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"Trem azul", como chamava os sancristovenses, 1978 |
Munido
de textos poéticos de Silvana Duboc, Manuel Bandeira, Ary Bueno,
Paulo Gontram, Maria Gloria e Thiago Fragata; os contadores
se revezaram perante o público do Colégio Estadual Deputado Elísio
Carmelo na Casa do IPHAN, em São Cristóvão, no dia 10 de maio do corrente ano.
A Roda de Leitura Trem Poesia teve trilha sonora temática:
Lá vém o Trem, de Ricardo Ottoboni; Trem das 7, de Raul Seixas; Trem das 11, de Adoniram Barbosa; Trenzinho do caipira, de Heitor Villa Lobos; Encontros e despedidas,
de Milton Nascimento.
O trem é um elemento que fascina
crianças, jovens e adultos. Brinquedo, meio de transporte, fonte de
inspiração, explosão de sentimentos, encontros, despedidas,
saudades, amores. Roda de leitura compartilhou os encantos do trem,
meio de transporte que fascinou gerações nos séculos XIX e XX.
São Cristóvão inaugurou uma Estação
Ferroviária no dia 5 de outubro de 1911 e fez transporte de
passageiro até fins da década de 1970.
O objetivo da Roda de Leitura de São Cristóvão segundo os educadores envolvidos (Thiago Fragata, Maria Rita, Kleckstane Farias, Eliene Marcelo, Denize Santiago, Rosy Barbosa e Maria Gloria) é divulgar literatura, estimular a leitura e incentivar a formação de leitores. Segue textos e imagens da Roda de Leitura Trem Poesia realizada na Casa do IPHAN.
1 - A
VIAGEM DE TREM - Autor: Silvana
Duboc
Nossa
vida é: como uma viagem de trem, cheia de embarques e desembarques,
de pequenos acidentes pelo caminho, de surpresas agradáveis com
alguns embarques e de tristezas com os desembarques...
Quando nascemos, ao embarcarmos nesse trem, encontramos duas pessoas que, acreditamos, farão conosco a viagem até o fim: Nossos pais. Não é verdade?
Infelizmente, em alguma estação eles desembarcam, deixando-nos órfãos de seus carinhos, proteção, amor e afeto.
Muitas pessoas tomam esse trem a passeio. Outros fazem a viagem experimentando somente tristezas. E no trem há, também, pessoas que passam de vagão a vagão, prontas para ajudar a quem precisa. Muitos descem e deixam saudades eternas.
Outros tantos viajam no trem de tal forma que, quando desocupam seus assentos, ninguém sequer percebe. Curioso é considerar que alguns passageiros que nos são tão caros, acomodam-se em vagões diferentes do nosso. Isso obriga a fazer essa viagem separados deles. Mas claro que isso não nos impede de, com grande dificuldade, atravessarmos nosso vagão e chegarmos até eles. O difícil é aceitarmos que não podemos nos assentar ao seu lado, pois outra pessoa estará ocupando esse lugar.
Essa viagem é assim: cheia de atropelos, sonhos, fantasias, esperas, embarques e desembarques. Sabemos que esse trem jamais volta. Façamos, então, essa viagem, da melhor maneira possível, tentando manter um bom relacionamento com todos os passageiros, procurando em cada um deles o que tem de melhor, lembrando sempre que, em algum momento do trajeto, poderão fraquejar e, provavelmente, precisaremos entender isso.
Nós mesmos fraquejamos algumas vezes. E, certamente, alguém nos entenderá. O grande mistério, afinal, é que não sabemos em qual parada desceremos.
E fico pensando: quando eu descer desse trem sentirei saudades? Sim. Deixar meu filho viajando nele sozinho será muito triste. Separar-me de alguns amigos que nele fiz, do amor da minha vida, será para mim dolorido. Mas me agarro na esperança de que, em algum momento, estarei na estação principal, e terei a emoção de vê-los chegar com sua bagagem, que não tinham quando desembarcaram.
E o que me deixará feliz é saber que, de alguma forma, posso ter colaborado para que ela tenha crescido e se tornado valiosa. Agora, nesse momento, o trem diminui sua velocidade para que embarquem e desembarquem pessoas. Minha expectativa aumenta, à medida que o trem vai diminuindo sua velocidade... Quem entrará? Quem saíra?
Agradeço a Deus por você fazer parte da minha viagem, e por mais que nossos assentos não estejam lado a lado, com certeza, o vagão é o mesmo.
Texto lido por Kleckstane Farias.
2 - TREM
VIRADO (inédita) - Autor: Thiago
Fragata
Lá
vem o trem
Lá
vem o trem
Lá
vem o trem
Trem
azul/trem amarelo
Trem
azul/trem amarelo
Trem
azul/trem amarelo
Sai
da frente minino!
Você
pode escorregar na merda
aí
o trem come perna
Lá
vem o trem
Lá
vem o trem
Lá
vem o trem
Trem
azul/trem amarelo
Trem
azul/trem amarelo
Trem
azul/trem amarelo
Pela
Tebaída
Pelo
morro São Gonçalo
Passa
na Colina das Almas
E
para na Estação
Segue
adiante trem de ferro
Vai
com Deus!
Mas
faz favor: não descarrilha na curva
Lá
vem o trem
Lá
vem o trem
Lá
vem o trem
Trem
azul/trem amarelo
Trem
azul/trem amarelo
Trem
azul/trem amarelo
1954,
Chega meu Deus o trem virou!
