COMO ADQUIRIR CD-ROM “CRONOS ON LINE” SOBRE A CAMPANHA DA PRAÇA SÃO FRANCISCO, DE SÃO CRISTÓVÃO, A PATRIMÔNIO DA HUMANIDADE?



Há 4 anos, Sergipe conseguiu um importante reconhecimento internacional que foi o festejado selo de Patrimônio da Humanidade concedido a Praça São Francisco, de São Cristóvão, pela UNESCO. A decisão da chancela ocorreu no dia 1º. de agosto de 2010, durante a 34ª. Sessão do Comitê do Patrimônio Mundial, realizada em Brasília no Hotel Royal Tulip. Como lembrou a jornalista Christina Vidoto, da Revista O Prelo a campanha da praça sergipana destacou-se pelo ativismo on line (ou ciber-ativismo) que seria o envolvimento de blog, sites, abaixo-assinado virtual, etc. CRONOS ON LINE: Catálogo Digital da Campanha da Praça São Francisco, de São Cristóvão, a Patrimônio da Humanidade (2005/2010) reúne 206 matérias veiculadas na internet (formato PDF) no periodo de 2005 a 2010, dispostos em ordem cronológica.

O catálogo organizado pelo historiador Thiago Fragata, que atuou como Coordenador da Comissão pró-candidatura da Praça São Francisco, apresenta ainda 4 anexos, a saber:
1 - Primeira propaganda veiculada na TV sobre a campanha da Praça São Francisco (2008)
Produção: Vange Produções e Vídeo, 15’’
2 - Vídeo-documentário Praça São Francisco, Patrimônio da Humanidade (2008).
Produção: CEAV/Universidade Federal de Sergipe. Direção e texto: Thiago Fragata
Editor: Manoel Gonçalves. 5’14’’.
3 - Vídeo-palestra de Thiago Fragata sobre a campanha da Praça São Francisco na Assembléia Legislativa de Sergipe (03/04/2008). Produção: TV Alese, 28'35''
4 - Áudio - Coletiva do Governador Marcelo Deda Chagas a imprensa sergipana na manhã do dia 2 de agosto de 2010, no Palácio do Governo, 40'03''


VALOR R$ 10,00 (DEZ REAIS)
PEDIDOS PELO EMAIL: thiagofragata@gmail.com
OBS: entrega em outros Estados somente com mudança nos valores!

HOMENAGEM E LANÇAMENTO DE LIVROS NO MHS



Na tarde do dia 26 de dezembro, quinta, no Museu Histórico de Sergipe aconteceu o lançamento do livro São Cristóvão São Cristóvão, nas letras das poesias de minha infância, uma coletânea de alunos do 5. ano (ppoetinhas!) da Escola do Lar Imaculada Conceição (ELIC). A escolha da instituição é mais que simbólica, desde abril de 2011, o incentivamos a prática das rodas de leituras na comunidade e o MHS tem sido promotor de ações educativas do gênero.

Dividido em dois momentos, o evento contou com uma homenagem ao poeta Manoel Ferreira Santos, 93 anos, o primeiro diretor do Museu Histórico de Sergipe (gestão 1960/1970), em seguida o lançamento da coletânea com sessão autógrafos. 

Thiago Fragata leu versos gravados numa foto de Manoel Ferreira e Leonel Brizola
Com Leonel Brizola imagem encontrada nas pesquisas sobre a vida e obra de Manoel Ferreira

MANOEL FERREIRA SANTOS 
Se festeja 93 anos, esse mundo é que tem sorte
pois o bronze não daria a estatura do teu porte
nem o ouro cotaria o valor do teu caráter.
(Versos de Thiago Fragata)

Manoel Ferreira é um importante agente cultural sancristovense

Na sequencia, o diretor do ELIC, Junior Macário apresentou a equipe de professores e coordenadores da institituição e discorreu sobre os projetos "Herdeiros do Futuro" e "Novos Poetas". Foi reconhecido o esforço da professora Cleide Oliveira, que acompanhou o grupo de alunos na produção da obra literária que reúne trabalhos dedicados a cidade de São Cristóvão.

