sábado, 2 de janeiro de 2010

Luiz Alberto fala sobre candidatura da Praça São Francisco

Subsecretário de Patrimônio Cultural, Luiz Alberto Santos, fala ao jornalista Eugênio Nascimento (JORNAL DA CIDADE), sobre as perspectivas da candidatura da Praça São Francisco a Patrimônio da Humanidade.

JORNAL DA CIDADE
– O que credencia a praça São Francisco a ser Patrimônio da Humanidade?

LUIZ ALBERTO SANTOS - A província de Sergipe surge a partir de uma grande luta de resistência entre os povos indígenas que aqui viviam, em relação ao colonizador português em 1590. O final do século XVI e início do século XVII é um momento ímpar de nossa história, pois os reinos de Portugal e Espanha estão sob a égide do rei Felipe da Espanha que através das ordenações chamadas filipinas estabelece como devem ser as praças e cidades dentro dessa visão espanhola, a praça São Francisco surge neste momento refletindo uma concepção de cidade que tem na praça e na cruz, símbolo maior do cristianismo, o marco zero a partir do qual a cidade vai crescer.

JC – Por que não a cidade de São Cristóvão?

LAS - Essa questão desde o início nos incomodava e nos incomoda. No entanto, quando da discussão com a missão da Unesco, órgão que chancela o “Patrimônio da Humanidade”, vimos que a melhor estratégia é no primeiro momento conquistar o título para a praça e caminharmos para a conquista do título para a cidade, pois o Centro Histórico de São Cristóvão mantém-se bem conservado do ponto de vista de seus casarios, ruas, igrejas, becos e ladeiras, além disso temos o rio Poxim (que banha a cidade de São Cristóvão) com um dos mais belos manguezais do Estado, o que coloca a cidade também como um patrimônio natural. Isso tudo nos credencia para que no segundo momento termos São Cristóvão (a cidade) como Patrimônio da Humanidade.

JC – Quais as vantagens que o município conquista com o reconhecimento da praça como patrimônio da humanidade?

LAS - A chancela da Unesco aprovando na sua reunião anual o título de Patrimônio da Humanidade, coloca a praça São Francisco no roteiro do turismo cultural internacional. Isso por si só já representa um afluxo de recursos muito grande, se estamos falando do pós-conquista; nesse momento, o município já está ganhando com os investimentos imprescindíveis na área de Infraestrutura, turismo, educação, cultura, meio ambiente e marketing, que atinge um montante de aproximadamente R$ 30 milhões, entre recursos federais e estaduais (Programa Monumenta), antes mesmo da chancela e até por conta da mesma a sociedade civil, o município, o estado e a união ajustam entre si procedimentos de compartilhamento para a conquista do título que no caso específico não é só para o sancristovense, é um título para o povo sergipano e para o povo brasileiro, pois em 2010 o único processo do Brasil é o processo da praça São Francisco/São Cristóvão/Sergipe/Brasil.


JC – O que tem sido feito em São Cristóvão? As recomendações da Unesco serão atendidas dentro do prazo?

LAS - É importante lembrar que estamos trabalhando neste momento as recomendações que constituem condições sine qua nom para chancela da Unesco, estamos cumprindo os prazos exigidos, desde a aprovação do plano diretor do município, aprovado pela Câmara Municipal de São Cristóvão no mês de setembro ultimo, até o grande projeto de esgotamento sanitário do Centro Histórico de São Cristóvão, cuja licitação deverá ser aberta no próximo dia 5, a proteção das matas ciliares no rio Poxim, a melhoria da rodovia João Bebe Água (trecho até a rótula do Eduardo Gomes) que em março próximo será entregue, a rede de fiação subterrânea, o projeto de luminotécnica, e restauração de casarios, igrejas, ruas, elementos artísticos (pinturas, painéis). Todo esse trabalho está em andamento, garantindo que todas as obras pensadas e recomendadas estarão concluídas ou em andamento para conclusão até março, ou licitadas para assinatura de ordem de serviço e início imediato em janeiro ou fevereiro.

JC – Há um trabalho de sensibilização da comunidade sancristovense para a importância do título?

LAS - Desde o primeiro momento tomamos como principio básico que as pessoas só protegem aquilo que amam e só amam aquilo que conhecem, por isso a Educação Patrimonial constitui elemento chave do nosso trabalho em São Cristóvão. Para tanto, abrimos o escritório da SUBPAC em São Cristóvão desde 1º de outubro e desde então a equipe visitou escolas públicas e privadas, feiras livres, povoados, colônia de pescadores, igrejas, grupos de idosos e jovens, fábricas de beiju e de doces, teatro, escolas de música, enfim, espaços sociais que tradicionalmente agregam a comunidade sancristovense. Promovemos palestras com os professores atuantes em São Cristóvão e temos conseguido um número surpreendente de presenças: mais de 200 professores. O nosso primeiro trabalho de mobilização já foi impactante: panfletamos nos desfiles cívicos do município (realizados dias 7 e 13 de setembro) e divulgamos a causa patrimonial para milhares de pessoas. A receptividade é boa e vários projetos já foram efetivados, como o Dia da Sergipanidade, em que promovemos apresentações de grupos folclóricos e artistas locais, além de ceder espaço para o artesanato, a culinária e a arte locais; o Música na Igreja, através do qual o grupo Renantique apresentou músicas medievais e renascentistas se apresentaram nas igrejas de Nosso Senhor dos Passos, Nossa Senhora do Carmo e na igreja de São Francisco.


FONTE: Entrevista concedida a Eugenio Nascimento. Jornal da Cidade. Aracaju, 1 de janeiro de 2010.

3 comentários:

  1. Thiago. Sugiro que seja colocada uma nota de errata na segunda resposta de Luiz Alberto. É que ele mencionou o rio Poxim como aquele que banha São Cristóvão, ao invés do Paramopama.

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  2. Rio Poxim banhando a cidade de São Cristóvão?
    Thiago veja o vídeo que fizemos sobra a campanha da Praça:
    http://www.youtube.com/watch?v=wYI2B6SdAUw

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  3. De fato, o nosso amigo Luiz Alberto se enganou, quem banha a cidade é rio Paramopama que encontra o Vaza Barris antes do povoado Pedreiras. Agradeço a observação dos senhores. Ah! gostei muito do video dos escoteiros.

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