Foi
na curva do São Gonçalo
Morreu
muichta gente
O
caminhão levou os feridos
Uma
tragédia pra esquecer
Depois
de chorar e enterrar os mortos.
Lá
vem o trem
Lá
vem o trem
Lá
vem o trem
Trem
azul/trem amarelo
Trem
azul/trem amarelo
Trem
azul/trem amarelo.
Poesia interpretada pelo próprio autor.
3 - TREM
DE FERRO - Autor: Manuel
Bandeira
Café com pão
Café com pão
Café com pão
Virge Maria que foi isso maquinista?
Agora sim
Café com pão
Agora sim
Voa, fumaça
Corre, cerca
Ai seu foguista
Bota fogo
Na fornalha
Que eu preciso
Muita força
Muita força
Muita força
(trem de ferro, trem de ferro)
Oô...
Foge, bicho
Foge, povo
Passa ponte
Passa poste
Passa pasto
Passa boi
Passa boiada
Passa galho
Da ingazeira
Debruçada
No riacho
Que vontade
De cantar!
Oô...
(café com pão é muito bom)
Quando me prendero
No canaviá
Cada pé de cana
Era um oficiá
Oô...
Menina bonita
Do vestido verde
Me dá tua boca
Pra matar minha sede
Oô...
Vou mimbora vou mimbora
Não gosto daqui
Nasci no sertão
Sou de Ouricuri
Oô...
Vou depressa
Vou correndo
Vou na toda
Que só levo
Café com pão
Café com pão
Café com pão
Virge Maria que foi isso maquinista?
Agora sim
Café com pão
Agora sim
Voa, fumaça
Corre, cerca
Ai seu foguista
Bota fogo
Na fornalha
Que eu preciso
Muita força
Muita força
Muita força
(trem de ferro, trem de ferro)
Oô...
Foge, bicho
Foge, povo
Passa ponte
Passa poste
Passa pasto
Passa boi
Passa boiada
Passa galho
Da ingazeira
Debruçada
No riacho
Que vontade
De cantar!
Oô...
(café com pão é muito bom)
Quando me prendero
No canaviá
Cada pé de cana
Era um oficiá
Oô...
Menina bonita
Do vestido verde
Me dá tua boca
Pra matar minha sede
Oô...
Vou mimbora vou mimbora
Não gosto daqui
Nasci no sertão
Sou de Ouricuri
Oô...
Vou depressa
Vou correndo
Vou na toda
Que só levo
Pouca
gente
Pouca gente
Pouca gente...
(trem de ferro, trem de ferro)
Pouca gente
Pouca gente...
(trem de ferro, trem de ferro)
Poesia lida pela contadora Maria Rita.
4 - O
TREM - autor: Ary
Bueno
La vai o trem, carregado de muitas saudades
Trem que corre pelos trilhos, cortando tantas cidades
Vai conduzindo muitos sonhos sem maldade
Tanta fé, tanta esperança, tanta busca a felicidade
Em cada estação uma alegria, gente feliz de verdade
Cada parada descarrega, gente tão cheia de bondade
Gente simples, gente humilde, mais algumas cheia de vaidade
Que no trem não se mistura, não se sente a vontade
La vai o trem, conduzindo centenas de passageiros
Carrega gente pobre, e gente com muito dinheiro
Cortando rios, túneis, e locais com árvores e pinheiro
Seu apito corta os ares, com um grito altaneiro
E eu aqui olho os trilhos, por onde foi minha felicidade
Pois o trem levou consigo, quem amei com intensidade
Este trem que não retorna, seguiu rumo a outra cidade
Levou para sempre o meu amor, só me deixou esta saudade
Saudade que não embarca, que não me deixa não
Esqueci de despachá-la para uma outra estação
E assim esta malvada, que só me traz a solidão
Se aninhou eternamente... na estação do coraçãoTexto foi lido pela aluna do Colégio Estadual Deputado Elísio Carmelo.
5 - DENTRO
DO TREM TEM - Autor: Paulo
Gontran Ramos
Dentro do trem estranho, estranhos têm. Alguns vêem, outros vêm. Alguns não, outros lêem. Dentro do trem tem quem tem e quem não tem, também tem. Pára na estação. Fica parado. Arranca, pára. Estranhos no trem têm.
Tem trem e não tem também. Se vai, também vem. Se fica, arranca, pára, abre portas também. Têm trens, apressados têm. Uns vêem, outros crêem. Têm trens, rápidos trens. No horário, o trem vem. Abre portas, mostra o que contém. Tem trem. Forte trem. Estranhos têm. Fica trem. Vai trem. Pára trem. Abre portas trem.
Vou eu também.
Poesia interpretada por Denize Santiago.
GALERIA IMAGENS
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Passageiros aguardam trem na Estação Sam Christovam, 1923 |
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Estação Sam Christovam desativada, 1980 |
Público, alunos do Colégio Estadual Dep. Elísio Carmelo |
Kleckstane Farias, nova integrante da Roda de Leitura de São Cristóvão |
Aluna participou também das leituras |
Maria Rita leu "O Trem", de Manuel Bandeira |
Maria Gloria interpretou poesia de sua autoria |
Poetisa Maria Gloria encantou público com interpretação |
Denize Santiago leu poesia de Paulo Gontram Ramos |
Obrigado por prestigiarem meu trabalho.
ResponderExcluirUm abraço a todos e parabéns pela iniciativa.
Gontran