Equipe ELIC


Mesa dos autores, os poetinhas
Professora Cleide Oliveira, grande incentivadora da produção poética
Diretor, Junior Macário, destacou que o livro é um ato de amor a São Cristóvão
Sessão de autógrafos

Dentre a coletânea, merecem destaque alguns trabalho dedicados ao pitoresco, ao cotidiano, as coisas de São Cristóvão e que muito bem caberia como suvenir na mala dos turistas. Independente disso, sabemos que a obra será um dos paradidáticos das turmas do ELIC. Para finalizar, vamos curtir a poesia de Ana Rebeca.


CHEIRO DE SÃO CRISTOVÃO

Ana Rebeca

Cheiro de terra molhada
Cheiro de comidas típicas
Mandioca
Macaxeira
Batata doce
Doce batata
Que o povo gosta
Se alegra
E pede mais.
Esse é o cheiro de São Cristóvão
Cheiro de terra molhada
Doceiras
Com seus doces na calçada.


  

SABER MAIS:
http://www.museuhsergipe.blogspot.com.br/2014/12/livro-de-poesias-dedicados-sao.html


CORDELISTAS DE SÃO CRISTÓVÃO: O PATINHAS


O Patinhas vendendo seus cordéis. Foto: Thiago Fragata 2012

Thiago Fragata*
Ruma de meninos armou tucaia na entrada do Museu Histórico Sergipe; outro dia era uma freira ansiosa por fazer um doação de uma palmatoria, mas voltando aos garotos, justificaram o seguinte: a professora disse que o senhor sabe tudo etc e tal. Gargalhei. Disse: isso de novo! Esse povo acha que nasci com o que sei, tá enganado! Que sei tudo, tá engano dobrado. Qual a nova questão? Responderam: queremos saber se em São Cristóvão tem cordelista? Lembrei de O Patinhas


João Batista Araújo Santos, conhecido como O Patinhas, nasceu no povoado Cabrita, em São Cristóvão, no dia 24 de junho de 1955. Teve uma infância difícil, com muito esforço conseguiu concluir o ensino primário. Aos 23 anos foi residir em Salvador. Diz que o grande incentivo para abraçar o mundo da literatura e das artes plásticas veio dos amigos que fez no pátio da Faculdade de Belas Artes da Bahia, alguns professores reconheceram nele um talento nato.

Cordéis de O Patinhas. Foto: Thiago Fragata 2014
Quando o entrevistei em 2012, ele comercializa seus 14 cordéis. Listo:
1 - Lampião morreu em Sergipe
2 - Bahia de todos os santos
3 - O filho da mulher estrupada
4 - A ovelha perdida
5 - Ética profissional
6 - O valente João da Faca
7 - O Sacrifício
8 - A picada do mosquito da dengue
9 - As filhas da prostituta
10 - Arara e o caju
11 - O sonho do poeta
12 - Provérbio popular
13 - Operário Presidente
14 - Peleja de pato e galo

Não tive tempo para prolongar nossa entrevista, o que descobri depois veio da leitura parcial da sua obra: comprei os 10 primeiros títulos disponíveis. Ele produziu alguns trabalhos sob encomenda (Ética profissional, A picada do mosquito da dengue), outros, tematizou a sua própria vida ou buscou homenagear pessoas (Lula) e lugares (Bahia, Aracaju). Revela ainda um tino evangelizador (A Ovelha perdida), buscando na Bíblia e no cristianismo lições que possam orientar/ensinar para boa formação religiosa e cidadã.

Thiago Fragata - poeta e historiador. E-mail: thiagofragata@gmail.com

THIAGO FRAGATA LANÇA CD-ROM CRONOS ON LINE

CRONOS ON LINE FACILITARÁ PESQUISA

Na próxima sexta (5/12), o historiador Thiago Fragata lançará o CD-Rom CRONOS ON LINE. O catálogo digital da Campanha da Praça São Francisco, de São Cristóvão, a Patrimônio da Humanidade (2005/2010) reúne 206 matérias veiculadas na internet (formato PDF) e 4 anexos, sendo 3 vídeos e 1 áudio. O evento acontece na tarde de lançamentos realizada pelo Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe (IHGSE), em Aracaju, a partir das 17 horas. 
 
Fragata explica a importância do seu catálogo: "nos últimos anos, capturei matérias na internet sobre a campanha da Praça São Francisco e converti em PDF, por segurança, porque percebi a frequência com que essas notícias eram retiradas da rede mundial de computadores, o que deixava os pesquisadores no prejuízo; tanto que mais de 50% dessas matérias não se acham mais disponíveis. Diante desta carência que atingia a todos, num momento pós-reconhecimento que aliás aumentou o interesse das pesquisas sobre o patrimônio mundial sergipano, coloquei ordem cronológica na série de documentos guardados em meu arquivo, anexei vídeos produzidos pela Comissão Pró-candidatura e uma entrevista do saudoso Governador Marcelo Deda concedida no dia 2 de agosto de 2010, sobre a decisão da UNESCO em chancelar a praça localizada em São Cristóvão". 
 
