ainda fazem parte de seu cenário, como a falta de uma adequada sinalização, restauração de prédios históricos, necessidade de uma readaptação do acompanhamento turístico, dentre outros. “Acho que não só a área da praça que deve ser arrumada, outras regiões de São Cristovão também”, reclama Valmira Santana, moradora do da cidade.

Estrutura para turismo

Dentre os aspectos de maior importância na econômica de São Cristovão, o turismo ainda se configura como um de seus pontos fortes. Com o título da Praça São Francisco, o fluxo de turistas na região tende a aumentar. Mas segundo o acompanhante turístico José Fernandes Soares, a cidade precisa rever certos pontos para atender a massa de visitas que irão aparecer daqui para frente. “Essa região da Praça São Francisco precisa melhorar consideravelmente. O calçamento daqui está muito danificado. Isso acontece porque mesmo com a proibição da circulação de ônibus e caminhões pela praça, muita gente ainda desrespeita isso”, afirma. Ele ainda relata que a falta de banheiros públicos e de uma efetiva guarda municipal nos pontos turísticos da cidade fazem uma enorme diferença para os turistas que visitam esses espaços. “O pessoal que vem de fora acabando tendo que usar o banheiro das igrejas por perto. Trabalho há 35 anos como acompanhante turístico e percebo que a cidade ainda não está preparada para receber muitos turistas. Além disso, os pontos turísticos daqui ficam abertos somente até as 16h para a visitação, como o Museu de Arte Sacra, por exemplo. Esse horário deveria ser expandido por que geralmente o pessoal chega por volta das 15h30min e acaba perdendo a oportunidade de conhecer esses lugares”, explica.

De acordo com o assessor de comunicação da Prefeitura Municipal de São Cristovão, Orácio de Oliveira, já estão sendo realizadas ações para o aperfeiçoamento do potencial turístico da cidade. “Há aproximadamente um mês, oferecemos em parceria com o SESC um curso de formação para os guias turísticos. Isto vai potencializar muito mais os profissionais deste ramo, além de oferecer um melhor suporte ao fluxo turístico da cidade”, esclarece.

Movimentação da Economia

A comerciante Marieta Santos, de 68 anos, vendedora das queijadinhas mais famosas da cidade, mudou-se para a parte alta de São Cristovão, com a ajuda do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), e já percebe o retorno que o grande aumento da movimentação turística repercutiu em suas vendas. “Elas aumentaram muito em pouquíssimo tempo. Antes fazia em torno de 400 queijadas por semana, agora chego a produzir e vender mais de 1700. Como muita gente começou a aparecer, eu tive até que fazer uma adaptação no meu espaço para fazer meus doces”, conta.

Mudanças

O assessor afirma que não é de agora que foi iniciado um eficiente processo de reestruturação da cidade. “Já estamos desenvolvendo obras de esgotamento sanitário. De acordo com estudos realizados, apenas 10 % dos lares brasileiros possuem este tipo de serviço. Isto vai trazer para a população de São Cristovão e para a própria cidade um considerável melhoramento da qualidade de vida”, esclarece.

Para a professora e agente da Subsecretaria de Estado do Patrimônio Histórico e Cultural (SUBPAC), Vânia Dias, apesar de serem perceptíveis os problemas, é necessário a compreensão e a paciência de toda a população. “Não podemos mudar de uma para outra. São Cristovão é uma cidade histórica e por isso tem um projeto diferenciado para os seus ajustes, a exemplo da sinalização na cidade”, relata.

Ela conta que as mudanças já estão acontecendo. “Muitas igrejas históricas daqui nem sequer abriam para visitação. Hoje, além das igrejas outros estabelecimentos representam a trajetória histórica do Estado para o público. Os problemas são notórios, mas as medidas cabíveis já estão sendo realizadas”, explica. Nesse contexto, a prefeitura da cidade, junto com a SUBPAC, tem realizado um intensivo trabalho de educação patrimonial em todo o município.

O assessor Orácio de Oliveira conta que o maior desafio será a questão do trânsito na região dos monumentos históricos. “Já está proibida a circulação de carros, ônibus, caminhões e outros tipos de veículos nessas regiões. Sem contar que estamos planejando a implantação de guardas municipais nestes pólos”, completa.

O subsecretário de Estado do Patrimônio Histórico e Cultural (SUBPAC), órgão ligado à Secretaria de Estado da Cultura, Luiz Alberto dos Santos, ressalta que com muito esforço da gestão pública e seus parceiros, além da compreensão e cooperação da população, a cidade vai começar a se adaptar aos novos de mudanças. “O interessante é que todas as ações que estão caminhando vão possibilitar que as pessoas reencontrem-se com a história de São Cristovão, preservando sempre o espírito resistente e de luta da alma sergipana, além de redescobrirmos as belezas deste Estado tão pequeno”, diz.

Fonte:

http://www.infonet.com.br/cidade/ler.asp?id=102330&titulo=especial

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http://www.infonet.com.br/cidade/ler.asp?id=102331&titulo=especial

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