Thiago Fragata compartilhará dados de pesquisa
 
Cronos on line constitui uma prova cabal do ciber-ativismo que envolveu a candidatura da Praça São Francisco e rende homenagens a quatro personalidades que contribuíram para o sucesso do patrimônio evidenciado: Marcelo Deda, Zezinho da Everest, Luiz Alberto e o cantor Rogério.

NO PRÓXIMO VAPOR - II*

Aurélia Dias Rollemberg (Dona Sinhá), déc. 1950
 



Samuel Barros de Medeiros e Albuquerque**

No domingo retrasado, voltamos ao longínquo século XIX e, na manhã de 10 de março de 1879, embarcamos com o Barão de Estância e seus acompanhantes rumo à capital do Império do Brasil. Eis, agora, uma questão: como foi possível reconstituir o percurso daquela viagem oitocentista entre Aracaju e o Rio de Janeiro?

A resposta não carece de rodeios. A reconstituição foi possível graças à sobrevivência de manuscritos e impressos produzidos no Brasil do século XIX ou legados por mulheres e homens que aqui viveram entre a segunda metade do século XIX e a primeira metade do século XX.

E quais seriam esses documentos? O primeiro e mais importante é o texto de memórias de Aurélia Dias Rollemberg (1863-1952), nome de casada da filha mais velha do Barão da Estância com dona Lourença de Almeida Dias Mello.

Como havíamos registrado, as sinhazinhas Aurélia e Anna acompanharam seus pais na viagem de 1879. Décadas depois, no gabinete de leitura do memorável casarão da Rua Boquim, no centro de Aracaju, a viúva do senador Gonçalo de Faro Rollemberg (1860-1927) registrou suas reminiscências sobre o Rio oitocentista em uma pequena caderneta escolar. Esse documento, produzido entre 1927 e 1952, foi editado em 2005, na obra Memórias de Dona Sinhá, e o manuscrito original foi incorporado ao acervo do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe, através de doação feita pelos herdeiros do médico Lauro de Britto Porto (1911-2011). Assim, o texto de memórias de Aurélia sobreviveu e pode ser consultado em sua versão impressa ou manuscrita [1].

No Arquivo Público Estadual de Sergipe, localizamos os registros de saída de embarcações no porto do Aracaju relativos ao ano de 1879. Nesse sentido, o volume 21 do Fundo Segurança Pública registra a saída, em 10 de março, do vapor nacional Marquês de Caxias para o porto da Bahia [2]. Como havíamos mencionado no texto anterior, foi neste vapor da Companhia Baiana de Navegação que os viajantes sergipanos seguiram até Salvador, antes de tomarem o vapor estrangeiro que os conduziria até o Rio.

Por fim, a edição de 16 de março do jornal baiano “O Monitor” veiculou o seguinte registro: “[Ontem], no vapor allemão Valparaiso foram para Santos pelo Rio de Janeiro os seguintes [passageiros]: Manuel de M. e Souza sua senhora, 1 criada e 2 crianças, Barão da Estancia sua senhora, 2 filhas e 4 criados, Antonio da M[otta] Ribeiro e 4 criados, Chr. Retberg, Eleodoro J. de Campos, Dr. Pedro J. Pereira” [3].

Para além das fontes que nortearam, principalmente, a reconstituição do percurso, dialogamos com outros documentos [4] e estudos [5] sobre o Brasil oitocentista, que lançaram luzes sobre os cenários estudados. Exemplo disso são as cartas de preceptora alemã Ina von Binzer, que narram suas experiências enquanto preceptora de famílias fluminenses e paulistas em princípios da década de 1880. Esses documentos foram publicados na Europa em fins da década de 1880 e no Brasil, somente, em meados da década de 1950 [6]. Ina registrou com riqueza de detalhes, por exemplo, suas primeiras impressões sobre a região portuária e o centro do Rio de Janeiro oitocentista.

Longe de querer vomitar erudição em plena viagem marítima, considero tarefa básica no ofício do historiador indicar as fontes que dão vida às suas narrativas. Por mais que devamos primar por uma escrita historiográfica convidativa, julgo importante realçar a tênue linha que separa História e Literatura. (Continua)




* Publicado no JORNAL DA CIDADE. Aracaju, 16-17/11/2014, p. CA - 7. A fotografia que ilustra este artigo retrata Aurélia Dias Rollemberg (Dona Sinhá) em princípios da década de 1950 (Acervo particular de Ruth Rollemberg da Fonseca Mandarino).

**Professor da UFS e presidente do IHGSE. E-mail: samuel@ihgse.org.br
NOTAS
[1] A referência completa da versão impressa é: ROLLEMBERG, Aurélia Dias. O documento. In: ALBUQUERQUE, Samuel Barros de Medeiros. “Memórias de dona Sinhá”. Aracaju: Typografia Editorial, 2005. p. 47-123. Por sua vez, o documento original possui a seguinte referência: ROLLEMBERG, Aurélia Dias. [Texto de memórias]. Aracaju, [entre 1927 e 1952]. Acervo do IHGSE;
[2] REGISTROS de saída de embarcações no porto de Aracaju em 1879. Arquivo Público Estadual de Sergipe, Fundo SP8 - Inspetoria da Polícia (Marítima e Aérea), volume 21, p. 197 (reverso);
[3] NOTÍCIAS diversas. “O Monitor”, Bahia, 16 mar. 1879, p. 1.
[4] Em termos documentais, fiz uso de: AVÉ-LALLEMANT, Robert. Excursão à província de Sergipe. “Revista do IHGSE”, Aracaju, v. 21, n. 26, 1961; DIÁRIO do imperador D. Pedro II na sua visita a Sergipe em janeiro de 1860. “Revista do IHGSE”, Aracaju, n. 26, p. 64-78, [1965]; MACEDO, Joaquim Manoel de. “Um passeio pela cidade do Rio de Janeiro”. Tomo Primeiro. Rio de Janeiro: Typ. Imparcial de J. M. Nunes Garcia, 1862; _____. “Um passeio pela cidade do Rio de Janeiro”. Tomo Segundo. Rio de Janeiro: Typ. de Candido Augusto de Mello, 1863; SANTOS, Luiz Álvares dos. “Viagem Imperial á Provincia de Sergipe”. Bahia: Typographia do Diario, 1860; 
SCHRAMM, Adolphine. “Cartas de Maruim”. Aracaju: Núcleo de Cultura Alemã de Sergipe/UFS, 1991.
[5] Em termos bibliográficos, fiz uso de: ALMEIDA, Maria da Glória Santana de. “Sergipe: fundamentos de uma economia dependente”. Petrópolis: Vozes, 1984; _____. “Nordeste açucareiro”. Aracaju: UFS/SEPLAN/BANESE, 1993; CARVALHO, José Murilo de. “A construção da ordem & Teatro de sombras”. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003; FIGUEIREDO, Cláudio; SANTOS, Núbia Melhem; e LENZI, Maria Izabel Ribeiro (Organizadores). “O porto e a cidade”. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2005; FREYRE, Gilberto. “Modos de homem e modas de mulher”. Rio de Janeiro: Record, 1987; NUNES, Maria Thetis. “Sergipe Provincial II (1840/1889)”. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro; Aracaju: BANESE, 2006; PASSOS SUBRINHO, Josué Modesto dos. “História econômica de Sergipe (1850-1930)”. Aracaju: Programa Editorial da UFS, 1987; ROSADO, Rita de Cássia Santana de Carvalho. “O Porto de Salvador, modernização em projeto, 1854-1891”. Salvador: EdUFBA/CODEBA, 1983; SCHWARCZ, Lilia Moritz. Cultura. In: SILVA, Alberto da Costa e (Coordenação). “Crise colonial e independência: 1808-1830”. Rio de Janeiro: Objetiva, 2011. (História do Brasil Nação: 1808-2010, 1).
[6] BINZER, Ina von. “Alegrias e tristezas de uma educadora alemã no Brasil”. São Paulo: Anhembi, 1956.

LAUDELINO PROFESSOR: UM ESQUECIDO MESTRE DE CAPOEIRA

Laudelino Meneses - Acervo da família    Thiago Fragata*   Alvaro Machado de Andrade Júnior realizou pesquisa sobre a prática da capoeira ...